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Cinco provocações sobre como você e sua marca lidam com a opinião pública
04 de Agosto de 2025

Cinco provocações sobre como você e sua marca lidam com a opinião pública

O risco de transformar a opinião pública em bússola única e absoluta

Por Giuliano Thaddeu 04 de Agosto de 2025 | Atualizado 05 de Agosto de 2025

Imagem produzida pelo Colunista com apoio de IA

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Compreender o contexto e a opinião pública é uma das tarefas mais importantes de quem trabalha com comunicação, reputação ou marketing. Mas cuidado: interpretar não significa obedecer cegamente. Quem só escuta a rua para saber para onde ir acaba perdendo o rumo. É preciso saber quando seguir o vento — e quando fincar o pé.

Nos últimos anos, vimos muitos exemplos do risco de transformar a opinião pública em bússola única e absoluta. Um dos casos mais emblemáticos foi a explosão da agenda que alguns apelidaram de woke — e aqui não vai nenhuma análise de mérito, apenas de comunicação. De uma hora para outra, parecia não haver alternativa: ou a marca se manifestava, ou estaria fora do jogo. Posicionamentos ensaiados e genéricos tomaram o lugar da autenticidade. Mas, como toda onda, essa também passou — e deixou pelo caminho marcas que perderam identidade tentando agradar a todos. Quando o vento muda, o que sobra da imagem de quem vive como biruta?

Em 2018, participei da campanha à reeleição do governador José Ivo Sartori, no Rio Grande do Sul. À época, ele enfrentava uma das piores avaliações de governo da história. Tinha sido o primeiro a encarar a gravidade da crise fiscal, tomar medidas impopulares e, por fim, atrasar salários. As pesquisas e os analistas eram unânimes: não teria chance. A opinião pública parecia decretar seu fim.

Foi quando decidimos fazer o oposto do que indicavam os manuais. Em vez de pedir desculpas ou prometer o impossível, afirmamos: “O Gringo tá certo” (o apelido de Sartori, natural da serra gaúcha, era Gringo). A campanha deslocou o debate para essa ideia.
Assumiu o custo. Apostou na convicção. E o resultado surpreendeu: por uma semana, Sartori não venceu a eleição contra o favorito Eduardo Leite. A decisão de confrontar — e não bajular — a opinião pública quase virou o jogo.

Esse caso revela um aprendizado valioso: respeitar o sentimento das pessoas não é o mesmo que se submeter a ele. Comunicação é, antes de tudo, conexão. E ninguém se conecta com quem só repete o que os outros querem ouvir.

Mais que isso: quem trabalha com reputação precisa cultivar coragem. Coragem para contrariar modismos, para sustentar coerência mesmo quando ela não rende curtidas, para confiar na inteligência das pessoas. Coragem para, às vezes, dizer: não é bem assim.

É aí que entra outro ponto essencial: saber distinguir a opinião pública da opinião publicada. O que aparece nos grandes jornais, nos portais de notícias ou nos trending topics não necessariamente traduz o que pensa a maioria silenciosa. Uma parte significativa de quem tem potência de fala — cada vez mais homogênea — vive, muitas vezes, em bolhas retroalimentadas. E confundir isso com voz popular é erro comum de marqueteiros e gestores.

Por isso, não basta ter pesquisa, big data ou dashboards sofisticados. É preciso saber ouvir. E, acima de tudo, entender de gente. Porque comunicar, no fim das contas, é simplesmente conectar duas ou mais pessoas. E isso exige mais do que algoritmos e métricas: exige alma, presença e verdade.

Se sua marca está sempre dizendo o que os outros querem ouvir, talvez esteja apenas gritando no vazio.

Assim, proponho…

…cinco provocações para quem vive (ou trabalha) cercado de opiniões:

1. Escute a opinião pública — mas não seja refém dela.
Interpretar o contexto é essencial, mas agir só para agradar pode levar à perda de identidade.

2. Fuja do modismo, abrace a coerência.
O que hoje é consenso pode virar desgaste amanhã. A autenticidade dura mais que a tendência.

3. Coragem também é estratégia.
Contrariar a maioria, às vezes, é o caminho para manter a integridade da mensagem.

4. Opinião publicada não é sinônimo de opinião popular.
A voz da maioria muitas vezes está longe das manchetes e dos trending topics. pontes

5. Comunicação não é performance: é conexão.
Mais do que métricas, comunicar exige escuta, verdade e vontade real de construir

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