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Atenção em queda: um desafio para marcas e líderes
02 de Setembro de 2025

Atenção em queda: um desafio para marcas e líderes

Se o passado recente já nos tirou minutos e entregou segundos, o futuro tende a encolher ainda mais

Por Giuliano Thaddeu 02 de Setembro de 2025 | Atualizado 02 de Setembro de 2025

Imagem criada pelo colunista com apoio de IA

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Se você chegar ao fim desta coluna sem ser interrompido pelo celular, sem abrir outra aba ou sem se distrair com a conversa da mesa ao lado, parabéns: está muito acima da média mundial. E isto não é nenhum exagero.

Pesquisas lideradas pela professora Gloria Mark, da Universidade da Califórnia, monitorando por meio de registros automáticos o uso real de computadores e celulares desde 2004, revelaram uma transformação radical no nosso comportamento digital. Em 2004, ficávamos em média dois minutos e meio focados na mesma tela ou janela antes de trocar. A partir de 2016, essa média caiu para apenas 47 segundos, com uma mediana em torno de 40 segundos. Não existem dados mais recentes, mas basta reparar em nosso próprio comportamento para intuir que o número é ainda mais baixo hoje.

E não para por aí. As interrupções, aquelas pequenas “pausas inocentes”, custam caro. Pesquisas da Universidade da Califórnia e da Microsoft indicam que, quando somos interrompidos, levamos em média 23 minutos e 15 segundos para retomar a tarefa original.

E nesse meio tempo, é comum percorrer um labirinto de microtarefas: responder uma mensagem, checar o e-mail, olhar a previsão do tempo, até lembrar o que estava fazendo.

Em mais de um quarto dos casos, a retomada leva duas horas ou simplesmente nunca acontece. Diga aí: quantos textos você já deixou pelo caminho por causa de um alerta no WhatsApp?

Os efeitos sociais e educacionais

Essa queda brutal de atenção tem efeitos diretos no cotidiano. Nas escolas, alunos expostos a maratonas de vídeos curtos apresentam menos foco e desempenho mais baixo. No convívio social, as conversas se tornam fragmentadas: todo mundo com o olho no celular, dividindo-se entre a vida real e a notificação na tela. A atenção virou mercadoria rara – e como toda escassez, gera impacto cultural. Não se trata apenas de “falta de disciplina”, mas de uma economia inteira girando em torno da disputa por segundos de olhar.

O desafio para marcas e lideranças

Do ponto de vista estratégico, comunicar tornou-se missão das mais difíceis. Como transmitir uma ideia relevante em um ambiente de poluição informacional, onde disputamos cada segundo com memes, breaking news e dancinhas? O jogo já não é só “chamar atenção”. A atenção virou commodity. O diferencial está em gerar conexão: fazer o público sentir que aquela mensagem lhe  pertence, que toca sua vida. Sem conexão, não há reputação que se sustente.

Pontos-chave para a comunicação de hoje:

Clareza imediata: mensagens que dizem “a que vieram” nos primeiros segundos.

Narrativa curta, mas com lastro: a forma pode ser breve, mas precisa carregar significado. Humanidade acima de algoritmo: não adianta vencer o feed se você perde a confiança.

E o futuro?

Se o passado recente já nos tirou minutos e entregou segundos, o futuro tende a encolher ainda mais. A cada nova tecnologia a concorrência pelo olhar humano se intensifica. O desafio das lideranças, empresas e instituições será aprender a comunicar para mentes que funcionam em pílulas, mas sem abrir mão da profundidade que constrói confiança.

No fim, talvez a pergunta não seja mais “como prender atenção?”, mas sim: como criar vínculos duradouros em meio ao turbilhão? A resposta está na conexão — a única “notificação” que ninguém silencia.

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