Imagem: Criação do Colunista com apoio do Chat GPT
O Janeiro Branco está terminando, mas as reflexões que ele provoca precisam acompanhar o empresariado brasileiro ao longo de todo o ano. Criada em 2014, a
campanha nasceu com o objetivo de ampliar a conscientização sobre saúde mental, quebrar tabus e trazer dados para o centro do debate público.
Entre os números mais recentes, chama atenção o levantamento feito pelo Ministério da Previdência Social a pedido da Folha de São Paulo. Os afastamentos por síndrome de burnout e outros transtornos mentais relacionados ao trabalho explodiram no Brasil. Entre 2021 e 2024, os auxílios-doença por esgotamento profissional aumentaram 493%, saltando de 823 para 4.880 registros. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram contabilizados 3.494 afastamentos, o equivalente a 71,6% de todo o volume do ano anterior.
O impacto desse cenário vai muito além da saúde individual. As despesas da Previdência com auxílio-doença cresceram 68% entre 2022 e 2024, passando de R$ 18,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões, ritmo significativamente superior ao aumento geral dos gastos do sistema. Transtornos ligados à ansiedade já figuram entre as cinco principais causas de afastamento no país.
Esta bem, mas o que tudo isso tem a ver com a imagem da minha empresa?
TUDO!
Hoje, os vetores de construção e desgaste reputacional são múltiplos, e a percepção de funcionários e ex-colaboradores passou a ter peso real na formação da imagem institucional. A experiência interna deixou de ser um assunto restrito aos corredores e ganhou relevância pública. Em 2026, reputação não é apenas o que a empresa comunica. É, sobretudo, o que ela sustenta no cotidiano.
Para corporações de maior porte, esse impacto é ainda mais sensível. Ambientes de trabalho que adoecem pessoas geram efeitos em cadeia, como afastamentos recorrentes, queda de produtividade, aumento de custos trabalhistas e enfraquecimento da cultura organizacional. Com alta visibilidade, qualquer incoerência entre discurso e prática tende a se amplificar, afetando a confiança do mercado, de parceiros e de investidores. A saúde mental passou a integrar, de forma definitiva, o campo da gestão de risco reputacional.
É nesse cenário que o Janeiro Branco deixa três lições centrais para quem enxerga a reputação como um ativo estratégico.
1) Saúde mental não é benefício, é infraestrutura
Cuidar do bem-estar psicológico das equipes deixou de ser um gesto complementar e passou a ser condição básica para a sustentabilidade do negócio. Ambientes disfuncionais não permanecem invisíveis por muito tempo. Eles impactam indicadores internos, pressionam a operação e acabam refletindo na imagem da empresa. Ignorar esse processo não reduz custos; apenas adia um problema que tende a crescer.
2) Coerência é o maior ativo
Campanhas institucionais sobre saúde mental só fortalecem a reputação quando encontram respaldo na realidade interna. Caso contrário, produzem o efeito inverso. O mercado atual não pune empresas por reconhecerem dificuldades, mas reage mal àquelas que constroem narrativas desconectadas da experiência real de seus colaboradores. Coerência, mesmo com imperfeições, gera mais confiança do que discursos bem produzidos que não se sustentam no dia a dia.
3) Reputação: atração e retenção de talentos
Em um ambiente competitivo, profissionais qualificados escolhem onde desejam trabalhar, e a reputação da empresa pesa cada vez mais nessa decisão. Organizações reconhecidas por ambientes saudáveis, relações de trabalho equilibradas e lideranças responsáveis tendem a formar equipes mais estáveis e engajadas. Já aquelas associadas a esgotamento e pressão excessiva enfrentam dificuldades crescentes para reter pessoas e atrair novos talentos, o que compromete diretamente sua capacidade de crescimento e inovação.
No fim, o Janeiro Branco funciona como um espelho incômodo, mas necessário. E você, como está cuidando da saúde mental da sua empresa?
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