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Além dos dados: A relevância que não cabe em planilha
07 de Julho de 2025

Além dos dados: A relevância que não cabe em planilha

Focar apenas nos números pode levar à perda da conexão humana

Por Thaise Corrêa 07 de Julho de 2025 | Atualizado 07 de Julho de 2025

Outro dia, tomando meu café da manhã, parei para pensar em como somos impactados pela comunicação o tempo todo. A TV ligada, as redes sociais abertas no celular, a tela do elevador piscando anúncios, e, no caminho para o trabalho, a rádio tocando enquanto outdoors disputam atenção. Em meio a esse cenário, fiquei me perguntando: será que com todo esse barulho conseguimos realmente a atenção e a lembrança?

Como foi que mudamos esse cenário de mídia em tão pouco tempo? De repente, tudo virou tela, tudo virou oportunidade de impressão, tudo virou métrica. E no meio dessa avalanche de formatos, tecnologias e plataformas, me pego pensando: como, na correria do dia a dia, posso ser relevante o suficiente para me conectar com o público do meu cliente sem ser só mais uma marca tentando ser vista, sem ser apenas mais um ponto de contato entre tantos? O que faz uma mensagem realmente parar alguém, fazer sentido, permanecer?

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Na rotina do profissional de mídia, essa pergunta pesa. Antes mesmo de discutirmos o que precisa ser dito, para quem e por quê, o que chega à mesa são os números: alcance, visualizações, custo por mil. A régua do sucesso passou a ser, muitas vezes, puramente quantitativa. Essa lógica da performance se consolidou como padrão e passou a guiar decisões em diferentes áreas da comunicação. Tudo precisa entregar, escalar, render. Mas nesse processo, corremos o risco de abrir mão do tempo de escutar, observar e refletir. E sem isso fica mais difícil construir algo que vá além da entrega: algo que realmente conecte.

Case

Recentemente, uma ação da Fiat durante o Carnaval chamou atenção por justamente acertar nesse ponto. A marca instalou um totem com bafômetro interativo na Avenida Paulista e em outras cidades. Quem fizesse o teste e estivesse acima do limite ganhava um voucher de R$15 reais para voltar em carros de aplicativo. Foram mais de 5 mil vouchers distribuídos. Simples, útil, empático. A marca estava presente resolvendo um problema real, no momento certo. Não era sobre visualizações. Era sobre cuidado.

O profissional de mídia mostra seu valor quando vai além de comprar espaços e ajustar custos. Ele começa entendendo quem é o público de verdade: seus hábitos, necessidades, onde está e como prefere consumir informação. Com esses dados ajuda a montar uma estratégia que faz sentido, escolhendo canais e formatos que realmente conversam com o público.

Mas é importante lembrar que ideias brilhantes não são exclusividade de um departamento, seja criação, produção, planejamento ou mídia. Elas surgem e ganham força quando trabalhamos juntos, em sintonia, unindo diferentes olhares e expertises. Só assim conseguimos ultrapassar barreiras e ir além do óbvio, construindo estratégias que realmente fazem a diferença.

Imagem: Pixabay

Não estou recomendando abandonar relatórios. Eles são importantes instrumentos, mas nunca devem virar destinos. Quando focamos apenas nos números, corremos o risco de perder de vista o que realmente importa: a conexão humana. Métricas devem ser usadas como guias, não como fins em si mesmas.

É fundamental lembrar que por trás de cada clique e de cada visualização existe uma pessoa com suas emoções, expectativas e necessidades. E é para essa pessoa que queremos falar não para um número em uma planilha. Comunicação precisa voltar a ser sobre gente, e não apenas sobre números.

Por isso, o desafio é equilibrar a objetividade dos dados com a sensibilidade para entender contextos, comportamentos e histórias que não aparecem em relatórios. Só assim podemos criar uma comunicação que realmente faça sentido e deixe marca.

No fim das contas, alcance sem significado vira só barulho. E barulho não constrói história. Histórias podem ser medidas em números, mas começa mesmo é na empatia. E empatia ainda não cabe em planilha.

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