Acompanhando os acontecimentos recentes em Cuba assisti um vídeo mostrando a preocupação de uma jovem cubana sobre as mudanças culturais que serão necessárias para que o país possa aspirar um futuro melhor. Dizia ela: como, após quase 70 anos, de subserviência ao Estado e de total dependência econômica, o povo terá que ser o dono do seu destino, terá que prover ao invés de ser atendido mesmo que de maneira insatisfatória?
Exemplificando o dito pela jovem cubana vamos a um exemplo: em Cuba não há coleta regular de lixo. O povo escolhe, aleatoriamente a esquina da quadra que, entre uma coleta e outra do lixo, será a receptora do lixo de toda a quadra e por tempo indeterminado. Há um revezamento para que todos os moradores, de tempos em tempos, sejam “premiados.” A preocupação da autora do vídeo é com o depois; será fácil reeducar o povo nos princípios básicos de higiene? Quanto tempo será necessário para implantar, simplesmente, princípios de higiene?
Trazendo o problema para a ótica brasileira penso que vivemos um problema parecido. Os últimos governos com viés de esquerda e, já são muitos desde o primeiro governo FHC, vêm educando o povo dentro de um sistema, absolutamente, leniente ou como diriam os franceses,”laissez faire.” Criaram auxílios, como o Bolsa Família, sem porta de saída e, é comum, ver membros do governo se vangloriando quando o número de beneficiados aumenta. Outros auxílios foram criados como gás e luz gratuitos e sem nenhuma necessidade de contrapartida. A conta é paga pelos brasileiros que trabalham e, que são cada vez em menor número.
Com a criação do programa Pé-de-Meia o incentivo monetário é dado aos estudantes que frequentam as escolas. Não há preocupação com a qualidade do ensino, com o processo ensino-aprendizagem, pois a evolução do aluno é automática. Enfim, estamos ensinando os jovens a serem dependentes do Estado e a não buscarem, por suas forças, o desenvolvimento de habilidades que os tornem necessários e desejados pelo mercado de trabalho. Serão os futuros usuários dos auxílios governamentais!
Vale aqui transitar pelo Ensino Superior e ver que o slogan “Universidade para Todos” se transformou em uma grande fábrica produtora de analfabetos funcionais. O programa FIES que suportaria a possibilidade de estudo superior aos menos favorecidos financeiramente, transformou-se em um grande centro de dívidas para estudantes e seus avalistas. O índice de inadimplência do FIES atinge indicadores entre 59 a 62% dos estudantes e com valores atingindo a 90 milhões de reais. Os únicos que foram beneficiados, os donos dos grandes conglomerados educacionais, tinham os estudantes e a garantia de recebimento do governo.
Como para se manter no poder vale qualquer coisa estamos vendo a discussão sobre o sistema de trabalho 6×1 tomando corpo e, sem que se analisem as consequências de maneira profunda, é provável que haja uma rápida tramitação e a aprovação com os custos caindo no colo dos brasileiros que ainda acreditam na força do trabalho, da honestidade e do crescimento econômico e social.
A mudança do quadro que hoje podemos ver em qualquer rua de alguma cidade brasileira, lixo nas ruas, pessoas atravessando avenidas serpenteando entre carros quando há faixas de segurança, desavisados transformando os ouvidos de pessoas com som alto dentro de coletivos, a obesidade se transformando em pandemia pela alimentação inadequada e exagerada, o desrespeito com as pessoas em qualquer espaço público, só para ficar nos exemplos cotidianos e de menor gravidade. A mudança será difícil e trabalhosa, se é que não será para pior?

Foto: Freepik
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