Um dos mais conceituados jornalistas especializados no mundo da Publicidade e do Marketing no Brasil é Adonis Alonso. Ele é jurado do Prêmio Colunistas, assessor no Brasil do Festival Ibero Americano de la Publicidad-FIAP, coordenador de Conteúdo do Fórum de Marketing Empresarial e do Prêmio Lide de Marketing Empresarial do grupo Doria Associados e autor do livro “Meus Amigos Publicitários”.

Nesta entrevista ele explica porque gosta tanto de ir a Cannes e porque, depois de 15 anos ininterruptos não irá neste ano.
AcontecendoAqui – O que Cannes acrescenta para a sua realização pessoal?
Adonis Alonso – No plano pessoal, ir a Cannes significa aumentar a bagagem cultural. Em 20 anos de participação, me permiti seguir viagem pós-festival e assim fui incluindo não só novos países na minha lista de visitas como também uma série de diferentes regiões francesas.
AcontecendoAqui – Cannes e os Leões. Quais os outros fatores te levam a Cannes?
Adonis Alonso – O festival em si é representa sempre um grande aprendizado. Geralmente lançam-se durante o evento peças, campanhas e cases que vão passar 12 meses ganhando prêmios. Mas ir a Cannes tem também um outro lado, tão importante, que é o do relacionamento, especialmente com profissionais de outros mercados.
AcontecendoAqui – Porque Cannes é um festival tão respeitado e que leva todo ano mais de 10.000 profissionais de comunicação do munto inteiro a Cannes?
Adonis Alonso – Sem dúvida se a Publicidade tem uma Copa do Mundo, ela se realiza anualmente em Cannes. Junte-se a essa importância a abertura do festival para várias outras áreas da Comunicação e do Marketing. O problema é que assim como no campo profissional, o evento cresce em proporção ainda maior na área comercial, de negócios. E isso tem prejudicado os participantes. Ninguém mais consegue cumprir a agenda que gostaria de palestras e workshops. Nem mesmo consegue ver ao vivo todas as peças que gostaria. Menos ainda a ir a todas as festas que gostaria. A agenda de Cannes hoje é acumulada.
AcontecendoAqui – Poderia comentar algumas histórias interessantes que aconteceram com você em Cannes?
Adonis Alonso – Acho que a principal aconteceu em 93. Cheguei a Cannes na tarde de domingo, véspera de abertura do festival (hoje nesse dia ele já está rolando). Mesmo após 18 horas de viagem entre São Paulo e Paris, conexão e Nice, táxi até Cannes, decidi dar uma olhada no Palais. E encontrei uma pessoa influente do Festival que não se agüentou a me contou que o Brasil havia ganho seu primeiro Grand Prix (o júri trabalhava desde a quinta-feira anterior). Estamos falando de 93. Não havia Internet, celular era um luxo. De um telefone público consegui avisar a redação da Folha da Tarde (o Propmark ainda era encarte desse jornal) e ganhei um espaço na capa do jornal com a novidade. À noite encontrei Erh Ray no restaurante e dei a notícia. Ele imediatamente passou a tentar avisar o Nizan Guanaes. Resultado: às 4 da madrugada um telefonema no meu quarto. Com o sotaque inconfundível disse: “Desculpe o horário, mas sou ansioso, você sabe, não ia esperar amanhecer aí em Cannes. É verdade?”, Diante da confirmação prometeu: “Amanhã à noite estarei aí”. E foi mesmo.
AcontecendoAqui – O que você diria para o Roberto Costa, Daniel Araujo, Fábio Veiga, Wilfredo Gomes e demais criativos catarinenses para convencê-los a ir para Cannes?
Adonis Alonso – Principalmente para quem nunca foi, Cannnes é imprescindível profissionalmente falando. Claro que atualmente você acompanha tudo pela Internet. Mas a presença é fundamental pelo menos uma vez.
AcontecendoAqui – Santa Catarina tem um shortlist pela BZZ, mas ainda não trouxe um Leão. Você acha que isso mudaria a história da propaganda catarinense se acontecesse neste ano?
Adonis Alonso – Lembro bem do primeiro Leão do Paraná. Sem dúvida mudou a cabeça dos publicitários de Curitiba e sua postura. Hoje Curitiba tem filial na Riviera Francesa durante o festival.
AcontecendoAqui – Depois de 15 anos cobrindo Cannes por que não vais neste ano?
Adonis Alonso – Na verdade são 22. Comecei em 91, logo após o Plano Collor. Ainda peguei a última edição do festival só de filmes. Em 92 entrou o Press e em 93 ganhamos nosso primeiro Grand Prix. Só pulei uma vez, em 2001. Vou dar um descanso este ano para pensar numa maneira melhor de fazer uma cobertura diferenciada, afinada com o propósito personalizado do Blog, já que o dia a dia, as centenas de premiações, são noticiadas pelos sites de notícias que cada vez mais levam equipes maiores a Cannes.

