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Entrevista | Eurico Meira, diretor de jornalismo da RBS TV Santa Catarina
06 de Junho de 2016

Entrevista | Eurico Meira, diretor de jornalismo da RBS TV Santa Catarina

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Os expressivos números de audiência da RBS TV revelados em pesquisas recentes do Ibope são tema de uma entrevista exclusiva com o diretor de jornalismo da emissora, Eurico Meira da Costa. Ele conversou com o editor do AcontecendoAqui, Jaílson de Sá, sobre os resultados que garantem a liderança da RBS TV em diversas regiões do Estado, com destaque para o desempenho de produções locais como Jornal do Almoço e RBS Notícias. Eurico comentou ainda os investimentos realizados na emissora para se aproximar das comunidades locais e apresentou sua visão para o papel do jornalista no futuro.

Confira em vídeo a entrevista completa, com imagens de Gito Rossi, da RBS TV. Se optar, pode acompanhar a transcrição em texto logo abaixo do vídeo

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Jailson – Olá, pessoal! TV AcontecendoAqui está na RBS TV em Florianópolis. Vamos conversar com Eurico Meira, Diretor de Jornalismo da RBS TV em Santa Catarina, que vai falar conosco sobre o crescimento da audiência da emissora nas principais cidades do Estado, conforme a última pesquisa divulgada pelo Ibope. Vou começar perguntando para ele se está cada vez mais difícil continuar líder na televisão.
 

Eurico – Olha, Jaílson, é um prazer te receber aqui na redação da RBS TV. A gente acha que o trabalho de liderança, na verdade, é um trabalho que é uma consequência de uma série de muitas ações. Este é um projeto que a gente julga ser muito sólido e que passa pelo desenvolvimento de muitas ações, voltadas para muitas áreas. Mas, principalmente, e eu acho que é isso o que nos motiva, é estar sempre muito conectado com o público. Por quê? A gente sabe que, nas sociedades democráticas, o papel do jornalismo, o papel da informação, ele é preponderante, ele é fundamental para o próprio desenvolvimento dessas sociedades. Então, a nossa grande preocupação, na verdade, é ter uma conexão com o público que nos permita cada vez mais produzir conteúdo jornalístico, produzir conteúdo para televisão que possa ter ainda um valor maior para o público. Então, claro que é difícil, mas a gente está sempre buscando novas formas, buscando maneiras de fazer diferente, mas sempre muito conectados com o público.
 

Jailson – A audiência do Ibope mostrou um crescimento que mantém a emissora na liderança. Como é que vocês encaram esse crescimento e ao que você atribui um crescimento tão expressivo nos jornalísticos como foi essa última pesquisa?

Eurico – Na televisão aberta, que é do que nós estamos exatamente falando, a audiência é consequência mesmo de uma aceitação. Eu costumo dizer que o número frio da audiência, na verdade, representa um público imenso que acompanha e, portanto, acredita naquilo que a gente faz. A gente acha que os resultados que a gente vem tendo em audiência em Santa Catarina e nas suas principais cidades, como Florianópolis, Joinville e Blumenau, são em decorrência exatamente disso, ou seja, de um projeto de longo prazo. Na televisão, a gente costuma dizer que não se muda nada de um momento para outro. É um trabalho que precisa ser consistente para ter aceitação. Mas, de qualquer forma, é importante destacar que é muito relevante para a gente perceber, num momento como esse em que nós estamos, em meados de 2016, acompanhando números tão expressivos. Eu posso falar rapidamente de alguns deles. Nós percebemos que, em Blumenau, em Joinville, em Florianópolis, nos últimos três anos, a gente vive um processo de crescimento de audiência, a ampliação da nossa participação. Eu poderia trazer aqui muitos números. Posso falar do Jornal do Almoço de Florianópolis, por exemplo, que é um programa que, nos últimos quatro anos, cresceu 70% a sua participação no horário. Veja o quanto isso é significativo e o quanto isso nos dá uma responsabilidade maior. Em Joinville, tivemos pesquisa recentemente, os programas locais – Jornal do Almoço, RBS Notícias, Bom Dia Santa Catarina – cresceram acima da média do próprio meio, onde houve crescimento. Então, a gente está enxergando mais ou menos assim. Do ponto de vista de audiência, a televisão aberta está num momento muito especial, porque a gente percebe que tanto a quantidade de pessoas que estão vendo televisão é maior, mas não só isso. O tempo que elas acompanham televisão também é maior. Então, isso para a gente é motivo de muita satisfação. E, quando a gente avalia a nossa programação local aqui em Santa Catarina, a gente percebe que há um crescimento ainda maior do que ocorre com a média na programação como um todo. Então, para a gente, é motivo de muita satisfação.
 

Jailson – E como é que é feita a medição por parte do Kantar Ibope para apurar a audiência da televisão em Santa Catarina?
 
Eurico – Nós temos dois modelos diferentes aqui em Santa Catarina. Tem um modelo que é aplicado à Capital, em Florianópolis. E tem o outro modelo que é aplicado às demais cidades onde nós temos emissora. Então, aqui em Florianópolis, a audiência é mensurada através de equipamentos que são colocados nos televisores, nas casas das pessoas, e esses equipamentos mensuram qual canal está sintonizado naquele momento. Isso, minuto a minuto. Então, a empresa que faz esse levantamento,essa pesquisa, consegue saber minuto a minuto em que canal de televisão aquela família ou aquele indivíduo está sintonizado. Isso é feito assim aqui em Florianópolis.
 

Jailson – Não há possibilidade então, com isso, de alguém dizer que, no Estado, tem uma audiência “x” a partir de uma audiência de uma cidade? Porque o critério não projetar resultados.

Eurico – Não, não é verdade. O que poderia acontecer, se quisesse falar de audiência estadual, é avaliar, nos principais municípios onde é feita a mensuração de audiência, e aí estimar a partir do resultado local, mas esse realmente é um exercício, que é um exercício interessante, eu acho, mas nem é exatamente assim como a gente trabalha. O que eu queria te dizer só para complementar a tua questão é que, se em Florianópolis a audiência é medida através do peoplemeter, que é esse equipamento que fica nos televisores, nas demais cidades do Estado a audiência é feita de uma forma diferente. A medição é feita através de entrevistas. O Ibope que é a empresa que faz essa pesquisa contrata pesquisadores que vão para as ruas e estratificam a população e fazem as perguntas, fazem uma entrevista com as pessoas para saber que canal que costumam ver e quais horários. E daí é configurada a medição e o resultado de audiência.

 
Jailson – O RBS Notícias apresentou um resultado que não apresentava desde 2011, o que você acredita que motivou isso? Uma resposta da audiência para o programa noturno? 

Eurico – É muito importante o que estás perguntando Jaílson. A gente está aqui na redação da RBS TV, aliás, se a gente perceber bem este aqui é praticamente o cenário do RBS Notícias, onde o programa é feito todos os dias. Aqui na redação da RBS TV a gente produz diariamente esse programa que hoje é um programa estadual, ou seja, nós fizemos uma mudança no RBS Notícias há pouco mais de um ano, que julgamos muito significativa. Nós tínhamos o programa feito de forma segmentada, ou seja, cada região tinha um pequeno programa. Nós entendemos que nós precisávamos ter um programa com uma qualidade maior de conteúdo, com conteúdo ainda melhor e decidimos fazer um programa unicamente estadual. Eu costumo dizer que o RBS Notícias é o nosso Jornal Nacional de Santa Catarina. Tem o compromisso com os principais fatos do dia e com os principais temas do Estado. Então nós ajustamos um pouco a pauta dele, incorporamos uma equipe para fazer esse programa em rede estadual e eu tenho certeza e muita convicção de que o resultado que a gente tem hoje com o RBS Notícias com crescimentos significativos em Florianópolis, Blumenau e Joinville, posso falar desses mercados por enquanto, porque dos demais nós ainda não temos os resultados deste ano, mas nesses três mercado o crescimento é muito significativo. E é decorrência disso, de um olhar, de uma preocupação, de estar sempre renovando o nosso conteúdo, com aquele intuito que te falei no começo, de atender melhor o público. Porque no final das contas, nós somos prestadores de serviço, trabalhamos com conteúdo e atendemos o público.
 

Jailson – O Jornal do Almoço também surpreendeu em termos de audiência. Vocês fizeram vários investimentos e é um horário muito competitivo, todo o mundo tem alguma coisa neste horário. A que você atribui e quais foram os investimentos e em que praças vocês fizeram para ter esse resultado?

Eurico – Nós temos olhado nos últimos anos com um carinho muito especial para o Jornal do Almoço em todas as regiões. Porque estou falando de um carinho especial do Jornal do Almoço? O Jornal do Almoço dentro do nosso mix da programação local, ele é o programa que está dedicado às questões locais, às questões do dia-a-dia das cidades, do dia-a-dia das pessoas nas suas cidades. O que a gente vem fazendo há pouco mais de dois anos em todas as regiões, e em Florianópolis há pouco mais de três anos, a gente deu uma boa renovada no Jornal do Almoço.Buscando fazer com que o jornal possa ser não só um espaço para informação, mas também um espaço para a relação com o público que nos assiste. Então nós temos uma preocupação muito grande para mensurar, para aferir exatamente aquilo que faz sentido para o público e a partir daí desenvolver ações concretas na tela e fora dela que possam ter esse significado para o público. Vamos pegar o caso específico de Joinville, por exemplo, nos últimos dois anos e meio, três anos, nós fizemos uma série de investimentos lá, não só em pessoas, em infraestrutura técnica, mas também, e principalmente, em conteúdo – que nos colocaram neste ano em uma situação muito privilegiada. O Jornal do Almoço em Joinville neste ano cresceu 40% na sua audiência. É um resultado muito significativo que nos deixa muito felizes. Mas como nós somos prestadores de serviço e trabalhamos com conteúdo, precisamos estar o tempo todo se reciclando, reforçando os nossos laços, procurando entender aquilo que faz sentido para o público, porque sabemos que o público está sendo bombardeado com uma série infinita de possibilidades e se nós não tivermos a sensibilidade de estar com o foco no que tem utilidade para as pessoas…

Jailson – E como vocês estrão olhando para a internet como plataforma para mostrar a programação de vocês?

Eurico – A internet é um meio fantástico. A gente que acompanha esse processo há algum tempo e vê que a internet significa um meio maravilhoso para potencializar aquilo que a gente faz. Porque no final das contas o que a gente faz é produzir conteúdo. Nós somos produtores de conteúdo, especialmente jornalístico, não só jornalístico, mas especialmente jornalístico. Então a internet, nós entendemos ela na verdade como uma grande ferramenta para aproximação com o público para ampliação das nossas audiências. Nós temos portais que trabalham com a produção de conteúdo, nós temos também os nossos espaços e profissionais conectados com as pessoas através das redes sociais, por exemplo. A internet é um meio que veio a se somar ao meio tradicional.
 

Jailson – E vocês já têm o volume de audiência disso? Vocês medem isso?

Eurico – Nós temos, nós medimos. Nós mensuramos de uma forma mais específica dos nossos sites, o G1, o Globoesporte.com, o próprio site da RBS TV. Nós temos número muito significativos porque a gente percebe hoje, e se número é sempre crescente, que existem milhões de pessoas, nós estamos falando na casa de 20 milhões de pageviews, que nos acompanham mensalmente nos nossos portais. Então veja como a internet proporcionou a ampliação da nossa audiência e do nosso alcance às pessoas. Eu queria te falar rapidamente de duas coisas que nos deixam muito orgulhosos. Hoje, quando a gente avalia o nosso mix, os nossos programas locais, a gente vê que temos de fato uma relevância muito grande, especialmente pelos números que são atribuídos às pesquisas que são feitas. É claro que isso representa a intenção do público, a visão do público com relação ao que a gente faz, mas são números tão significativos que a gente se coloca sempre em uma posição de: primeiro, muita gratidão por aquilo que a gente acompanha, mas especialmente nos sentindo sempre mais desafiados, porque a gente pensa assim: “olha, nós temos programas que diariamente (nós podemos dizer isso através de projeções) alcançam milhões de pessoas. Quer dizer, a nossa programação diariamente, como um todo, ela alcança milhões de pessoas. Então, vejam a responsabilidade que a gente tem que ter ao produzir conteúdo, ao checar informações, ao fazer a triagem adequada, ou seja, tratar jornalisticamente esses assuntos para que o público continue nos dando a preferência e, de preferência, continue ainda mais nos dando essa preferência.”
 

Jailson – Vou te perguntar, para encerrar, o seguinte: qual é o futuro da profissão de jornalista? 

Eurico – O futuro da profissão de jornalista é maravilhoso. Ele é maravilhoso por quê? Porque a gente percebe claramente que as pessoas, como eu já falei aqui rapidamente, estão cada vez mais bombardeadas por informações de todo tipo, em todos os meios, a todo momento. As pessoas estão precisando cada vez mais de curadoria, de alguém que as ajude a entender melhor o mundo onde vivem, a ter as informações que possam lhes ajudar a viver melhor o seu dia-a-dia, a ter as informações que podem ser úteis para a sua vida. E isso é exatamente o papel que cumpre um jornalista. Então, independentemente de meio, de plataforma, essas coisas todas, no futuro eu não tenho nenhuma dúvida de que a profissão de jornalista vai ser ainda muito mais relevante do que ela é, porque as pessoas, como eu disse aqui para ti, cada vez mais precisam de um apoio, de um profissional que possa ajudá-las a entender melhor o mundo em que vivem. E esse profissional é o jornalista.
 

Jailson – Pois é, perguntei para Sônia Bridi por que, na opinião dela, o Snowden entregou para jornalistas os seus relatórios e não para o FBI, e ela me disse que ele disse que escolheu a imprensa porque a imprensa sabe separar o joio do trigo. Esse é o norte do jornalismo, né?

Eurico – É verdade, tens toda a razão, é exatamente isso.
 

Jailson – Ele tem razão, foi ele quem disse isso…

Eurico – O tempo todo nas redações a gente está tentando buscar fazer isso: separar o joio do trigo.
 

Jailson – Eurico, muito obrigado, parabéns aí pelo teu trabalho e pelo sucesso.

Eurico – Muito obrigado, obrigado ao Acontecendo Aqui.

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