- Não tinha mais jeito: Nozinho era um caso perdido. A doença se expandira rapidamente, e já tomara conta do seu corpo. Sua morte era uma questão de ordem. Ou de minutos. Mas ninguém contava pra ele a gravidade do momento. Pelo contrário. Perto dele, todo mundo fingia otimismo.
“Já, já, você se levanta daí” diziam. “Já está quase bom.”
Da porta do quarto, Joãozinho espiava. Não tinha coragem de entrar e se aproximar do pai, com medo de vê-lo dar o último suspiro. Mas então, aconteceu: Nozinho abriu os olhos, respirou fundo e sentiu o cheiro do pão de queijo, que a esposa Delina preparava lá na cozinha. A boca se encheu dágua. Bom mineiro, não resistiu.
Viu Joãozinho parado li na porta e pediu:
“Joãozinho, vai lá na cozinha e peça pra Delina me mandar um pão de queijo.
Joãozinho não vacilou. Partiu feito um raio, pra atender o pedido do pai. Mas voltou de mãos vazias:
“Pai, a mãe não quis dar. A mãe falou que o pão de queijo é pra servir no seu velório.” (Contado por Rolando Boldrin, no programa Senhor Brasil, e recontado aqui, do meu jeito)
- O jornal Valor Econômico publicou, dia 31 de maio, entrevista em que o publicitário Antonio Lino Pinto anuncia o lançamento de seu novo livro (Abri Minha Agência, e agora?)
Lino é aquele mesmo publicitário que andou pelo Brasil, para promover sua obra anterior (Pequenas Agências, Grandes Resultados, Clio Editora). Diz, na matéria do Valor, que decidiu escrevê-la porque percebeu que muita gente gostaria de se iniciar no negócio da publicidade mas não encontrava nenhuma referência a respeito.
Lino não precisava correr o Brasil para saber dessa carência. Tivesse trabalhado em outras Agências além da Talent, que ajudou a construir, veria que algumas dessas empresas já existentes enfrentam o mesmo problema de gestão. Perdem dinheiro, descontentam clientes e funcionários, empacam.
Poderia, também, ter batido um papo com o Chico Socorro e com o Júlio Pimentel. Ouviria deles casos de barbaridades que andam sendo cometidos por aí. E que poderiam ser corrigidas facilmente.
Poderia, também, ter aconselhado alguns livros que estão por aí. São poucos, mas bons.
Mas nada disso invalida a obra do Lino, que ainda não li porque comprei via e-commerce mas ainda não recebi. Mas, a julgar pelo seu livro anterior e pela entrevista que concedeu ao Valor, promete. E muito.
- 3. “Com a pressão por redução da remuneração, temos de encontrar uma maneira inovadora de prestar o mesmo trabalho com qualidade, velocidade e menor preço Isso exige um pensamento novo,” ele diz na entrevista.
Escrevi sobre isto na coluna anterior.
“A base desse conceito, criada por Frederick Taylor, em 1890, inclui velocidade na entrega, eliminação de fases intermediárias no processo produtivo, que não agregam valor aso produto final, ale, de remuneração por mérito e redução constante do custo de operação,” completa.
Muitos empresários da comunicação, que ainda hoje ganham muito dinheiro – embora cada vez menos e com mais sacrifícios – devem morrer de rir quando alguém fala desse assunto.
São como Nozinho, doidos para comer o pão de queijo do lucro, enquanto as agências agonizam sem que eles percebam. Até que um Joãozinho da vida dizer que falta pouco para o velório delas. Aí, eles vão morrer, sim. Mas não de riso.
