Publicidade
O “meu mundinho” de cada um
28 de Fevereiro de 2012

O “meu mundinho” de cada um

Publicidade

A discussão em torno das questões ambientais tem uma característica ímpar no quadro crítico em que a sociedade globalizada se estabelece: coloca em xeque a postura individualista que passeia tão liberada de compromissos nas últimas décadas.

Aos poucos, e não sem sofrimento, a humanidade vem se desvencilhando de todo tipo de vínculo, em nome da liberdade. Ao mesmo tempo, alimenta, numa micro-perspectiva, a ilusão de que cada um se basta a si mesmo, de que colocando em prática diária as técnicas de sobrevivência, preserva o necessário, o seu “mundinho” próprio: um trabalho, um círculo restrito de convívio, uma rotina controlada e previsível que transmita a sensação de tranquilidade e segurança.

Publicidade

Quando a carência de soluções conjuntas para problemas coletivos lança o homem num contexto global, os limites desse universo precisam ser transpostos, exigindo a abertura para uma nova atitude. O que ocorre, então, é colocar-se em evidência a necessidade que a humanidade tem de manter os laços de sentido, pela comunicação, pelo compartilhamento, pela solidariedade, para que cada indivíduo possa usufruir da própria e tão prezada liberdade.

Os limites que os problemas ecológicos ressaltam trazem à tona a importância da responsabilidade, retomando a premissa de que toda a liberdade requer responsabilidade.  Todo esse encadeamento, no entanto, passa pelo elemento básico da comunicação, isto é, assegurar-se de que a mensagem seja decodificada pelo outro com quem se fala. 

O mérito da boa comunicação é fazer com que, em vez de seres atomizados e distantes uns dos outros, tenhamos compromisso com a continuidade dos nossos atos, com a extensão das nossas atitudes diárias praticadas em nossos “mundinhos” particulares. 

É essa qualidade de compromisso que pode oferecer uma segurança mínima de que nosso problema comum, o de garantir que o ar que respiramos não seja pernicioso à nossa própria saúde, que possamos ingerir alimentos sem receio de contaminantes, que as praias que admiramos sejam balneáveis, que as nossas fronteiras não se transformem em barricadas contra os outros.

Ao sair de si e abrir-se ao outro, ao buscar sintonizar os sentidos, pela razão e pelo sentimento, abandona-se a cômoda e precária condição individualista e se dá oportunidade para se manifestar a face altruísta do humano. Esta é a principal responsável pela sociabilidade, pela afetividade, pela solidez dos vínculos que não se fazem por meio da apatia e do isolamento, mas em pleno existir, contínuo e intenso, ao realizar-se cada um como sujeito de sua própria vida. Parte-se, então, de uma visão particularista e ilusoriamente autossuficiente do “meu mundinho”, para uma expressão do próprio sujeito, uma questão de “ser” numa dimensão global e contextualizada, agente consciente e responsável da sua liberdade.

As práticas comunicativas, sejam elas próximas ou intermediadas, são inócuas quando não se dotam de um sentido comum, como mera perfumaria, mas podem ser transformadoras quando comprometidas com um ideal maior, que provoca o abrir-se em direção ao outro, permitindo o fluxo da Vida.

Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter


    Publicidade