Quando o Uber decidiu trocar sua frota de carros Ford Fusion de direção autônoma por utilitários da Volvo em 2016, a empresa de transporte urbano por aplicativo também reduziu o uso de uma tecnologia importante: os sensores de segurança que detectam objetos nas ruas.
A decisão resultou em um veículo autônomo com mais pontos cegos do que a própria geração anterior de carros do Uber, além daqueles de seus concorrentes, segundo entrevistas com cinco ex-funcionários e quatro especialistas da indústria que falaram pela primeira vez sobre a substituição tecnológica do Uber.
Os carros sem motoristas deveriam evitar acidentes graças ao lidar – que usa pulsos de luz laser para detectar perigos nas vias – e outros sensores, como radares e câmeras. O novo veículo autônomo do Uber é equipado com um único sensor lidar instalado no teto – os antigos modelos Ford Fusion usavam sete, de acordo com diagramas preparados pelo Uber.
Ao optar por um único lidar no Volvo, o Uber criou uma zona cega ao redor do perímetro do SUV que não consegue detectar totalmente os pedestres, de acordo com entrevistas com ex-empregados e com Raj Rajkumar, diretor do centro de transportes da Universidade Carnegie Mellon, que trabalha com a tecnologia de carros autônomos há mais de uma década.
O sistema lidar fabricado pela Velodyne – um dos principais fornecedores de sensores para veículos autônomos – vê objetos em um círculo de 360 graus ao redor do carro, mas tem um alcance vertical curto, que o impede de detectar obstáculos mais próximos do solo, segundo informações disponíveis no site da Velodyne e de ex-funcionários que operaram as SUVs do Uber.
Os carros autônomos operados pela rival Waymo, a unidade de carros com direção autônoma do Google, da Alphabet, têm seis sensores lidar, e o modelo da General Motors têm cinco, conforme informações das empresas.
O Uber não quis comentar a decisão de reduzir a quantidade de sensores lidar. Em um comunicado divulgado no final da terça-feira, uma porta-voz da companhia disse que “acreditamos que a tecnologia tem o poder de tornar o transporte mais seguro do que nunca e reconhecemos nossa responsabilidade de contribuir para a segurança de nossas comunidades. Ao desenvolvermos a tecnologia de condução autônoma, a segurança é nossa preocupação principal em cada etapa”. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
Oriundo da Reuters com texto de Heather Somerville e Paul Lienert e Alexandria Sage