Em 2013 o AcontecendoAqui publicou uma Série sobre o Festival de Cannes com pequenas entrevistas realizadas com donos das agências de propaganda de Santa Catarina que mais divulgam seus trabalhos neste portal. Neste ano estamos realizando essa Série com os Diretores de Criação dessas agências, seguindo o mesmo critério. Você irá sentir a ausência de alguns DCs que deveriam participar da Série e o motivo foi não termos recebido deles as respostas no prazo.
Estreia
De posse das respostas de todos que participarão da série, iniciamos hoje, dia 30 de maio de 2014, com a publicitária Katiany Pinho, da BZZ Propaganda, agência que já ganhou um shortlist em Cannes.
AcontecendoAqui – Qual o conceito que você tem sobre o Festival de Cannes e sua importância na carreira de um criativo?
Katiany Pinho – O festival tem três impactos na carreira do criativo. O primeiro é a troca de experiências e o contato com a cultura criativa e os profissionais de outros países e outras agências. O segundo é a carga de conteúdo sobre outras áreas da propaganda – e outras disciplinas – que ajudam a abrir a mente para novas possibilidades de negócio. E por último, ser premiado no festival é uma credencial oficial de critério que sem dúvida abrirá portas com mais facilidade na carreira.
AAqui – Poucas agências catarinenses já concorreram na premiação. Na sua opinião, por que essa pequena participação?
K. P . – A resposta dessa pergunta todo mundo sabe. Sejamos realistas: o cotidiano do nosso mercado é tirar leite de pedra. Cada vez mais e-mail marketing e shutterstok. Cada vez menos verba de produção. Temos muitos talentos em Santa Catarina, que com certeza poderiam estar na ficha técnica de um leão, se tivessem mais oportunidades e ferramentas para isso. Sei que algumas agências já inscreveram e continuam tentando, uma hora a gente chega lá. A BZZ foi shortlist em Cannes, o que é já é um grande mérito no nosso contexto. É como estar na Copa do Mundo: se foi escalado é por que tem potencial pra estar entre os melhores. Acontece algo engraçado aqui em Florianópolis. De tempos em tempos vivenciamos o fenômeno do “criativo forasteiro”. Um profissional talentoso, reconhecido, premiado, que vem de fora, assume uma direção de criação focado em “mudar o mundo”, questiona tudo, até bem intencionado, mas por vezes chega a ser arrogante (e engraçado pra gente que já viu isso se repetir tanto) menosprezando a qualidade da nossa propaganda. Mas logo se dá conta que as verbas são outras, que não vai poder parar a agência 1 mês inteiro pra criar fantasma pra Cannes, que a pauta bomba, que precisa entregar amanhã um roteiro com verba de cinco pila, que precisamos fazer esse negócio ser lucrativo antes de mais nada. Aí o sonho dourado termina, eles se despedem da praia e voltam para os grandes mercados. Veja bem, nada contra quem vem de fora querendo agregar dentro da nossa realidade, só ganhamos com isso.
AAqui – Você já esteve em Cannes acompanhando o Festival?
K. P . – Não.
AAqui – Algum trabalho que teve sua participação já concorreu em Cannes?
K. P . – Sim.
AAqui – Qual trabalho brasileiro pode surpreender em Cannes neste ano?
K. P. – CNA – A ideia de aprender inglês com os velhinhos What’s Cook – Hellman’s – Cubo.


