Série “Cannes sob o ponto de vista dos criativos de Santa Catarina”, com Leandro Tuxo – BZZ
05 de Junho de 2014

Série “Cannes sob o ponto de vista dos criativos de Santa Catarina”, com Leandro Tuxo – BZZ


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AcontecendoAqui – Qual o conceito que você tem sobre o Festival de Cannes e sua importância na carreira de um criativo?

 

Leandro Tuxo – Ganhar um Leão de Cannes – seja ele de titânio, de ferro ou de barro – é o sonho dourado (mesmo que o leão não o seja) de qualquer criativo. Não há dúvidas sobre a relevância de um prêmio como esse na carreira de qualquer profissional da nossa área, bem como para a agência que tem o tal criativo na equipe. Ter um leão é ter a oportunidade de entrar para a Master League da publicidade mundial, e uma vez lá, cada novo leão é um bilhete de permanência na elite. Apesar de muitos outros festivais internacionais terem um grau similar de importância – One Show, New York Festival, London Awards, etc – nenhum tem o glamour daquele entregue no Palais, às margens da Côte D’Azur. O mundo conhece o Cannes Lions International Festival of Creativity. Se bobear, até a sua vó ficaria orgulhosa em saber que você ganhou um leão.

 

AAqui – Poucas agências catarinenses já concorreram na premiação. Na sua opinião, por que essa pequena participação?

 

L.T. – Acredito que o mercado catarinense de propaganda esteja se desacostumando com premiações e festivais na última década. É bem verdade que historicamente não temos muitas inscrições em Cannes, mas as agências catarinenses já estiveram muito mais presentes em outros festivais. Já vieram para as prateleiras catarinenses alguns prêmios internacionais, como Londres e Nova Iorque, muita gente tem os galos do Festival de Gramado cacarejando em meio às arvorezinhas da Abril e um sem-número de outras estatuetas e diplomas de menor importância. O que vejo, no entanto, é que a maioria está com poeira da década passada.

 

AAqui – Você já esteve em Cannes acompanhando o Festival?

 

L.T. – Infelizmente nunca tive motivos para visitar o Palais.

 

 

AAqui – Algum trabalho que teve sua participação já concorreu em Cannes?

 

L.T. – Ainda não.

 

 

AAqui – Por quais motivos você não inscreve trabalhos em Cannes?

 

L.T. – Cannes é uma brincadeira de gigantes. E de quem sonha se tornar gigante. Todos já ouvimos falar da “temporada de Cannes”, em que agência e produtoras de grande porte dedicam 90% dos seus esforços para viabilizar as ideias e campanhas que nós só vamos conhecer depois do festival, se forem premiadas. Todos já ouvimos também sobre os investimentos nababescos em inscrições que as maiores agências do planeta aplicam no festival, certo? Infelizmente, nossa realidade é um pouco diferente. A maioria das agências catarinenses não tem volume de produção suficiente com produtora alguma, com fotógrafo algum ou com qualquer estúdio de pós-produção para viabilizar – na parceria – ideias premiáveis nível Cannes. Nossos orçamentos estão sempre espremidos ao máximo, tanto para fornecedores quanto com a própria equipe. Apesar de ser possível – haja vista o elevador da BZZ ter sido shortlist no festival – é bastante improvável ganhar Cannes usando imagens do Shutterstock ou texturas royalty-free e layoutar a peça campeã entre um email-mkt e outro… Estamos em outra liga. Nosso negócio é diferente do negócio dos gigantes. O que percebo nas conversas por aí é que todos os esforços das agências catarinenses estão voltados para a sobrevivência do próprio mercado publicitário catarinense. Usando aqui a pirâmide de Maslow, a autorrealização e o reconhecimento ficaram em segundo plano.

 

AAqui – Qual trabalho brasileiro pode surpreender em Cannes neste ano?

 

L.T. – Certamente a elite da propaganda brasileira vai nos orgulhar mais uma vez. Assim como acontece entre os jogadores de ligas menores, ficaremos aqui na torcida. Volta e meia surgirá dentre nós um Romário ou um Neymar, que nos representará e nos fará sentir que é possível. Continuaremos tentando, mas não podemos esquecer nunca da nossa condição desfavorecida em relação àqueles que tem estádios e CTs, patrocínio e contratos milionários. E o trabalho que vai nos surpreender certamente veiculou em uma pequena revista de Pindamonhangaba, que ninguém ainda teve o prazer de apreciar.

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