Série “Cannes sob o ponto de vista dos criativos catarinenses”, com Stalimir Vieira – CMC
02 de Junho de 2014

Série “Cannes sob o ponto de vista dos criativos catarinenses”, com Stalimir Vieira – CMC

StalimirVieira - CMC

AcontecendoAqui – Qual o conceito que você tem sobre o Festival de Cannes e sua importância na carreira de um criativo?

Stalimir Vieira – Acredito que Cannes já foi mais significativo para carreira de um criativo. Hoje é um evento que atende sobremaneira a propósitos corporativos. A fase romântica passou, aquela em que o indivíduo criativo era o que importava para o mercado. Hoje o que conta é a quantidade de leões que uma agência precisa levantar, usando uma equipe específica para esse fim e métodos calculados. Antes, até o fantasma era romântico, agora se profissionalizou e ganhou carne e osso. Fora isso, a criatividade usada para escrever um roteiro surpreendente ou um anúncio brilhante é apenas um detalhe na avalanche de possibilidades de ganhar leões que as estratégias para diversas mídias alternativas possibilita. Quero dizer, Cannes virou um negócio mais técnico que intuitivo.

 

AAqui – Poucas agências catarinenses já concorreram na premiação. Na sua opinião, por que essa pequena participação?

S . V. – Acredito que por não a acreditarem ter produzido um material suficientemente competitivo para justificar o investimento na inscrição. E aí não se forma uma cultura focada em Cannes, nem há estímulo para isso.

 

AAqui – Você já esteve em Cannes acompanhando o Festival?

S . V. – Sim.

 

AAqui – Algum trabalho que teve sua participação já concorreu em Cannes?

S . V. – Sim, tive comerciais finalistas mas nunca cheguei a ganhar um leão.

 

AAqui – Por quais motivos você não inscreve trabalhos em Cannes?

S . V. – Porque estamos concentrados em perfis de anunciantes muito especializados em áreas com pouca margem para se exercer uma liberdade criativa suficiente para ser competitiva no festival. De todo modo, estamos sempre tentando quebrar essa barreira. Alguns prêmios regionais e nacionais vão ajudando a nos balizarmos nessa busca de excelência criativa para Cannes.

 

AAqui – Qual trabalho brasileiro pode surpreender em Cannes neste ano?

S . V. – Acredito que o Brasil é sempre muito competitivo. Principalmente porque temos, pelo menos, três agências fortes que têm feito de Cannes muito de seu marketing.

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