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Quem disse que não é possível fazer diferente?
10 de Março de 2014

Quem disse que não é possível fazer diferente?

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 10 de Março de 2014 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

Que a educação brasileira vive momentos difíceis é de conhecimento de todos. Que o grande gargalo ao desenvolvimento do país é a desqualificação das pessoas para trabalhos mais complexos é fato concreto. Que o número de analfabetos funcionais está crescendo é notório. Que a tendência é piorar e não melhorar é visível às pessoas que acompanham, como eu, a educação de perto. Que repetir mais do mesmo não resolverá nenhum dos nossos problemas na área educacional, me parece verdade irrefutável.

Mas, quando tudo parece imutável, somos surpreendidos por uma experiência – por que não dizer de realidade? – que está sendo conduzida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP ) em suas unidades integradas do SESI E SENAI. Em visita à FIEP para debatermos sobre assuntos profissionais, fomos convidados a visitar a unidade situada no bairro do Boqueirão, em Curitiba. Durante a visita a surpresa. E que surpresa!

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No Colégio SESI, voltado ao Ensino Médio, os estudantes são orientados e preparados para a vida e não para passar em exames vestibulares que os qualificariam para a entrada no Ensino Superior. A disposição física das salas de aula é diferente das salas de aulas que conhecemos. Os estudantes ocupam mesas redondas, em grupos de cinco, e trabalham sempre em equipes – suas notas são distribuídas de acordo com sua participação na equipe e seu esforço individual. Outro fator positivo: 60% das notas são atribuídas pelo trabalho em equipe e 40% pelo esforço individual. Percebam a diferença! Se quisermos criar disposição para o trabalho em equipe teremos que predispor as pessoas a isto, pois quando forem profissionais já estarão com estes conceitos de trabalho cristalizados. Pergunta aos meus amigos professores: por que a disposição das salas de aula tem que ser sempre a mesma?

Porém, a surpresa foi ainda maior. Os mesmos estudantes que estão fazendo o Ensino Médio, no Colégio SESI, podem fazer o Ensino Técnico em turno diferente, no SENAI. Sim, em um dos períodos Ensino Médio, em outro ensino profissionalizante. E, ao final dos cursos um profissional formado, muito jovem e com uma carreira delineada. A opção por fazer a dupla jornada é do estudante e ela tem sido muito bem recebida pelos interessados. Hoje 14 mil estudantes fazem seu curso no Colégio SESI em todo Estado do Paraná.

Na área da educação automotiva, que prepara profissionais para as montadoras, fomos informados que os carros que lá eram utilizados nos trabalhos de ensinamentos para os estudantes eram doados, pelas empresas automobilísticas, mesmo antes de serem lançados ao mercado consumidor. É a interação entre escola e indústria funcionando de maneira objetiva e clara. E, todos ganhando! Durante toda minha vida profissional, 47 anos de atividade, sempre ouvi falar e aprendi que a negociação que vale é a ganha-ganha-ganha: ganham as partes que negociam e ganha a comunidade. Aí está um exemplo concreto. Ganham o SESI e SENAI, ganha o estudante e ganha a comunidade.

O modelo implantado pelo SESI foi trazido de Portugal pela Educadora Márcia Rigon, criadora das Oficinas de Aprendizagem, metodologia inovadora da rede SESI. O sucesso, pudemos perceber e sentir na prática. O entusiasmo dos envolvidos era evidente. Portanto, aqueles que dizem que é impossível realizar mudanças e fazer diferente que saiam da frente daqueles que estão fazendo e implantando mudanças para que possamos viver em um país mais qualificado para enfrentar as dificuldades e oportunidades do Século XXI. Quem quer faz; quem não quer, busca desculpas.

Por que, no Brasil, temos tantas dificuldades em absorver mudanças que nos induzem a fazer melhor e com mais qualidade? Por que o conservadorismo é tão presente? Por que preferimos o bacharelado ao estudo técnico? Por que preferimos o assistencialismo ao tornar as pessoas independentes? Por que formamos tão poucos profissionais nas áreas técnicas? A resposta é sua. Boa leitura!

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