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Corpo a corpo na UFSC
28 de Novembro de 2011

Corpo a corpo na UFSC

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Dia 17 deste mês de novembro foram realizadas as eleições para a reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Desde logo é bom avisar que o título não se refere a embates corporais, mas ao uso desse recurso de comunicação.

Vamos primeiro ao cenário: a UFSC é uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas, entre estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos, dos quais mais de 37 mil estão aptos a votar, o que equivale a uma prefeitura de porte médio. Divulgado o resultado das urnas eletrônicas cedidas pelo TRE e que colheram votos durante um dia inteiro nos 4 campi, contaram-se 11,6 mil votos, ou seja, 30% apenas, com 70% de abstenções.

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Isso nos leva à primeira observação: um evidente desinteresse da comunidade, o que de um lado reduz a legitimidade do pleito e de outro mostra que a tão decantada capacidade de mobilização dos estudantes já não existe, graças a uma possível apatia ante os desmandos; ou que eles não foram devidamente avisados e convocados para aquele ato fundamental para sua universidade. Por outro lado, a abstenção de professores e servidores pode ser um indicio de que eles não se percebem participes na gestão, o que também é negativo para a instituição.

Eram 5 chapas na disputa, uma da situação e 4 de oposição. A de situação fez campanha massiva, altamente contrastante com as outras, muito modestas. Ao final obteve 42,5% o que leva a eleição para segundo turno, que vai ocorrer no próximo dia 30.

A chapa segundo colocada foi da professora Roselane Neckel, tendo Lucia Helena Pacheco como vice. Foi para muitos uma surpresa, pois ela tinha pela frente duas chapas muito consistentes, com candidatos sérios e reputados, com discurso bastante similar ao seu. Mas ela somou 24,3% dos votos válidos, o que lhe valeu o direito de disputar o segundo turno.

Aí é que entra o “corpo a corpo”.

Fizemos duas perguntas à professora Roselane. A primeira, a que ela atribuía o resultado obviamente vitorioso da sua campanha – depois de modestamente dividir o mérito com sua equipe (que, aliás, mostrou militância aguerrida), ela disse que “simplesmente ouviu muito, falou com o maior número de pessoas possível, tratou de demonstrar que ela está dedicada à história e ao interesse da Universidade”. A segunda pergunta ressaltava a coincidência de discurso das chapas de oposição e como ela via o segundo turno. A resposta foi tão simples quanto a primeira: ouvir e falar com as pessoas, tratar de convence-las a apoiar uma proposta de recuperação ética da instituição.

Neste momento de exacerbação do valor das mídias digitais, da importância das redes sociais na internet, a professora exaltou a necessidade básica de ouvir e falar, numa interação pessoal, olho no olho.

Que beleza, professora Roselane. Longe de nós sequer tentar minimizar a importância das técnicas digitais, da web, da nuvem, do twitter e do facebook, das tribos, da comunicação instantânea e do alcance universal. Não seriamos tolos nem inconsequentes para sustentar isso. Mas é um conforto saber que ainda somos e agimos como humildes membros da massa global que interage com um olhar, com um tom de voz, com um sorriso e com o sempre contagiante entusiasmo diante de uma ideia e uma causa.

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