Com a autoridade que adquiri lecionando por 15 anos em turmas de estudantes universitários, atrevo-me a caminhar por este áspero caminho. Depois de mais de cinquenta anos trabalhando nas mais diversas atividades exerci a atividade para a qual me formei. Ser professor!
É óbvio que você já percebeu que o Brasil está mergulhado em uma guerra ideológica. Logo, tomo a liberdade de sugerir, aos meus amigos professores, que tomem alguns cuidados para evitar eventuais problemas futuros.
Eu vejo o professor como um Contador de Estórias ou um Designer de Conteúdo, alguém que faz da oportunidade surgida uma aula, que usa o improviso e a criatividade para tornar a aula, mesmo em temas enfadonhos, interessante e atrativa, que sai da aula programada e aborda um assunto totalmente inesperado a partir do desafio de um estudante. Para isto há necessidade de uma ampla cultura e de muita experiência.
Aí reside o perigo! Nos tempos que vivemos as brincadeiras se tornaram perigosas, às vezes uma palavra mal interpretada pode expor o professor a um risco sequer imaginado, até perguntar para um aluno pode ser alegação de bullying contra o professor.
Professor pisando em ovos não é um bom caminho para a educação. Ensinar para quem não quer aprender está se tornando um risco que poucos estão dispostos a correr. Portanto, meus caros amigos que exercem a nobre vocação de ensinar, cuidem-se!
O pior é saber que as limitações impostas só prejudicarão os alunos que querem aprender!
Pesquisas recentes feitas com estudante do Ensino Médio mostram que apenas uma minoria pretende seguir a carreira de professor. Por quê? Exige muito em termos de formação e experiência e remunera mal. Além e, este pode ser o maior problema, de lidar com estudantes mal-educados e que têm pais omissos em relação aos seus papeis como responsáveis primeiros em relação a educação de seus filhos. Isto em relação ao Ensino Fundamental.
Em relação a Ensino Superior o que se observa são acadêmicos interessados no diploma, não em acumular e desenvolver conhecimentos. E alguns, em cursos totalmente desorientados em relação ao tempo em que vivemos. Isto é um desperdício de tempo e vida.
Importante salientar que em países como a Coreia do Sul os professores são estrelas nacionais e os cursos que os formam são os mais procurados. São profissionais muito bem remunerados e reconhecidos pela sociedade. Diferentemente do que ocorre no Brasil onde é frequente a agressão e o descaso com estes profissionais.
Em breve, apesar de Pedagogia ser junto com o Direito, os cursos com maior número de universitários, teremos um apagão de professores qualificados. A razão ou razões? Má formação em cursos precários, falta de vivência profissional, estudantes com péssima formação básica, entre outras causas.
Para se ter uma ideia do descaso governamental com a Educação, já foram gastos 12 bilhões de reais com o Programa Pé-de-Meia e o governo, ainda, não sabe quais foram os estudantes que desistiram em 2024/25. Motivo: o calendário operacional do programa ainda não foi concluído.
Assim segue a vida na Educação de Pindorama!
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