À medida que a indústria criativa global se prepara para o Cannes Lions 2026, a categoria Design Lions promete colocar a excelência técnica no centro das discussões.
Para Lulu Raghavan, presidente da Landor para a região Ásia-Pacífico e integrante do júri deste ano, o sucesso de um projeto de design vai muito além da força de sua ideia criativa.
“A ideia é importante e os resultados também são fundamentais, mas grande parte de um grande trabalho de design está na execução e na técnica”, afirmou a executiva ao refletir sobre as centenas de inscrições que analisou durante o processo de julgamento, em entrevista ao Impact.
Segundo Raghavan, entre os mais de 280 projetos avaliados, a qualidade da execução surgiu como um dos principais fatores de diferenciação.
A jurada também identificou uma valorização crescente de trabalhos que exigem elevado grau de dedicação, detalhamento e elaboração artesanal, especialmente entre os projetos oriundos da região da Ásia-Pacífico.
Inspiradas por tradições ligadas ao artesanato, à produção têxtil e a outras expressões artísticas locais, diversas campanhas se destacaram pelo nível de cuidado empregado em sua construção.
Embora evite classificar o movimento como uma tendência consolidada, Raghavan afirma ter observado esse padrão em diferentes inscrições e demonstra entusiasmo com a possibilidade de ver esse tipo de trabalho entre os vencedores da edição.
“Não diria que se trata de uma tendência, mas notei isso em vários projetos e estou muito animada com a perspectiva de que esses sejam os trabalhos premiados”, concluiu.
Cultura e impacto social impulsionam a evolução do design indiano, diz jurada de Cannes Lions
Na visão de Lulu Raghavan, presidente da Landor para a região Ásia-Pacífico e integrante do júri de Design Lions 2026, a crescente relevância do design indiano está diretamente ligada à riqueza cultural do país e à sua capacidade de enfrentar desafios sociais complexos por meio da criatividade.
Segundo a executiva, as marcas indianas estão cada vez mais construindo uma linguagem visual própria, reduzindo a dependência de referências estéticas ocidentais e desenvolvendo identidades mais conectadas às suas origens culturais e ao contexto local.
Apesar dos avanços, Raghavan acredita que ainda há espaço para amadurecimento em determinadas áreas. Embora reconheça a capacidade dos designers indianos de criar identidades marcantes e experiências de marca memoráveis, ela avalia que o mercado ainda está em processo de evolução em aspectos como pensamento sistêmico de marca, pesquisa de mercado e rigor estratégico.
Entre as categorias do Cannes Lions deste ano, uma das que mais desperta o interesse da jurada é Design para Mudança Comportamental. Para ela, o design tem um papel cada vez mais relevante na influência de decisões e hábitos, especialmente em temas relacionados à saúde, ao bem-estar e à sustentabilidade.
Raghavan também celebrou o aumento da representatividade de profissionais da Índia e da região Ásia-Pacífico nos júris de Cannes.
Ao mesmo tempo, destacou a importância de preservar a imparcialidade durante as avaliações. Segundo ela, a diversidade dos júris contribui para que trabalhos carregados de nuances culturais sejam compreendidos em sua totalidade e julgados de forma mais justa.
Às vésperas das deliberações finais, a executiva afirma estar dividida entre a empolgação e a expectativa. O principal desafio, diz ela, será identificar projetos que não apenas representem a excelência do design contemporâneo, mas que também apontem os caminhos que a disciplina seguirá nos próximos anos.
O Cannes Lions 2026 acontecerá entre os dias 22 e 26 de junho. Para saber tudo sobre o evento, é só ficar ligado no Acontecendo Aqui!
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