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ARTIGO | “Só um terço do trabalho será humano em 2030”, diz o presidente do Google Brasil, e agora?
08 de Junho de 2026

ARTIGO | “Só um terço do trabalho será humano em 2030”, diz o presidente do Google Brasil, e agora?

Declaração do presidente do Google Brasil reacende o debate sobre o impacto da IA nas empresas

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Por Robson Cristovão*

A frase correu rápido. Durante um evento de tecnologia realizado nesta semana, Fábio Coelho, presidente do GoogleBrasil, afirmou que “ um terço das tarefas de trabalho serãohumanas em 2030“. O impacto foi imediato e compreensível. Mas antes de entrar em pânico ou celebrar, vale ler a frase com mais cuidado.

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Coelho não disse que dois terços dos trabalhadores vãodesaparecer. Ele falou em tarefas. E ele mesmo complementou: o avanço da IA “não elimina a necessidade de competências humanas”, pelo contrário, “habilidades como pensamento criativo, liderança, resiliência e aprendizado contínuo aparecem ao lado de competências técnicas ligadas à tecnologia.” A manchete assusta. O contexto, não tanto.

A virada que ninguém está discutindo

Se a IA vai absorver boa parte das tarefas operacionais erepetitivas, o que sobra para os humanos não é menos trabalho, é trabalho mais complexo, mais estratégico, mais difícil de delegar. O terço que permanece humano exige mais, nãomenos, capacidade de decisão.

Para Coelho, “os agentes são o próximo capítulo da IA”, e ele os descreve como “IA com currículo”. Num primeiro momento, a tecnologia complementa as pessoas, dando “superpoderes” para que façam seu trabalho melhor. Mas isso pressupõe que as pessoas saibam o que fazer com esses superpoderes. É aí que mora o problema real das empresas: não a automação em si, mas a falta de preparo para dirigir o que a automaçãooconsegue substituir.

O papel da TI nessa equação

Quando Coelho fala em “mudança estrutural na economia digital”, ele está descrevendo exatamente o cenário que empresas de tecnologia já vivem na prática, e que organizações de todos os setores ainda estão tentando entender.

A transiçãoo é sobre substituir pessoas por sistemas. É sobre construir a infraestrutura certa para que as pessoas certas tomem as decisões certas. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser alavanca estratégica, e quem entender isso primeiro sai na frente.

“A tecnologia evolui. Não adianta a gente se esconder atrás dela”, disse Coelho. Fato. Mas também não adianta correr atrás dela sem saber para onde está indo. 2030 está mais perto doque parece. E a pergunta que cada empresa deveria estar respondendo agorao é “meu emprego vai existir?”, mas “minha operação está preparada para usar bem o que a tecnologia vai liberar?” O futuro do trabalhoo é menos humano. É mais exigente com o que há de humano em cada decisão.

*Robson Cristovão é diretor comercial da Mouts TI

Foto: Divulgação

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