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Pesquisa mostra avanço da IA no marketing brasileiro, mas estrutura ainda limita empresas
27 de Maio de 2026

Pesquisa mostra avanço da IA no marketing brasileiro, mas estrutura ainda limita empresas

Relatório destaca desafios estruturais e mudanças no perfil dos profissionais da área

O marketing das grandes corporações brasileiras vive uma contradição reveladora: 73% reconhecem a IA como força central, no entanto, 60% das lideranças apontam a integração dessa tecnologia como um de seus maiores desafios no dia a dia.

A tecnologia chegou. A infraestrutura, ainda não. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Makers, maior rede de CMOs do Brasil, em parceria com a Adobe, conduzida entre março e abril de 2026 com 115 líderes de empresas de peso no país, a maior parte com faturamento acima de R$ 500 milhões.

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O relatório realiza um panorama inédito sobre as tendências e movimentos do setor de marketing, um ecossistema cada vez mais pressionado a dar respostas ágeis e onde a tecnologia desponta como fator determinante para definir estratégias, expandir metodologias e alcançar resultados. De acordo com o levantamento, a área vive uma transformação de natureza estrutural, na qual os líderes de sucesso são aqueles que desenvolvem uma capacidade contínua de adaptação organizacional e individual em um cenário de constante transformação.

IA redefine funções e eleva a exigência sobre as decisões autorais

A inteligência artificial não vai substituir equipes criativas ou profissionais com repertório, ela potencializa a atividade autoral de quem já pensa com profundidade. Para 74% das lideranças das organizações mais relevantes do mercado, a IA reforça o valor das funções existentes e eleva a exigência sobre o pensamento crítico, a curadoria e a tomada de decisão dos colaboradores.

O debate mais sofisticado, portanto, não é sobre substituição. É sobre reconfiguração do trabalho e sobre quais organizações construirão, a tempo, a infraestrutura técnica e cultural que permita à tecnologia gerar valor real.

Estratégia supera tecnologia

Um dos principais dados da pesquisa diz respeito à lacuna de competências vivida pelo setor. Ao contrário do que se poderia imaginar, o maior gap do marketing brasileiro está no pensamento estratégico (67%), à frente de habilidades técnicas como Data & Analytics (49%) e tecnologia & IA (47%). Em outras palavras, o mercado demanda cada vez mais profissionais capazes de transitar entre diferentes disciplinas, construir roadmaps com autonomia e agregar valor à jornada corporativa, mais do que especialistas técnicos limitados a uma única metodologia ou abordagem.

“O maior desafio enfrentado pelas organizações não é talento humano ou capacitação específica”, afirmou Fernando Teixeira, Diretor de Produtos e Estratégia de IA para a América Latina da Adobe. “O grande diferencial estará em construir uma estrutura que concilie os avanços tecnológicos com a cultura corporativa, e esse é exatamente o caminho que as empresas mais relevantes já começaram a trilhar. Os 66% que ainda buscam repertório, estrutura e velocidade para acompanhar o mercado representam uma oportunidade enorme de transformação”, completou.

“Essa assimetria entre expectativa e execução também aparece na experiência do cliente”, disse Thiego Goularte, fundador e CEO da Makers. “Para 67%, a experiência do cliente é determinante para se diferenciar no mercado, mas apenas 22% das organizações aplicam IA onde ela realmente acontece. O tema ainda é tratado como prioridade conceitual, não como uma capability estruturada. A diferença competitiva estará em quem conseguir transformá-la em sistema”, completou.

IA generativa, creators e IA agêntica

Quando perguntados sobre as forças que estão redesenhando o setor, os líderes não apontaram uma tendência dominante, mas um ecossistema em ebulição simultânea. A IA generativa lidera as citações com 73%, seguida de personalização em escala (53%), automação (40%) e conteúdo criativo (37%). O dado mais revelador, no entanto, está no que esses números carregam juntos: o mercado já compreendeu que IA sem direção criativa é apenas automação barata. Entre os que já utilizam a tecnologia na criação de conteúdo, 81% apontam análise de dados como principal alavanca de valor, e a personalização e a automação surgem como desdobramentos diretos dessa capacidade de interpretar dados com precisão.

Em paralelo, influenciadores e creators deixam de ser canais de distribuição para assumir um papel mais estrutural: o de infraestrutura de confiança. À medida que o conteúdo gerado por IA se expande em escala e volume, observa-se um efeito colateral inevitável: a homogeneização da comunicação. Nesse cenário, a voz humana, específica, contextual e construída ao longo do tempo, torna-se um ativo escasso e, como toda escassez relevante, passa a carregar valor crescente.

No horizonte, o relatório aponta ainda para um movimento ainda incipiente, mas com potencial transformacional: a IA agêntica. Diferentemente dos modelos atuais, focados em recomendação e suporte à decisão, esses sistemas evoluem para um novo patamar, atuando de forma autônoma em nome do consumidor, sendo capazes de tomar decisões, executar transações e negociar condições. Essa transição desloca o papel do marketing: não se trata mais apenas de influenciar escolhas humanas, mas de integrar-se a ecossistemas onde decisões passam a ser mediadas por agentes inteligentes.

A tecnologia muda o jogo

Em sua conclusão, o relatório estabelece que o marketing deste ano exige que empresas personalizem em escala sem perder a autenticidade, utilizem a IA sem serem genéricas, executem processos com velocidade sem abrir mão da coerência estratégica e, principalmente, estabeleçam critérios claros para medir o que realmente importa, sem cair na armadilha de otimizar o que não gera valor. Nesse contexto, o perfil dos tomadores de decisão bem-sucedidos e consequentemente de suas organizações, será o de quem lidera equipes prontas a aprender mais rápido do que o mercado muda.

“Embora 84% das lideranças não se digam prontas para o futuro, 78% são otimistas em relação ao desenvolvimento de projetos e iniciativas para a área”, afirmou Teixeira. “Isso diz muito sobre a nossa cultura e sobre a nossa capacidade de motivar equipes, de ir mais longe e de fazer a diferença com aquilo que temos. Não se trata de ser o primeiro a descobrir a próxima tendência ou ferramenta revolucionária, mas sim de atuar como um jardineiro nesses ambientes e cultivar sistemas, pessoas e culturas capazes de absorver cada nova mudança e transformá-la em resultado consistente”, completou.

“A liderança do futuro não será definida pela busca por previsibilidade, mas pela capacidade de construir resiliência organizacional e inovação tecnológica em um cenário de transformação permanente”, concluiu o fundador e CEO da Makers.

Foto: Divulgação/Makers

 

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