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ARTIGO | O que aprendi sobre a relação de grandes líderes com o palco ao apresentar a Gramado Summit 2026
12 de Maio de 2026

ARTIGO | O que aprendi sobre a relação de grandes líderes com o palco ao apresentar a Gramado Summit 2026

No palco, ninguém vira super-herói, mas humano

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Por Giovana Pedroso*

Respiração ofegante, medo de esquecer o que ensaiou ou receio de que o público não se engaje no seu quebra-gelo. Apresentei o palco da Gramado Summit por três dias, com oito mil pessoas na plenária. E isso explica muito sobre os comportamentos que descrevi nas primeiras linhas: o palco assusta humanos, inclusive os que “já chegaram lá”.

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Naquele dia ouvi confissões que quebram o mito do líder imune ao nervosismo. Uma líder global me disse que estava tensa porque nunca tinha falado para tanta gente. Um CEO e escritor admitiu: sem “espiar” o próximo slide na tela de retorno, poderia se perder na fala. Um comunicador me contou que estrearia uma palestra naquele dia, e estava com medo.

O palco representa uma lista de incertezas que na nossa cabeça se tornam ameaças. As mais comuns são simples: ser rejeitada, errar, travar. E existe a pior: o efeito bola de neve — você fica nervosa, o público percebe, e você fica mais nervosa.

Não é à toa que falar em público aparece como um dos grandes medos da humanidade. Matt Abrahams, professor da Universidade de Stanford, diz que 85% das pessoas relatam sentir-se nervosas e os outros 15% podem estar mentindo.

E aqui está o que a experiência de palco da semana passada reafirmou. Na hora de encarar a multidão, saldo bancário, diplomas ou quantidade de seguidores não ajudam. Não existem super-heróis na vida real. Tudo o que é novo, importante e urgente dá medo. Ponto.

O que ajuda é fazer do bastidor um lugar mais humano. Olhar nos olhos, perguntar como a pessoa está se sentindo, normalizar o medo e lembrá-la de tudo o que ela já construiu. E ficar por perto para o que for preciso.

Parece absurdamente simples? E é. Cresci na terra da fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, que dizia algo profundamente sábio: nunca se deve complicar aquilo que pode ser feito de maneira simples.

Ser protagonista em um palco pode ser complexo. O bastidor não precisa ser.

A Gramado Summit deu aula de humanidade atrás das cortinas. E é disso que precisamos: de mais protagonistas antes do palco, tornando o holofote mais leve. Nos eventos e na vida.

Foto: Divulgação

*Giovana Pedroso é TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação

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