A Omnicom direcionou o foco dos investidores para suas chamadas “operações centrais” no 1º trimestre de 2026, enquanto avança em um amplo processo de reorganização após a aquisição da IPG. A estratégia envolve a venda de empresas que, juntas, representam cerca de US$ 3,2 bilhões em receita anual e devem ser negociadas ao longo dos próximos 12 meses.
As operações consideradas prioritárias pela companhia registraram receita de US$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 6,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, esse resultado contempla apenas os negócios que permanecerão no portfólio após o processo de desinvestimento.
As despesas operacionais também chegaram a US$ 5,6 bilhões no período, um aumento de US$ 2,4 bilhões na comparação anual, impulsionado principalmente pelos custos relacionados à aquisição da IPG.
Segundo a companhia, receitas provenientes de ativos colocados à venda e de desinvestimentos ligados à aquisição da IPG somaram US$ 627 milhões, enquanto os custos associados ficaram em US$ 34,3 milhões. A margem EBITA da Omnicom fechou o trimestre em 14,8%, acima dos 12,4% registrados no quarto trimestre de 2025.
Outro destaque foi o desempenho da área de mídia integrada, responsável por 51,5% da receita da companhia no período, o equivalente a US$ 2,9 bilhões. A empresa também prevê gerar US$ 900 milhões em sinergias e redução de custos em 2026, com meta de atingir US$ 1,5 bilhão até meados de 2028.
De acordo com o CEO John Wren, a definição dos negócios que permaneceriam na estrutura da companhia ocorreu após uma análise sobre potencial de crescimento, margem de contribuição e demanda dos clientes. As demais operações passaram a ser consideradas não estratégicas.
Como resultado, aproximadamente US$ 1 bilhão em ativos já foi vendido no primeiro trimestre deste ano, enquanto o restante deve ser negociado até 2027.
Além dos desinvestimentos, a Omnicom também promoveu a fusão ou encerramento de mais de 20 grandes marcas de agências, além de diversas operações menores, desde a conclusão da compra da IPG.
O CFO Phil Angelastro afirmou que a meta da empresa é concentrar mais da metade da receita em áreas de crescimento acelerado ligadas à mídia integrada, incluindo mídia, comércio, dados, CRM, consultoria e automação de conteúdo.
A companhia também reforçou o interesse em reduzir intermediários na cadeia de mídia digital e estreitar relações com publishers.
“A busca agora, e acredito que todos os grandes grupos estejam trabalhando nisso, é estabelecer relações mais diretas com os publishers. Esse é um objetivo, e é algo em que estamos investindo neste momento”, afirmou John Wren. “Atualmente existem intermediários. Eles ficam entre nós e os publishers e cobram um pedágio. Esse custo é pago pelos clientes e pela própria indústria. Isso é algo em que estamos claramente trabalhando”, completou.

Foto: Magnific
Fonte: AdWeek
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