O live commerce, formato de vendas realizado por transmissões ao vivo, passou a ganhar destaque nas estratégias comerciais em 2026.
No Brasil, a modalidade amplia sua presença não apenas nas vendas ao consumidor final (B2C), mas também começa a transformar a forma como fabricantes e distribuidores negociam diretamente com lojistas e canais de revenda no modelo B2B.
De acordo com a consultoria Grand View Research, o mercado brasileiro de live commerce, considerando aplicações voltadas ao consumidor e outros formatos, pode movimentar R$ 156,5 bilhões até 2033, com crescimento médio anual superior a 30%.
Dados do índice Business-to-Business Online, elaborado pela E-Consulting, mostram que o comércio eletrônico entre empresas já responde por mais de R$ 2,4 trilhões em transações. Ainda assim, apenas 2,5% desse volume ocorre em canais digitais, o que revela um amplo espaço para expansão. No cenário internacional, a International Trade Administration projeta que o e-commerce B2B alcance US$ 36 trilhões até 2026.
“Esse é um espaço relevante que começa a ser disputado por novas tecnologias”, diz Daniel Arcoverde, cofundador da Netshow.me, especialista em live commerce, especialmente voltadas ao universo de vendas B2B.
Segundo o executivo, o modelo combina conteúdo transmitido ao vivo com recursos de interação em tempo real. Nesse ambiente, fornecedores podem apresentar produtos de forma detalhada, esclarecer dúvidas técnicas instantaneamente, oferecer condições comerciais exclusivas e registrar pedidos diretamente durante a transmissão.
“O objetivo é transformar a transmissão em um verdadeiro ponto de venda digital entre empresas, onde a indústria consegue lançar produtos, negociar volumes e fechar pedidos em tempo real, enquanto o lojista ganha informação técnica e agilidade na decisão de compra”, afirma Daniel Arcoverde.
A Netshow.me tem se destacado ao desenvolver uma infraestrutura tecnológica capaz de sustentar transmissões em grande escala, integrando ofertas de produtos e sistemas de gestão de pedidos em tempo real. A solução permite registrar dados dos lojistas participantes, realizar compras vinculadas a múltiplos CNPJs e aplicar políticas de preços diferenciadas por estado — tudo dentro da própria experiência da live.
“A plataforma permite que marcas fechem milhões de reais em vendas em poucos minutos, com retorno sobre investimento superior a 2.000% por transmissão”, afirma Arcoverde.
Em um dos eventos B2B realizados com a tecnologia, o volume de pedidos ultrapassou R$ 25 milhões e reuniu mais de 4 mil pontos de venda em uma única transmissão, segundo dados divulgados pela empresa.
“Estamos falando de eficiência operacional, otimização de custos de visitação e resultados expressivos em uma experiência ao vivo de 1 a 2 horas”, afirma Rafael Belmonte, cofundador da Netshow.me.
Empresas que passaram a adotar o live commerce B2B relatam não apenas aceleração na geração de pedidos, mas também maior engajamento com a base de lojistas, fator considerado especialmente relevante em categorias técnicas como cosméticos, medicamentos, construção e autopeças.
Na prática, o modelo tem reduzido a dependência de deslocamentos físicos das equipes comerciais, ampliado o alcance geográfico das campanhas, criado canais diretos para esclarecimento de dúvidas durante as transmissões e permitido ajustes rápidos nas ofertas a partir de métricas captadas em tempo real.
Mercado
No Brasil, o live commerce corporativo avança rapidamente. O Mercado Livre, por exemplo, lançou uma unidade dedicada ao mercado empresarial e informou ter mais de 4 milhões de usuários habilitados para compras entre empresas, enquanto Amazon e Shopee ampliam funcionalidades B2B.
“A competitividade estimula indústrias a repensarem seus canais de sell-in tradicionais, que historicamente dependiam de representantes em campo, catálogos impressos e negociações concentradas em eventos sazonais, em favor de interações online dinâmicas e escaláveis”, destaca Belmonte.

Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte, fundadores da Netshow.me (Foto: DIvulgação)
O executivo aponta que as transmissões ao vivo trazem benefícios concretos para quem está disposto a apostar no modelo:
- Maior eficiência comercial: além de reduzir os custos de visitação, é uma forma escalável de humanizar a marca se aproximando de lojistas que não são visitados;
- Treinamento em tempo real: as indústrias aproveitam a participação dos varejistas para treinar e educar sobre seus produtos, aumentando o impacto das vendas na ponta;
- Dados e inteligência de mercado: métricas em tempo real permitem decisões rápidas e otimização de ofertas e estoques.
“Quando o lojista pode ver, perguntar e clicar para comprar na mesma interface, isso muda a lógica do relacionamento comercial”, destaca Rafael.
Para o executivo, o Brasil tem hoje um mercado interno robusto, uma base de lojistas ampla e distribuída geograficamente e um ambiente tecnológico que já absorveu com sucesso soluções de e-commerce e marketplaces. “Com isso, o live commerce B2B surge como a próxima fronteira para criar um mercado bilionário, reconfigurando a forma como indústrias estabelecem parcerias comerciais, conduzem negociações e geram receita”.
“A pergunta agora não é mais se o live commerce vai dominar o B2B no Brasil, mas quando e com que velocidade ele vai redefinir as regras do jogo”, diz Rafael Belmonte.
“Quando esse modelo ganha escala, ele não impacta apenas empresas individuais. Ele altera cadeias de suprimento, encurta ciclos de capital de giro e aumenta a produtividade comercial da indústria brasileira como um todo”, finaliza.

Foto: Freepik (Divulgação)
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