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Por que o preço do chocolate não deve cair tão cedo
16 de Setembro de 2025

Por que o preço do chocolate não deve cair tão cedo

Clima, mercado e indústria

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O aumento no custo das matérias-primas elevou os preços dos chocolates e reduziu o consumo. Ainda assim, manter os valores em patamares elevados é fundamental para proteger a resiliência da cadeia de suprimentos, defende Douglas Lamont, CEO da Tony’s Chocolonely.

Entenda o contexto

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Nos últimos dois anos, o preço do cacau dobrou. Colheitas em Gana e na Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial, foram afetadas por condições climáticas adversas e doenças, resultando em quedas de 25% a 30% na safra 2023-24.

Além disso, muitos pequenos produtores, que não recebem uma renda digna mesmo com a alta dos preços, vendem suas terras para mineradores ilegais de ouro. Esse processo tem devastado plantações, contaminado solo e água e levado a uma queda de um terço nas exportações de cacau entre 2021 e 2024, enquanto as de ouro dobraram.

A União Europeia já alertou que pode rejeitar importações de Gana por risco de contaminação com metais pesados, como o mercúrio. Embora existam certificações independentes para produção ética de cacau, como Rainforest Alliance e Fairtrade Foundation, grandes empresas preferiram criar seus próprios programas, como o Cocoa Life (Mondelez) e o Nestlé Cocoa Plan, o que gera dúvidas sobre sua real efetividade.

O que está em jogo

Analistas preveem que os preços do cacau recuem nos próximos anos. Quando isso acontecer, as marcas terão três caminhos: repassar a queda ao consumidor, manter os preços e ampliar seus lucros ou, como sugere Lamont, reinvestir na cadeia de suprimentos. Isso inclui melhores pagamentos aos agricultores, que poderiam modernizar suas lavouras, além de medidas para combater o trabalho infantil (estima-se que até 1,5 milhão de crianças trabalhem no setor de cacau na África Ocidental).

Segundo Lamont, os investimentos feitos pela Tony’s Chocolonely em suas fazendas parceiras reduziram as perdas para apenas 11%. Se a indústria como um todo tivesse obtido resultados semelhantes, o mercado teria evitado um choque de preços que custou bilhões ao setor.

Propósito que gera resultado

A estratégia não apenas fortaleceu a cadeia de suprimentos da Tony’s Chocolonely, como também impulsionou suas vendas. A empresa dobrou seu faturamento nos EUA até setembro de 2024, apoiada em sua postura ética e em uma comunicação de marca divertida.

Lamont atribui parte desse crescimento ao aumento da conscientização dos consumidores, impulsionado inclusive por um episódio do programa Last Week Tonight, de John Oliver, que expôs os problemas da produção de cacau e destacou a diferença de abordagem da Tony’s em relação às gigantes do setor.

“Investir um pouco no longo prazo, em vez de buscar apenas o preço mais barato hoje, é o que fará bem para a nossa indústria”, Douglas Lamont, CEO da Tony’s Chocolonely.

Foto: Freepik

Fonte: WARC

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