
Na manhã desta quarta-feira, 18 de junho, o Debussy Theatre se transformou em uma encruzilhada entre cinema, ciência e imaginação aplicada. O diretor Peter Jackson, o cientista e empreendedor Ben Lamm e a presidente global da DDB Chaka Sobhani dividiram o palco do Cannes Lions 2025 para falar de futuro — e o fizeram de forma provocadora. Nada de previsões apocalípticas: o painel “From Middle-earth to Rebirth: The Next Revolution is IRL” foi um convite à reconstrução da realidade com criatividade radical, tecnologia acessível e coragem cultural.
Criar é correr riscos (e decidir mesmo assim)
Peter Jackson relembrou os bastidores da trilogia O Senhor dos Anéis, quando filmou os três longas de forma consecutiva — algo impensável para os padrões de Hollywood na época. “Era um risco. Mas foi sobre controlar a narrativa.” Para evitar a maré de desconfiança da imprensa, ele finalizou 25 minutos de A Sociedade do Anel e apresentou a sequência das Minas de Moria em Cannes, ainda em maio de 2001. A reação? Ovação de pé.
Com sua fala calma e carregada de obsessão técnica, Jackson deixou claro: a inovação criativa começa onde termina o conforto operacional. “Amo como a tecnologia dá vida aos sonhos”, disse. “Começamos com um computador. Hoje, são milhares de pessoas criando mundos inteiros.”
De volta ao futuro (com direwolves e CRISPR)
Na sequência, Ben Lamm, CEO da Colossal Biosciences, revelou um feito que parece roteiro de ficção científica: a recriação de um direwolf, espécie de lobo extinta. “Esperávamos 80% de cobertura negativa. Mas tivemos 68% positiva, com mais de 390 bilhões de impressões em uma semana.” A ciência deu lugar ao buzz cultural.
Mas o insight estava além dos números. “Se queremos falar sobre biodiversidade, clima ou ciência com impacto, precisamos estar onde as pessoas estão. E elas não estão lendo Nature, estão no TikTok.” O que poderia soar como oportunismo digital, soou aqui como estratégia de comunicação real — e um chamado às marcas que ainda tratam inovação como algo que acontece só nos bastidores do marketing.
Marcas que constroem o futuro (não só campanhas)
Lamm provocou ainda mais: “As colabs de marca hoje parecem todas iguais. Pega um artista, coloca num produto, e posta. Cadê o risco real? Por que não uma marca de aviação fazendo parceria com um instituto de genética? Ou uma collab com uma universidade?”
Segundo ele, empresas de setores variados já procuram a Colossal para conectar propósito, educação e narrativa científica. O desejo é levar temas como engenharia genética, biodiversidade e inteligência climática para públicos jovens — com linguagem acessível e visual potente.
O museu como narrativa viva
Peter Jackson encerrou com um projeto tão ambicioso quanto seus filmes: a construção de um museu de cinema na Nova Zelândia, com acervo pessoal e peças de diversas produções históricas. “É como fazer um filme, mas com as memórias que nos trouxeram até aqui.” Uma forma de reencantar o passado enquanto o mundo corre para entender o futuro.
O futuro não é apocalipse — é construção criativa
Quando o assunto virou inteligência artificial, o trio manteve o tom direto: IA não é o inimigo — é o meio.
Ben Lamm explicou que a IA permite escalar ideias, mas o que importa são as perguntas que guiamos a ela. Jackson, como sempre, trouxe o olhar técnico com humanidade: “A tecnologia, desde que usada com intenção, aproxima a emoção. A IA pode ser mais um capítulo dessa jornada.” E Chaka completou com uma provocação certeira: “Talvez o risco não seja a IA. Seja não usá-la para contar histórias que importam.”
Na minha 13ª cobertura do Cannes Lions, ainda me impressiona como as melhores discussões sobre o futuro evitam previsões engessadas — e preferem narrativas em construção. Como disse Jackson, “é tudo sobre onde a gente decide começar”.
Debussy Theatre, Cannes Lions 2025 | Imagem: Guilherme da LuzO que sua empresa pode aprender com isso:
• Narrativas ousadas nascem do risco, não da validação.
• A ciência, quando bem comunicada, vira cultura pop — e move gerações.
• Parcerias criativas reais vão além do branding: envolvem pesquisa, educação e propósito.
• A tecnologia certa, usada com intenção criativa, aproxima — não afasta.
Nota do editor
Este conteúdo foi produzido diretamente de Cannes, com base na cobertura presencial do evento. A estrutura e revisão do texto foram otimizadas com apoio da IA (ChatGPT), garantindo agilidade em meio à programação intensa.
Produção estimada
Com IA: 60 minutos – estrutura, organização e síntese das falas do palco, com checagem cruzada das apresentações.
Sem IA: eu provavelmente ainda estaria na Sala de Imprensa tentando decifrar minhas próprias anotações – e publicaria isso quando o YouTube já tivesse lançado o VO4.
Originalidade editorial: 85%
Uso de IA: 15%
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