
O mundo publicitário foi impactado no último mês de junho com a revelação de fraudes no Cannes Lions 2025 – o maior festival de criatividade do mundo – com o case da Consul inscrito pela agência DM9, de São Paulo. A agência canadense Zulu Alpha Kilo, conhecida por seus vídeos que zombam dos clichês da publicidade, lançou um curta metragem em que um diretor de criação é preso por falsificar um case vencedor no festival. Intitulado ‘Catch Me If You Cannes‘, o curta faz um trocadilho com o filme Prenda-me se For Capaz (Catch Me If You Can, no original) e brinca com o universo das premiações publicitárias.
Roteiro do curta
O vídeo começa em um círculo de terapia em uma prisão, onde criminosos relatam seus delitos: desvio de verba, seitas e golpes de aposentadoria. Até que um novo participante interrompe e diz: “Eu inventei um case de Cannes.” De óculos e postura tímida, ele se identifica como diretor de criação e admite ter falsificado um videocase vencedor no Festival. A confissão provoca risadas e define o tom crítico da produção, que ironiza a fronteira entre criatividade e fraude nas premiações publicitárias.
A estreia ocorreu nesta quarta-feira, 29, no Agency of the Year, evento promovido pela revista Strategy em Toronto, que convida agências finalistas a criar vídeos autorreferênciais. “Começamos esses vídeos sempre com uma pergunta: o que aconteceria se levássemos uma verdade conhecida da indústria ao extremo?”, explicou Mroueh em entrevista ao Ad Age. “Desta vez, levamos ao pé da letra a ideia de ‘trabalho de fachada’. Quando imaginamos um diretor de criação de macacão laranja explicando uma campanha falsa a criminosos, sabíamos que tínhamos um bom roteiro.”
Escândalo em Cannes
O curta ‘Catch Me If You Cannes’ chega em um momento de questionamento sobre ética nas premiações publicitárias. Em julho, o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions cancelou o Grand Prix conquistado pela DM9 após identificar uso indevido de inteligência artificial no videocase inscrito na categoria Entertainment Lions for Music.
Além da decisão do festival, a própria agência retirou voluntariamente outros cases inscritos, em meio à repercussão sobre o uso da tecnologia na produção de materiais de campanha.
Com informações da Exame