
O AcontecendoAqui cobre presencialmente o Festival Cannes Lions desde 2013. Nas semanas que antecedem o evento, realizamos entrevistas com alguns jurados brasileiros que estarão lá no Festival julgando presencialmente os trabalhos que concorrem em suas respectivas categorias.
Chamamos essa série de “Jurados Brasileiros em Cannes”, que o AcontecendoAqui realiza com os criativos brasileiros selecionados para julgarem o Cannes Lions Festival neste ano. Hoje apresentamos nossa conversa com Rafael Caldeira que julgará a Categoria Innovation.
Rafael é cofundador e diretor de criação da 404 Design & Innovation. Com inúmeros prêmios globais na indústria da publicidade – incluindo Cannes Lions, One Show, Clio, El Ojo e D&AD -, ele foi reconhecido pela Forbes como um dos jovens talentos prontos para transformar o mercado por meio da prestigiosa lista 30Under30. Em seu primeiro ano, a 404 se tornou um dos estúdios criativos mais premiados do Brasil, firmando parcerias com marcas ousadas e admiráveis como Netflix, Natura e Google.
1. Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados brasileiros do Cannes Lions 2025?
Fazer parte do júri de Cannes, especialmente na categoria Innovation, é quase inacreditável. Lembro que li o e-mail cinco vezes em silêncio para ter certeza de que tinha entendido certo.
Inovação é uma palavra que significa muito para nós na 404 – a crença de que um futuro desejável pode ser desenhado e que as ideias mais poderosas ainda estão por vir. É uma categoria que estimula a experimentação, algo que, na minha opinião, precisa ser mais incentivado na nossa indústria.
2. Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?
Já tive alguns papos com os jurados. É um time incrível, com talentos de diversos lugares do mundo. Começando pela nossa presidente de Júri, que é CMO de uma das empresas mais inovadoras do mundo, o Kickstarter. Acho que discutir a experimentação da criatividade com as lentes de tantas culturas diferentes será uma experiência única e uma responsabilidade sem tamanho.
3. O Festival passou por grandes reformulações em tempos recentes, assim como todo o ecossistema da Comunicação. Na sua opinião, qual a relevância do Cannes Lions – como festival – e como articulador maior da comunidade criativa global?
O Cannes Lions coloca luz numa parte muito importante da nossa indústria: o talento. Vejo muitas empresas discutindo o impacto da IA em suas estruturas, fazendo videocases sobre economias estruturais na força de trabalho. Uma mágica em que tenho muita descrença, porque a irrelevância, mesmo que de graça, é custosa demais. O Cannes Lions é um dos poucos palcos onde é discutido de fato o valor da criatividade. E recentemente, com maior participação dos clientes nessa conversa, tem se tornado um espaço catalisador de mudanças positivas.
4. Em 2024 um dos “recados” do Festival foi: “Criatividade sem dados não funciona. Dados sem criatividade não funcionam”. O que você acha que será o ponto central desta edição?
Acho difícil precisar qual será a grande temática, mas sinto que as discussões humanas ainda deveriam ser as prioritárias. Por exemplo, acredito que a inovação hoje é um desafio muito mais humano que tecnológico. Temos tecnologia para resolver quase tudo, mas quais parâmetros irão direcionar essas soluções? O que pode ser imaginado com isso? Com quais perspectivas?
5. O que você espera ver em termos de campanhas inscritas em todo o Festival e, especialmente na Categoria que você vai julgar?
Espero ver ideias corajosas, de pessoas que genuinamente estão experimentando novos caminhos pra comunicação.
6. Como o Brasil deve se posicionar como hub criativo? Na sua opinião, o que é feito aqui tem relevância mundial?
Acredito que o talento brasileiro é referência em qualquer lugar do mundo, menos no Brasil. Acho que nosso mercado ainda valoriza pouco o trabalho criativo, influenciado por dezenas de outros fatores. Nesse contexto, muitos talentos estão deixando o país e brilhando em agências internacionais, fortalecendo outros mercados. Acho que um passo fundamental para que o Brasil se torne um hub é fomentar a discussão sobre a importância do trabalho criativo dentro de casa.
7. Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer aos Leões neste ano.
Para divulgar a série Senna, durante o GP de Interlagos, um dos circuitos mais chuvosos do mundo, fizemos um drop de moda chamado The Rain Drop, uma capa de chuva exclusiva do Senna, distribuída somente em áreas chuvosas da cidade. A ação lembrava os fãs de como era torcer pela chuva durante as corridas do ídolo, que foi o maior piloto de pistas molhadas da história. Distribuímos mais de 10 mil capas, equivalente à metade dos pontos de OOH da cidade, e os fãs vestiram a mensagem da série por todo o final de semana do GP.
8. O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas?
Eu gosto do combo. Experiência completa.
9. O que não falta na sua bagagem para Cannes?
Aspirina.