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Coluna Ozinil Martins | A vida tem o sentido que se dá a ela
07 de Maio de 2025

Coluna Ozinil Martins | A vida tem o sentido que se dá a ela

"Como construir massa crítica com um povo ignorante?"

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 07 de Maio de 2025 | Atualizado 07 de Maio de 2025

Oscar Wilde afirma: “Viver é a coisa mais rara da vida, a maioria das pessoas, apenas, existem.” A afirmativa do polêmico escritor é absolutamente correta. Não seria esta forma de encarar a vida uma fuga da realidade em que estamos inseridos? Participar da vida diária, do cotidiano, dá trabalho. A maioria das pessoas prefere viver no modo reptiliano, ou seja, comer, repousar e reproduzir-se.

A vida, em sua plenitude, exige que estejamos atualizados, que tenhamos opiniões, que participemos. Muito mais fácil delegar a tarefa a outros, pois assim sobra a capacidade de criticarmos tudo que os outros fazem. No filme “A Onda”, baseado em uma experiência estudantil realizada na Universidade de Palo Alto na Califórnia, o professor orientador, em determinado momento, expressa sua conclusão em uma frase forte: “Impressionante como eles gostam que tomemos as decisões por eles!”

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E assim vamos vivendo, empurrando com a barriga e esperando os acontecimentos com um trágico “foi o destino que quis assim.” Sempre tive a noção de que o crescimento populacional sem os contrapesos naturais criaria uma população que, sem o devido apoio educacional, cresceria à margem da sociedade. Se compararmos a expectativa de vida do brasileiro em 1950, 46,8 anos, com a atual, 76,4 anos, fica claro entender a evolução da medicina, da infraestrutura no saneamento básico e na oferta de alimentação.

Mas, parece que esta evolução no campo físico não foi acompanhada no que diz respeito à formação educacional e cultural. Hoje, pode-se dizer que o mundo vive uma pandemia de obesidade causada pela má qualidade da alimentação, o recrudescimento das resoluções das desavenças entre países pelo uso da força, a prevalência das individualidades sobre o comunitário. Eu sou mais importante que o todo!

Esta semana a divulgação de duas notícias aprofunda a preocupação sobre o alheamento das pessoas em relação a seus compromissos com a vida. O INAF – Indicador de Alfabetismo Funcional – mostra que 3 entre cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais, isto é, até podem ler mas não sabem o que leram e, o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – mostra o Brasil evoluindo da 89ª posição para a 84ª, significando um ganho de 5 posições no ranking da ONU. Porém, na América do Sul estamos atrás da Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

A pergunta que não quer calar é: “Como construir massa crítica com um povo ignorante e que vive das benesses do governo?”

O país não estaria no estado em que está se fossemos mais atuantes, se nos integrássemos mais às coisas que acontecem em nossos municípios. O sentido não é criticar por criticar, mas fazer acontecer aquilo que é prioritário, aquilo que é essencial. Para viver, muito pouco é necessário. Que o façamos sem ostentação e com participação efetiva.

Talvez com a participação do povo acontecendo, os escândalos com que somos brindados, semana após semana, tenham um fim ou é esperar por milagre.

Foto:Unsplash

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