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Segundo dia do Cannes Lions 2012, by Competence
19 de Junho de 2012

Segundo dia do Cannes Lions 2012, by Competence

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por Eduardo Axelrud*


Foi uma segunda-feira intensa aqui em Cannes. A manhã valeu para quem ouviu a editora chefe do site Huffington Post, Arianna Huffington, falar sobre as três macro tendências que ela enxerga no mundo hoje – e que valem tanto para as pessoas como para as marcas.

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A primeira é a evolução da presentation para a participation. Trata-se da maldição da hiperconexão. Este ano estamos atingindo um número recorde de pessoas opinando nas redes sociais. Não esperamos mais que experts venham nos dizer o que fazer, estamos dizendo nós mesmos uns aos outros.
A segunda é a necessidade de, frente a isso, nos desconectarmos da tecnologia e nos reconectarmos com nós mesmos. Arianna pondera que existe um fetichismo perigoso envolvendo as redes sociais. As pessoas fazem de tudo para serem trending topic, mas qual o real valor disso? As marcas também estão obcecadas com as mídias sociais, mas elas não tem valor se você não conhece e pratica seus próprios valores. Como disse Arquimedes, “give me a place to stand and I will rule the world”. E a sua marca, já sabe exatamente onde e pelo que ela se sustenta? É como disse a editora, já temos muito qi, mais ainda falta sabedoria.
E a terceira macrotendência que ela apontou é a busca por um significado maior, não apenas se conectar com as pessoas, mas fazer diferença na vida dos outros. Aliás, quando falamos de marcas, essa parece até agora ser uma das grandes tônicas do festival esse ano: a necessidade cada vez maior das marcas fazerem real diferença na vida das pessoas.
Foi essa, aliás, a temática do seminário promovido pela sempre antenada revista Contagious, que trouxe uma curadoria de cases muito interessantes onde as marcas usam a tecnologia pra ajudar seus consumidores a resolverem problemas reais. Num deles, uma marca de camisinhas de Singapura chamada Okamoto fez um aplicativo para casais de jovens namorados que estão transando na casa dos pais – o aplicativo avisa pro casal quando os pais estão chegando em casa… Veja aqui:

Mas a grande surpresa da segunda-feira ficou mesmo com a JWT que trouxe 3 jovens empreendedores pra falar para o experiente público de Cannes. E quando eu falo em jovem, é jovem mesmo: a mais velha tinha 14 anos (foi a mais jovem palestrante de um TED, aos 12) e o caçula tinha 9. Esse último, um americaninho chamado Caine, criou uma cardboard arcade na garagem da casa dele em L.A. Seria como um megazone daqueles dos shoppings, mas todo feito com caixas de papelão. O que seria até normal se a coisa não tivesse viralizado na internet e virado uma atração mundial que já arrecadou 250 mil dólares e se transformou em uma fundação chamada Imagination. Saiba mais em http://cainesarcade.com/.

Amanhã tem mais.
06/18/12

* Eduardo Axelrud, é VP de Criação da Competence,
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por Magali Moraes*

De repente, a gente se sente homeless. Perder a cadeira e ficar na sarjeta do Palais é algo que acontece com os melhores criativos. A gente quer espiar o que está rolando em outro lugar e pronto. Fica na rua porque os auditórios lotam rápido e só resta vagar entre as escadas rolantes, em busca de um rosto amigo ou um brinde tentador.

Depois de assistir a palestra da Adobe e não ouvir nenhuma novidade além de equilibrar o lado esquerdo e o direito do cérebro – no caso, informação versus intuição, eu parti rumo ao desconhecido. Peraí, o pessoal da Adobe falou frases legais, não vou ser injusta. Comparou pesquisa com GPS (sem ela, não se consegue mais chegar a lugar nenhum). Citou 3 Cs (Curiosidade, Cultura e Coragem) e falou uma frase boa de tuitar, se pegasse direito o Wifi: Ask WHY until it hurts (pergunte por que até doer).

Entrar num fórum e, nos primeiros 10 minutos, perceber que não valeu a pena perder sua cadeira no auditório principal é angustiante. A gente reflete sobre as escolhas da vida quando está plantada numa fila imensa pra tentar recuperar o que é seu.

Ok, Rivotril dispensado. Consegui meu lugar de volta e tive o privilégio de ouvir os mais jovens palestrantes do festival, trazidos pela agência JWT. Três crianças que, brincando brincando, tansformaram ideias em negócios justamente por terem “a sabedoria do desconhecido”. Um garoto de 9 anos que inventou um megazone totalmente feito de caixas de papelão e não teve clientes por 3 meses, até um criativo da JWT topar com ele, organizar um flashmob e fazer seu fliperama bombar, criando um case de sucesso mundial. O outro menino, com apenas 12 anos, é o mais jovem criador de aplicativos da Europa. O que ele inventou? Um band-aid mágico dos Muppets, com realidade aumentada, fazendo os personagens saltarem aos olhos das crianças pra ajudar a curar a dor. Simples e genial! E pra terminar, uma garota que foi a menor palestrante do TED, aos 12 anos, e publicou seu primeiro livro aos sete. A JWT gostou tanto da coisa que criou uma fundação pra incentivar mais crianças a terem atitudes crescidinhas. Perguntado o que quer ser quando crescer, um dos meninos respondeu: CEO de uma empresa de games. Toma!

Próxima palestra: cadê o Bill e a Melinda Gates pra falar sobre a sua fundação? Magali, sua bobinha, eles estão em algum outro lugar do mundo fazendo dinheiro e boas ações! Bora almoçar um croque monsieur na beira da praia e cuidar da fotossíntese!

De volta ao Palais e à segurança de uma cadeirinha pra chamar de sua, fico frustrada com a palestra da SapientNitro. Podia ter rendido mais o assunto “mkt das grandes marcas versus mkt das celebridades”. Ok, estar aqui gera muita expectativa mesmo. Bem que o Mini disse pra eu ser tolerante com a minha ansiedade.

A palestra da TBWA começou sem graça e foi crescendo, terminando com os filmes maravilhosos da Visa e sua campanha Go World para as Olimpíadas. O Morgan Freeman fazendo a locução já é de arrepiar, agora imagine cenas estupidamente lindas e ele contando histórias de atletas como Nadia Comaneci e sua nota 10, a primeira na história das Olimpíadas! Aliás, ela e seu corpão talhado na ginástica estavam presentes. Segurar um tubinho branco não é pra qualquer uma. Agência e cliente explicaram como foi concebida a ideia e toda a campanha que vai engajar o mundo a torcer pelos atletas. Brasill, Rússia e Estados Unidos são os top countries que já estão bombando a hashtag visagoworld nas redes. Storytelling na veia!!

E pra terminar o dia, uma palestra excelente da Contagious. Segundo eles, é melhor quando se tem uma marca que oferece algo a mais para os consumidores. E que consiga interferir nas suas vidas de fato. O tão falado engajamento ganhou uma metáfora boa: mudou de one night stand (marca e consumidor ficarem juntos por só uma noite) para um relacionamento longo. Perfeito, já que 86% das pessoas estão dispostas a pagar mais pelo produto se tiverem alguma experiência boa com ele.
O pessoal da Contagious contou vários cases de babar. Apareceu até o Magazine Luiza, numa ação que convocou os consumidores a se tornarem seus vendedores  na rede, ganhando comissão nas vendas, vendo o dinheiro entrar na conta e dando um novo significado para o e-commerce. De Magazine Luiza para Magazine Laura, Magazine Joana. Ligeira semelhança com o Banco do Brasil?

Ufa, por hoje é isso!

* Magali Moraes, Diretora de Criação do Núcleo Moda, Saúde e Beleza, na Competence

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