O portal AcontecendoAqui e a agência Competence efetivaram parceria que possibilita a publicação em nossas páginas dos resumos elaborados pelos criativos gaúchos Magali Moraes e Eduardo Axelrud, que estão acompanhando o maior festival de publicidade do mundo: Cannes Lions 2012. Hoje iniciamos com o post de ambos sobre o primeiro dia do festival. Acompanhe:
por Magali Moraes
Primeiro dia de festival, quem sabe a gente começa light pra ajustar o corpo ao Palais? O jetlag ainda se manifesta através de fome e sono em horários estranhos. Sem falar que é domingo! Mas rodeada de tanta informação, não tem como. Depois de assistir a 7 palestras, fica complicado contar tudo rapidinho. Não espere análises elaboradas, isso fica para outra hora em solo brasileiro.
O festival está infinitamente maior do que a outra vez que estive aqui. Publicitários e simpatizantes, com seus crachás e sacolas (uma ecobag beeem simplinha) são vistos por toda a parte, a diferença é o sotaque. Um mix de culturas onde o inglês tenta equalizar a turma. E nos ajuda a decifrar palestrantes japoneses, espanhóis, indianos, sem falar nos franceses. A gente senta ao lado de canadenses, de russos, escuta bah na Croissete e anota tudo com pedaços de frases em português e inglês. Tira foto do telão da palestra com iPad e atrapalha o vizinho,compartilha no Face, corre pra anotar aquela citação genial que o cara disse mas você estava tuitando e perdeu, depois perde o sinal do wifi, se conecta novamente e reza pra mais tarde entender o que anotou.
De todas as palestras do dia, as que mais gostei foram a do lutador de artes marciais Georges St Pierre, a da agência japonesa Party sobre storytelling e a da Cindy Gallop, chamada sugestivamente de Text Appeal. Sexo vende, assim como histórias bem contadas.
Morihiro Harano, fundador da Party, pediu desculpas por seu vocabulário em inglês e tascou sabedoria:
Do not make another shit for shit.
Do not make another waste for waste.
Ou em outras palavras, conte histórias que as pessoas queiram comentar, não procure soluções fáceis por aí (search in the right place, not in the bright place), mude o ecossistema do marketing, crie novos formatos e histórias. Ele ainda disse que cada tecnologia que surge é mais uma oportunidade para storytelling.
Cindy Gallop já tinha me encantado antes, em matérias que li sobre sua teoria do “make love, not porn”. Mais do que uma frase de efeito, ela transformou isso num conceito global e plataforma de negócios. Segundo ela, uma nova geração cresce acreditando que o pornô é a realidade do sexo. Entenda por pornô todo o conteúdo estereotipado (em propaganda inclusive). Real world X Low world é a bandeira dela. A tecnologia influencia muito esse comportamento porque tem grande impacto na sexologia. A nova criatividade é que pode limpar os estereótipos. E pode ajudar as pessoas a serem o que elas querem ser. It’s all about real. Cindy coloca nas mulheres uma responsabilidade maior em mudar isso, ao dizer que a nova criatividade é feminina. Nós somos a maioria a compartilhar e produzir conteúdo hoje nas redes sociais, porém estamos sob julgamento principalmente de homens. A solução? Educar e esclarecer as mentes novas. Abrir um diálogo saudável sobre o amor e o sexo, seja em casa ou numa campanha publicitária.
Tá, mas o que um lutador de artes marciais está fazendo no Festival? Eu não sabia que o Georges St Pierre tinha essa bola toda, pra falar a verdade, nem os assessores de comunicação dele sabiam. Tanto que foram pesquisar o potencial de construção da sua marca em 5 países e descobriram que o St Pierre é number one em Mma, number one em esportes em geral e o quinto colocado quando o assunto é cultura pop, perdendo pra outro George (o Clooney), Brad Pitt e outros famosos. Amedrontador, intimidante, mas também sex symbol, inteligente, amigo e confiável, St Pierre tem quase 3 milhões de fãs no Facebook. It’s all about emotion. Ele é uma marca verdadeira, conta tudo nas redes, assume suas fraquezas e problemas, estabelece uma conversa constante, próxima e franca com seus fãs. “Eu não sou perfeito e não quero que as pessoas acreditem que eu sou. Apenas seja você mesmo. Ame quem te odeia. Aceite os elogios e as críticas”. Um lutador e evangelizador, hein? Seus assessores explicam de maneira ainda mais simples: “nós só estamos criando conversas com grupos diferentes. As grandes marcas estão perdendo esse contato, essa interação. Sair do Facebook é um erro.” E pra conversa com o St Pierre não esvaziar, eles não fazem nada que não possa ser medido nas redes.
Até mais!
Links dos vídeos no you tube
Não sei porque alguns dos Links do post anterior não estão funcionando, mas vou postar novamente.
Comercial android: http://m.youtube.com/watch?v=tNxDd3l0lEU
Comercial siri 1: http://m.youtube.com/#/watch?v=H_zzvkEqBhY
Comercial siri 2: http://m.youtube.com/watch?v=YnQFWYvxWDo
06/17/12
Magali Moraes, Diretora de Criação do Núcleo Moda, Saúde e Beleza, na Competence
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por Eduardo Axelrud
Cannes 2012 – day one.
Domingo, primeiro dia de trabalhos. O festival começou bem. Ou talvez nem tanto, já que a primeira palestra do dia foi cancelada. Pelo menos o wi-fi esta funcionando bem, o que já é um bom upgrade em relação a dificuldade que se tinha no ano passado de conseguir conectar os onipresentes iphones e ipads da platéia.
A palestra da go viral trouxe uma boa reflexão sobre a geração Y e como eles são movidos a base de social content. A quantidade imensa de conteúdo sendo gerado aponta o caminho para as marcas: curadoria. Vence a batalha quem trouxer a melhor capacidade de selecionar, filtrar e entregar a esse publico de 13 a 30 anos o conteúdo mas relevante dentro das redes. E o desafio é justamente este: ser mais relevante do que os amigos deles nas redes.
Mas sem dúvida o highlight do dia foi a palestra do Mori Harano, da agência japonesa Party (responsável pelo case dos celulares DOCOMO, aquele do xilofone gigante no meio da floresta que papou tudo que pôde ano passado aqui em Cannes). Mori mostrou mais soluções totalmente inovadoras, desde um app para a Toyota chamado Toy Toyota que é um game para envolver as crianças no banco de trás dos carros de seus pais; até o Wall, uma rede social fashion que promove o e-commerce através de recomendações dos usuários. A proposta da Party não é nada modesta, ele pretende através da tecnologia mudar todo o ecossistema do mercado. E pelo visto, está sendo bem fiel a ela. Mais sobre a agência em http://prty.jp/.
Com tanto conteúdo em novas plataformas, parece que fica cada vez mais difícil fazer coisas realmente inovadoras nas plataformas assim ditas “convencionais”.
Assisti a alguns comerciais de tv inscritos na categoria “tecnologia” e a maior parte do que vi parecia mais do mesmo daquilo que estamos acostumados a ver. Um dos mais interessantes foi o comercial da Samsung para o Android onde eles satirizam os nerds que ficam horas na fila para comprar os lançamentos da Apple. Parece fazer sentido até você assistir logo na seqüência os comerciais feitos para a Apple, que, como sempre, dão um show de simplicidade e deixam claro imediatamente a razão de ser da marca. Todos os filmes feitos para o Iphone 4 são um grande exemplo disso. Vejam este, vendendo a funcionalidade do Siri. Ou este, da mesma campanha, mas com um usuário um pouco mais famoso.
Foi assim que ao longo do dia, fomos entendendo um pouco mais do complicado cenário em que vivemos hoje, com algumas respostas aparecendo aqui e ali.
Mas a música do U2 que pelo jeito estava no ipod do operador de áudio da sala de seminários – e que repetida e insistentemente tocou a cada intervalo entre as palestras – talvez fale melhor do que os palestrantes do domingo sobre o que todos estamos sentindo sobre a busca de respostas: I still haven’t found what I’m looking for…
06/17/12
Eduardo Axelrud, é VP de Criação da Competence,
