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Polêmica: campanha da Skol é acusada de fazer apologia ao estupro e é retirada das ruas
12 de Fevereiro de 2015

Polêmica: campanha da Skol é acusada de fazer apologia ao estupro e é retirada das ruas

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Uma campanha de Carnaval da Skol, criada pela agência F/Nazca Saatchi & Saatchi, está causando polêmica: está sendo acusada de apologia ao estupro, e após a intervenção de um grupo feminista a campanha será retirada de outdoors.

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A ação publicitária mostrava frases ligadas à perda de controle após ingerir a bebida, como “Topo antes de saber a pergunta”, “Tô na sua, mesmo sem saber qual é a sua”, e “Esqueci o ‘não’ em casa”. Sendo esta última considerada a pior de todas e de fazer apologia ao estupro. Nas redes sociais, muitas manifestações contra a campanha, afirmando que elas passam a ideia de que as mulheres estão disponíveis no Carnaval e que elas podem ser abordadas e tocadas mesmo sem consentimento.

Um dos tópicos mais discutidos pelo grupo feminista online, chamado “Coletivo Chute“, com mais de 8.300 membros, é exatamente a cultura machista de ignorar o “não” dito por uma mulher quando ela não quer avançar nos contatos íntimos, e o homem continua a insistir em continuar, mesmo contra sua vontade.

A intervenção começou quando duas amigas viram a campanha em questão num ponto de ônibus de São Paulo. Pri Ferrari, que é publicitária, e Mila Alves, jornalista, na mesma hora as duas pegaram fita isolantes preta e deram continuidade à frase que diz “Esqueci o ‘não’ em casa”, escrevendo em seguida “E trouxe o ‘nunca’ “.

As duas publicaram a imagem no Facebook e obtiveram mais de 8 mil curtidas e 3 mil compartilhamentos.

Esta semana a Pri Ferrari deu uma entrevista à Folha de S.Paulo [clique aqui para ler], falando sobre o que a incomodou na propaganda. Entre outras coisas, ela explica:

“Essa publicidade estava no ponto de ônibus que eu vou todo dia e fiquei chocada com o tipo de mensagem. Resolvemos fazer uma intervenção. A peça e a campanha em si mostram claramente um conceito errado, de ‘topo, depois pergunto’, de ‘não pode dizer não’, sendo que estamos no carnaval e ‘não’ é o que mais a gente precisa dizer. Não ao estupro, não ao beber e dirigir, não ao sexo sem camisinha”, defende.

“Cerveja e machismo andam juntos desde sempre e precisamos desconstruir isso. Não podemos aceitar esse tipo de coisa ser chamada de normal e engraçadinha”, acrescentou.

Além disso, Pri Ferraria não se conforma com a falta de noção da marca: “Uma campanha totalmente irresponsável, principalmente durante o Carnaval, que a gente sabe que o índice de estupro sobe pra caramba. E não só alguém criou, como passou na mão de muita gente, e ninguém problematizou a questão. Isso é uma falta de respeito e responsabilidade”, diz com afinco.

Após a polêmica, o Diretor de Comunicação da Ambev ligou para ela tentando “manipular a situação”, segundo ela, e ela falou tudo o que pensava sobre a propaganda. Depois ele ligou novamente para avisar que naquela noite fariam uma força tarefa para retirar todas as campanhas das ruas e colocar uma nova no lugar, com um conceito mais “diga sim para as coisas boas”.

Vitória a todas as mulheres.

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