Aconteceu nesta quinta-feira 4 de maio, no Web Summit Rio, um talk sobre inteligência artificial com quatro convidados:
. Aline Oliveira, co-Fundadora da Traive;
. Gerry Giacomán Colyer, CEO da Clara;
. Pedro Bramont, CDO do Banco do Brasil;
. Greg Williams da Wired.
Greg Williams questionou os convidados sobre como suas empresas utilizam a IA. Para Aline Oliveira, IA está no centro da Traive, sua ferramenta utiliza a IA para obter os resultados. Pedro e Gerry também citaram exemplos de como a IA está sendo utilizada em seus negócios.
Para os 3, que trabalham com soluções financeiras, a inteligência artificial tem um papel importante na tomada de decisões. Analisando dados dos clientes e calculando taxas de riscos.
Greg questionou o painel sobre quais indústrias estão mudando rapidamente com a IA. Pedro respondeu que, para ele, a indústria da publicidade e propagando está mudando rapidamente graças a IA. Ele afirmou que viu aqui no Web Summit vários exemplos de grandes players dessa indústria adotando IA.
Aline comentou que a IA tem a capacidade de corrigir e prever erros bem mais rapidamenteo do que um humano trabalhando. Gerry afirmou que acredita que a IA vai mudar muito a educação e aprendizado, pois poderá fornecer respostas para nossas perguntas de maneira muito mais rápida, permitindo que o conhecimento fique mais acessível até para crianças.
Personalização de serviços graças a IA
Para essa questão Pedro respondeu citando diversos exemplos de como a IA tem atuado, permitindo a sugestão de conteúdo em plataformas de streaming a propostas financeiras em plataformas de E-banking. Para ele, a IA tem a capacidade de analisar dados para cada indivíduo e propor conteúdo e soluções personalizadas. De acordo com ele, essa é a melhor maneira de oferecer ao cliente o que ele realmente deseja ou precisa.
Gerry comentou que em ferramentas abertas como o ChatGTP, as fontes de conteúdo, podem ser diversas o que pode ser perigoso se for mal utilizado. Sobre essa questão Aline replicou que no setor financeira, os dados têm regulamentações sérias, o que não permite que sejam compartilhados de maneira aberta. Isso protege também o trabalho que as ferramentas de IA financeira fazem, pois elas se baseiam em dados de confiança e garante a proteção dos usuários. Aline explicou que mesmo em uma utilização aberta dos dados, sem regulamentações, o trabalho da IA também tem um grande impacto, pois ele permite que os usuários obtenham informações completas e não somente fragmentos de informações ou somente dados que podem ser interpretados de forma errada.
Com relação às oportunidades deste mercado, foi destacado que estão na utilização de máquinas operadas por IA. No Brasil, máquinas baseadas em IA têm feito – e ainda podem fazer – uma grande diferença na agricultura, permitindo um trabalho mais preciso no campo.
Aline afirmou que acredita que na agricultura a IA pode nos ajudar a ver e entender muitas coisas, biologicamente falando. E que a IA fará a economia fluir de uma maneira muito mais rápida.
No segundo painel que o AcontecendoAqui acompanhou nesta tarde, participaram no palco de Auto Tehc/Robot, Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart, Maya Pindeus, fundadora da Humanising Autonomy e Fabio Teixeira, da Thomson Reuters Foundation.
Mariana iniciou explicando que a IA na agricultura permite hoje que a coleta de dados seja dezenas de milhares de vezes superior do que se o trabalho fosse feito por um humano. Maya por sua vez explicou que o trabalho da Humanising Autonomy busca aprimorar ferramentas automatizadas a prever erros e aumentar a segurança dos usuários, esse tipo de automação pode ser feito em qualquer tipo de máquina, seja ela industrial ou um semáforo.
Mariana continuou focando sobre os benefícios da IA na agricultura, desde a medidas como pluviosidade, detecção de doenças, prevenção de acidentes e rendimento da produção. Porém, de acordo com Mariana, a agricultura é um dos setores onde há a maior falta de dados, e sem dados não existe IA. Então, em primeiro tempo a coleta de dados é muito importante para iniciar a implementação da IA no campo. Mariana também afirmou que a agricultura já trabalha com ferramentas automatizadas e a IA pode ter um impacto significativo no desenvolvimento dessas ferramentas.
Maya disse que é crucial visar o benefício ao se desenvolver uma ferramenta de IA. O entendimento do processo de tomada de decisão é crucial para se obter uma ferramenta de IA interpretável, e para isso a coleta massiva de dados é uma das chaves. De acordo com ela, seguindo essa linha, é possível se obter ferramentas de IA para o bem.
Para Mariana, hoje precisamos desenvolver ferramentas de integração, para o cruzamento de dados e informações, permitindo que diferentes ferramentas de IA trabalhem em conjunto e obtenham informações relevantes e complexas de maneira precisa.
Maya continuou nessa perspectiva falando da importância de rastreamento das operações, para se obter dados que possam ser utilizados para aumentar a segurança e produtividade das operações, seja ela na maneira de um motorista de ônibus em dirigir ou de um operador manipular uma máquina industrial.
Para Mariana, uma questão vital para o avanço dessas tecnologias está no modelo de negócios, porque alguém precisa pagar a conta de tudo isso. E nesse aspecto ela acredita que os esforços devem vir de todos os lados, não somente das empresas, mas o governo também deve estimular a pesquisa e implementação dessas ferramentas na educação e investimentos nesse setor de tecnologia para que haja um maior alcance das aplicações e aumento da qualidade de vida da população.
Educação
Para Maya, quando se trata de automação, IA e educação, existe hoje um dilema entre o que é positivo e negativo. De acordo com ela, é necessário entender como funcionam as ferramentas de IA, para em seguida se questionar se a utilização da mesma será benéfica ou não na educação. Hoje já temos provas que aplicações de IA podem nos trazer uma melhor qualidade de vida, uma vida mais fácil e prazerosa.
No mesmo palco, Daniela Braga, da Defined.ai inicia sua fala afirmando que sua plataforma é a maior plataforma de IA e de fontes de dados para IA do mercado. Junto a ela estava o Igor Marinelli, co-CEO da Tractian, que explicou que começou a trabalhar de maneira remota para grandes empresas quando ainda era adolescente, pois dessa forma ninguém percebia que ele ainda era somente um adolescente. Ele afirmou que na Tractian o que eles fazem é utilizar IA para identificar problemas técnicos em processos industriais, permitindo que a solução seja rápida sem rompimento do fluxo de produção.
De acordo com Igor, o que importa realmente, é solucionar o problema, que essa solução seja encontrada com uma tecnologia da IA ou não. Ele deu o exemplo de uma simples questão feita ao ChatGPT, por exemplo qual o presidente da França, ChatGPT vai fornecer a resposta, utilizando IA, mas se você pesquisar no Google você também terá a resposta, então que a ferramenta seja de IA ou não, quando temos um problema, o foco é a solução.
Igor continuou afirmando, que não se deve temer a IA, pois isso pode atrasar o desenvolvimento, se temos medo de perder nossos empregos para a IA, estaremos impedindo que certos setores aumentem sua eficiência. De acordo com Igor, a IA vai substituir diversos cargos, ele deu exemplo dos motoristas de Uber que já estão sendo trocados por carros automatizados conduzidos por IA. Daniela Braga destacou que esse problema sempre ocorre no começo da mudança, que os cargos que serão afetados são essencialmente cargos de baixa renda, onde o trabalho é um pouco mais mecânico e poderá será trocado por uma máquina. Para Daniela, em países desenvolvidos isso pode acontecer de maneira rápida devido ao acesso à tecnologia. Esses sofrerão com os efeitos negativos da IA. Por um outro lado ela acredita que a implementação da IA levará o conhecimento para países menos desenvolvidos, permitindo uma revolução na educação, acelerando o desenvolvimento desses países.
Coleta e armazenamento de dados
De acordo com Daniela, existem 3 tipos de dados: dados coletados, dados simulados, e dados sintéticos. Com as regulamentações de dados coletados, os mesmos se tornam inacessíveis para as empresas, desta forma, dados simulados e sintéticos estão sendo cada vez mais usados, mas eles são uma simulação de um comportamento humano. Ela destacou que para se melhorar as ferramentas de IA, são necessárias pessoas reais, humanos, e que hoje as empresas estão dispostas a pagar para coletar esses dados. Ela afirmou que atualmente eles estão lançando campanhas para empregos temporários dentro de aplicativos, como Uber por exemplo, afim de aprimorar sua coleta de dados. Esses novos “funcionários” estarão sendo pagos para gerar dados, tendo certas atividades rastreadas, como suas reações durante uma conversa, ou como se comportam quando estão realizando atividades caseiras. Para Daniela, da mesma forma que a IA pode gerar desemprego, ela também vai trazer novas formas de trabalho.
Igor deu sua última palavra comentando que hoje existe uma grande expectativa sobre a IA, e que estamos acreditando que esses efeitos serão imediatos, porém de acordo com ele, quando se trata de tecnologia, nossas expectativas são muito apressadas, as mudanças virão, porém não em 2-3 meses, mas talvez em 4-5 anos.
Robô
Logo em seguida aos painéis tivemos a presença de Grace, a enfermeira robô, apresentada por seu criador Ben Goertzel, CEO da SingularityNET. Ben apresentou as funções da Grace, que está sendo desenvolvida para cuidar de idosos. Capaz de realizar certas tarefas sozinha, como tirar a temperatura, monitorar batimentos cardíacos entre outros, Grace terá autonomia para cuidar de idosos e prever doenças de maneira eficaz.
De acordo com Ben, Grace é a evolução da IA. Ela é baseada em um modelo chamado AGI (Artificial General Intelligence), o termo surgiu em 2004, e é uma aplicação muito mais complexa que integra diferentes ferramentas de IA para realização de tarefas mais difíceis. Ben afirmou que esse modelo está muito mais próximo das conexões neurais de seres humanos.
Para Ben, o AGI, que ainda está em desenvolvimento, trará muito mais benefícios para a humanidade, na realização de tarefas muito mais complexas. Ele destacou que Grace ainda é um projeto experimental em desenvolvimento, e que ela não vai substituir enfermeiras de imediato. Porém, com o desenvolvimento da Grace, no futuro poderemos ter uma verdadeira revolução nos serviços de saúde. Profissionais de saúde sofrem constantemente com problemas como o burnout, exposição constante de sua saúde e integridade e pressão psicológica. Com a ajuda de robôs como a Grace, o setor médico não sofrerá mais com a falta de profissionais por essas razões citadas.
Nesses 4 dias do Web Summit pudemos ver especialistas de tecnologia de diferentes setores, como publicidade, finanças e agricultura, demonstrando como a IA está sendo implementada e nos permitindo avanços na oferta de produtos e serviços, e gerando uma melhor qualidade de vida. Porém formas avançadas de IA, como a ASI e a AGI já estão alcançando um alto nível de desenvolvimento e em futuro próximo também farão parte do nosso cotidiano. A preocupação com as mudanças no mercado de trabalho é real. E que hoje apenas certos profissionais se sentem realmente ameaçados por essas novas ferramentas. No entanto, se pensarmos no futuro, provavelmente todo o trabalho será feito por máquinas e a real questão que você deve se perguntar é “o que você faria do seu tempo se não precisasse trabalhar?”.
Repórter: Rodrigo Conceição
