No Dia Internacional da Memória do Holocausto, celebrado nesta sexta-feira (27), a UNESCO, a Confederação Israelita Brasileira (CONIB) e o Museu do Holocausto (Curitiba) lançam a campanha “Viver Para Contar. Contar Para Viver” (hashtag #ContarPraViver). A ação convoca os brasileiros a não deixarem as histórias de violência e intolerância desaparecerem.
Para isso, a iniciativa traz sobreviventes do Holocausto Ruth Sprung Tarasantchi, Gabriel Waldman e Joshua Strul, bem como vítimas brasileiras de fanatismo e intolerância nos dias atuais – André Baliera, Odivaldo da Silva e Naiá Tupinambá. A campanha faz um chamado: adote uma história.
Criada pela Cappuccino, que faz parte do The Weber Shandwick Collective, com produção da Elo Studios, a campanha alerta sobre a importância de preservar a memória do Holocausto e os impactos de seu apagamento na atualidade. A inspiração veio do fato de estarmos perdendo os sobreviventes ainda vivos do Holocausto, que têm, em média, 84 anos de idade. Em alguns anos, não teremos mais essas testemunhas oculares.
“Sobreviventes do Holocausto estão morrendo. Ao compartilhar suas histórias e histórias semelhantes de sobrevivência e resistência nas mídias sociais, podemos preservar essas memórias para garantir que a história não seja distorcida ou apagada”, diz Vitor Elman, copresidente da Cappuccino e criador da campanha. “Quanto mais espaço na mídia abrirmos para a memória, menos espaço haverá para o crescimento do racismo, LGBTfobia, xenofobia, intolerância religiosa, de gênero ou de qualquer outro tipo”, diz Elman.
Pesquisa
Um estudo da UNESCO com o Congresso Judaico Mundial revela que 49% das postagens do Holocausto no Telegram negam ou distorcem os fatos. Enquanto vemos a história sendo apagada, o fanatismo e a intolerância crescem no Brasil. Os crimes de ódio online cresceram 67% no início de 2022, de acordo com a Safernet. Denúncias de intolerância religiosa cresceram 141% no Brasil em 2021.
O número de casos de apologia ou apoio ao nazismo saltou de menos de 20 para mais de 100 entre 2018 e 2020. O número de células nazistas também mostra um pico de crescimento, chegando a 1117. No final de 2022, o país registrou três ataques de ódio em escolas. Os dados são do Governo Federal e da Polícia Federal.
“Neste Dia Internacional em Memória do Holocausto, proclamado em 2005 pela Resolução 60/7 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a UNESCO reafirma seu compromisso com a promoção do diálogo, da tolerância e da compreensão mútua por meio do lançamento da #ContarParaViver, diz Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante da UNESCO no Brasil.
Respeito
A UNESCO aproveita a oportunidade para lembrar que o respeito à diversidade é fundamental. Uma vez que as pessoas se tornam capazes de compreender a riqueza que existe na diversidade, a humanidade avança na construção de valores essenciais para a paz, como o pluralismo, a inclusão e a tolerância, conforme estabelecido na Declaração de Princípios sobre a Tolerância, aprovada pelos Estados-membros da UNESCO em 1995. “Mais do que nunca, nós devemos respeitar, celebrar e valorizar a rica diversidade de culturas do nosso mundo, bem como reconhecer os direitos humanos e as liberdades fundamentais das pessoas, para que possamos efetivamente não deixar ninguém para trás”, afirma Marlova Jovchelovitch Noleto.
Assista ao vídeo da ação:
