As medidas de isolamento social impostas pela pandemia proporcionaram um ambiente favorável à criação de mais fintechs e bancos digitais especializados em tecnologia e serviços por aplicativo. É o que mostra dados do Banco Central. Segundo a entidade, pelo menos 40 instituições financeiras iniciaram suas atividades em 2020. Mas o que essas empresas podem esperar de 2021?
Confira abaixo alguns dos principais desafios e tendências que serão enfrentados pelas fintechs este ano:
Pix
Lançado há pouco mais de dois meses, a nova ferramenta para pagamentos instantâneos já foi usada por mais de 44 milhões de pessoas e 3 milhões de empresas, superando as expectativas do Banco Central. Em 2021, a tecnologia deve ganhar ainda mais visibilidade, impactando outras formas de pagamento. Para o CEO da fintech Asaas, Piero Contezini, as maquininhas de cartão de crédito, por exemplo, provavelmente começarão a cobrar taxas mais competitivas. “Por outro lado, a crescente adesão ao sistema também traz uma necessidade de reinvenção por parte das empresas do setor financeiro, que precisarão continuar gerando valor ao cliente em um cenário onde a movimentação do dinheiro em si não será mais uma barreira”, reforça o executivo.
Open Banking
Indo além dos bancos, o open finance permite que várias organizações possam oferecer produtos financeiros, obedecendo regulações pré-estabelecidas, o que torna o cliente dono de seus próprios dados. “Os grandes bancos têm hoje o que pode ser considerado um monopólio de dados, devido à concentração de consumidores. Quando há uma abertura, ou seja, o cliente pode escolher compartilhar suas informações bancárias com qual instituição escolher, sendo ela fintech ou não, passa a existir uma expansão do mercado, gerando mais competição e possibilitando a entrada de novos players, com novos serviços, novas tecnologias que vão revolucionar o dia a dia do consumidor”, explica o CEO da fintech open banking Transfeera, Guilherme Verdasca.
Investimentos
Seguindo as tendências econômicas de taxas de juros baixas e a demanda crescente por digitalização, os investimentos em fintechs devem aumentar em 2021, na visão de Marcelo Wolowski, diretor do Grupo de Investimentos da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). “Existe uma tendência de mais investimentos em qualquer segmento voltado à digitalização e democratização do acesso aos serviços financeiros e também outros que estejam baseados em mobilidade. Um dos desafios para as fintechs é atrair novas rodadas de investimentos de alto valor em um mercado no qual grandes players prevalecerão. Ao mesmo tempo, muitas empresas de software consolidadas, que já tem o seu próprio ecossistema construído, passarão a oferecer serviços financeiros aos seus clientes”, afirma o executivo.
Mão de obra
O problema da falta de mão de obra qualificada percorre todos os setores de tecnologia — entre eles o financeiro. De acordo com o CEO e fundador da Leve, Gustavo Raposo, a contratação de profissionais será ainda mais desafiadora em 2021 pelo impacto das últimas mudanças nos modelos de trabalho. “Com o home office e o real desvalorizado, muitos desenvolvedores já estão atuando em empresas de fora do país. Sabemos que não faltam vagas, mas sim pessoas capacitadas para atuar no mercado”, explica Raposo. Porém, segundo ele, a situação é uma faca de dois gumes. “Ao mesmo tempo que o trabalho à distância pode estar levando talentos para o exterior, ele também amplia nossa gama de possibilidades dentro do país”, complementa.
Novos mercados
Nesse sentido, o CEO e fundador da Payface, Eládio Isoppo, afirma que as fintechs que se arriscam em novas soluções serão as mais procuradas por investidores em 2021, assim como por grandes corporações em busca de transformação digital. Para Isoppo, em razão do crescimento na busca por tecnologias touchless, que reduzem o risco de exposição aos vírus e bactérias, novas formas de pagamentos estarão cada vez mais em alta. “Tecnologias como as de aproximação e o novo PIX irão chamar atenção este ano. A pandemia trouxe múltiplas mudanças no dia a dia da população, não deixando de afetar a forma como fazemos compras”, explica.
