Pela 1ª vez desde 2015, a participação global do Google no mercado de buscas caiu abaixo do patamar de 90% no último trimestre de 2024, segundo dados da Statcounter. Essa tendência continuou ao longo de 2025, com exceção de fevereiro, quando a participação foi de 90,15%.
A queda sugere que não é algo passageiro, mas sim um reflexo da intensificação da concorrência e das novas preferências dos usuários.
Num cenário em que o Google parecia imbatível, começam a surgir fissuras.
Segundo a Statcounter, em abril de 2025, outros buscadores como o Yahoo têm 1,33% do mercado global, o Yandex 2,49%, e o DuckDuckGo, voltado para privacidade, 0,79%.
“Essa queda pode parecer pequena, mas pela regularidade dos últimos meses, é claramente uma tendência”, afirma Noam Dorros, analista da consultoria Gartner. “Embora não possamos atribuir diretamente essa mudança aos buscadores com inteligência artificial, como Perplexity ou SearchGPT, pode ser um sinal de que o público mais jovem está se tornando mais relevante nesse espaço e recorrendo a opções alternativas”.
O Google não respondeu diretamente ao pedido de comentário.
Por muito tempo, a empresa dominou o principal acesso à informação na internet, o que gerou investigações antitruste ao longo dos anos. O Departamento de Justiça dos EUA, ainda sob medidas iniciadas durante o governo Trump, continua pressionando por uma divisão da suposta posição monopolista do Google, aumentando a pressão regulatória sobre sua liderança no mercado.
Um ano depois: visões de IA do Google ainda não prejudicam gravemente os editores
Enquanto isso, concorrentes nativos de IA estão aquecendo a disputa. Novos nomes como Perplexity e o ChatGPT Search da OpenAI desafiam o modelo tradicional, enquanto o Bing, da Microsoft – impulsionado pela integração com o modelo de linguagem da OpenAI – alcançou 4% de participação no primeiro trimestre deste ano.
Apesar disso, o Google ainda registra impressionantes 5 trilhões de buscas por ano, segundo um post publicado em março por Vidhya Srinivasan, vice-presidente e gerente geral de anúncios e comércio do Google. A empresa lançou sua experiência de busca com inteligência artificial, chamada “AI Overview”, há cerca de um ano e, desde então, o número de buscas com intenção comercial aumentou, segundo ela.
Por outro lado, os editores demonstram preocupação com o impacto a longo prazo do AI Overview – temendo que ele responda às perguntas dos usuários de forma tão eficaz que acabe reduzindo o tráfego que eles recebem do Google. Os primeiros dados indicam que há uma queda na taxa de cliques, mas ela parece pequena e varia bastante conforme o tipo de conteúdo, como já relatado pela ADWEEK.
Concorrentes como a Perplexity e a OpenAI já firmaram acordos de divisão de receita com alguns editores, tentando amenizar esse tipo de receio. O Google, até agora, não anunciou acordos semelhantes.
“Não é segredo que o Google está na defensiva há alguns anos, seja por críticas à queda na relevância dos resultados de busca, seja pelo atual processo por monopólio”, conclui Dorros. “Este é um momento crítico para a empresa”.

Foto: AdWeek
Fonte: AdWeek
