Uma ampla maioria dos consumidores continuará utilizando chatbots de inteligência artificial mesmo com a inclusão de anúncios em troca de acesso gratuito às informações, aponta uma nova pesquisa. Ainda assim, a confiança nas plataformas permanece como ponto sensível.
A consultoria Forrester ouviu 409 adultos on-line nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, por meio de seu painel ConsumerVoices. Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados afirmaram que aceitariam anúncios para utilizar versões gratuitas dos serviços.
Anúncios em IA importam?
Embora ainda existam incertezas sobre o formato e a integração dos anúncios nas respostas geradas por chatbots, é evidente que a publicidade será um dos caminhos para custear os elevados investimentos necessários ao desenvolvimento da tecnologia.
A OpenAI, por exemplo, aposta que a inserção de anúncios no ChatGPT ajudará a financiar os cerca de US$ 1,4 trilhão previstos em custos de computação. De acordo com projeções divulgadas, a empresa estima que aproximadamente 8,5% de sua base de usuários, cerca de 220 milhões de pessoas, optem por um plano premium sem publicidade.
Já a Anthropic reafirmou que não pretende adotar anúncios, concentrando sua estratégia no mercado corporativo. São, portanto, abordagens distintas de monetização para uma tecnologia em rápida expansão. Ainda não está claro como esse cenário evoluirá, mas a experiência do usuário tende a mudar. Para as marcas, o desafio será avaliar cuidadosamente como garantir visibilidade nessas novas interfaces.
Em janeiro, a OpenAI anunciou planos para introduzir anúncios no ChatGPT, apesar de declarações anteriores do CEO Sam Altman de que a empresa não adotaria esse modelo. A Microsoft já opera anúncios no Copilot; o Google iniciou testes de publicidade no AI Mode no ano passado; e o modelo de negócios da Perplexity passa por ajustes. A Anthropic, por sua vez, reforçou que priorizará clientes corporativos.
Segundo a Forrester, os entrevistados se mostraram “Geralmente sensíveis a anúncios que confundem a linha entre informação útil e promoção paga.”. Apenas 6% afirmaram que migrariam para um plano pago para evitar anúncios.
Em perspectiva: OpenAI, Anthropic e o futuro da busca
A mudança de postura da OpenAI em relação à publicidade gerou questionamentos. A empresa precisará convencer usuários de que os anúncios não influenciarão as respostas do ChatGPT, em um contexto em que a desconfiança em relação às grandes empresas de tecnologia já é elevada. Pesquisa do Gallup, citada por Nate Silver em análise recente sobre IA, mostrou que o percentual de pessoas que afirmam ter “a great deal” ou “a large amount” de confiança nas grandes empresas de tecnologia caiu de 32% para 24% entre 2020 e o ano passado.
O comercial da OpenAI no Super Bowl buscou enfrentar essa questão, mas parte da atenção se voltou para a rival Anthropic, que ironizou as ambições publicitárias da concorrente em suas próprias campanhas, um movimento que evidencia a tensão competitiva no setor.
O debate é relevante porque a busca baseada em modelos de linguagem, em que chatbots oferecem respostas conversacionais, avança rapidamente e pode alterar profundamente o ecossistema publicitário, historicamente sustentado por SEO.
Recentemente, a Future, proprietária do site de comparação Go Compare, viu suas ações recuarem após investidores manifestarem preocupação com a possibilidade de cotações de seguros serem obtidas diretamente no ChatGPT.
Nos resultados fiscais de 2025, a Future informou que, em 2019, 67% de sua audiência vinha da busca do Google. Hoje, esse percentual caiu para 27%. A empresa também destacou que resumos de IA já impactam 50% de seus principais termos em SEO. Como o mercado sabe, anunciantes seguem onde está o público, e as empresas de IA, como a OpenAI, apostam que o custo para atuar nesses novos ambientes será elevado.

Foto: Freepik
Fonte: WARC
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