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Streaming encarece e pressiona orçamento das famílias
16 de Janeiro de 2026

Streaming encarece e pressiona orçamento das famílias

Fenômeno da “streamflation” ganha força

O custo dos serviços de streaming de vídeo tem crescido em ritmo mais acelerado do que o de outras assinaturas digitais, fenômeno que vem sendo chamado de “streamflation”. O movimento é mais evidente nos Estados Unidos e levanta dúvidas sobre a sustentabilidade de aumentos frequentes e expressivos em um cenário de pressão crescente sobre os orçamentos familiares.

Dados divulgados nesta semana pelo Bureau of Labor Statistics, órgão oficial de estatísticas dos Estados Unidos, mostram que a categoria “assinaturas e aluguel de vídeo e videogames”, que inclui os serviços de streaming, registrou alta de 19,5% entre novembro e dezembro do ano passado. No mesmo período, a inflação mensal geral no país foi de apenas 0,3%.

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Para efeito de comparação, os preços das assinaturas de música, como o Spotify, subiram 1,1%, percentual idêntico ao reajuste aplicado a serviços de TV a cabo, satélite e transmissões ao vivo, segundo dados do The Hollywood Reporter. O contraste evidencia como o streaming de vídeo tem pressionado mais intensamente o bolso dos consumidores.

Reajustes semelhantes também foram registrados no Reino Unido, embora partindo de patamares mais baixos do que os observados nos Estados Unidos. Especialistas apontam que os aumentos estão ligados à elevação dos custos de produção e, principalmente, à disputa por direitos de transmissão de eventos esportivos e grandes produções ao vivo.

Em agosto, a Apple TV+ elevou o valor de sua assinatura em £1, chegando a £9,99. Apesar de parecer um reajuste discreto, o preço do serviço praticamente dobrou desde 2019. A Netflix, por sua vez, adotou aumentos anuais e opera com diferentes planos, com e sem publicidade. No Reino Unido, o plano mais caro custa £18,99, enquanto nos Estados Unidos o valor chega a US$ 24,99.

No mesmo intervalo, a receita global da Netflix cresceu 537,33% entre 2015 e 2025, evidenciando a força econômica do modelo. Ainda assim, o impacto no consumidor é significativo. Segundo um editor de insights de consumo da CNET, o gasto médio mensal das famílias americanas com assinaturas já alcança US$ 90.

No Reino Unido, o valor é consideravelmente menor: cerca de £175 por ano por domicílio com streaming de filmes e séries, de acordo com dados do Barclays referentes a 2025.

O constante aumento dos preços

O encarecimento do streaming ocorre em um contexto de forte pressão financeira sobre os consumidores. Pesquisa do Barclays indica que 89% das pessoas afirmam estar preocupadas com o aumento generalizado das contas domésticas. Embora o levantamento tenha sido realizado no Reino Unido, o cenário é semelhante nos Estados Unidos.

Diante desse ambiente, a escalada nos preços dos serviços de streaming se torna um ponto de atenção para a indústria. À medida que os consumidores reduzem gastos, cresce a tendência de revisar e cancelar assinaturas, processo conhecido como churn. No Reino Unido, as taxas de cancelamento já atingiram níveis recordes.

Segundo uma pesquisa analisada em um estudo exclusivo da WARC, o churn global gira em torno de um terço dos assinantes, enquanto o público consome mais de 927 milhões de horas de conteúdo por dia em plataformas de streaming.

O levantamento aponta que usuários satisfeitos têm probabilidade significativamente menor de cancelar serviços, mesmo sendo, em média, assinantes de mais plataformas. Além disso, esses consumidores demonstram maior receptividade à publicidade, avaliando os anúncios como mais atrativos, adequados em volume e de melhor qualidade. Eles também tendem a interagir mais com as campanhas exibidas.

Foto: Freepik

Fonte: WARC

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