A onda de nostalgia dos anos 1990 está levando a Geração Z a incluir tocadores de CD em suas listas de presente: um sinal de como cultura e comunidade moldam o comportamento de consumo, mesmo entre quem acredita estar imune às influências do mercado: os adolescentes.
Embora ainda sem comprovação científica, há sinais de que os CD players voltaram ao radar, não entre aqueles que cresceram com eles, mas entre jovens que nunca os usaram. O interesse tem aparecido até nas listas de Natal de muitos adolescentes.
E há dados que sustentam o movimento. Um relatório divulgado este ano pela Vinyl Alliance mostrou que a Geração Z (18 a 24 anos) é hoje a principal força por trás das vendas de música física… vinis, CDs e toca-discos:
- Em uma pesquisa com 2.500 fãs de vinil, 76% dos jovens disseram comprar discos ao menos uma vez por mês, e 80% afirmaram possuir um toca-discos;
- 84% preferem comprar discos presencialmente, e mais da metade (57%) valoriza a experiência em loja e demonstra interesse em eventos comunitários relacionados ao vinil;
- Para 76%, ter uma cópia física da música é o principal motivo da coleção;
- Apesar da queda geral na venda de CDs, tocadores com Bluetooth mostram “resiliência e crescimento”, abrindo espaço para inovação e novas estratégias de marketing.
Nostalgia?
O interesse renovado por mídias físicas não é exatamente novo, o vinil já vive uma retomada há anos. A diferença agora é que esse impulso vem majoritariamente dos mais jovens.
Para marcas e estrategistas, a pergunta central é: por quê?
Essas mudanças de comportamento são complexas, mas um fator evidente é a busca por pertencimento. A era das longas tardes vasculhando prateleiras na Tower Records pode ter ficado no passado, mas a música ainda é um poderoso ponto de conexão e comparar playlists no Spotify não gera a mesma sensação de vínculo.
A busca por comunidade se estende a diversas áreas: de clubes de leitura a grupos de corrida.
Além disso, tendências nostálgicas dos anos 1990, como o sucesso dos Labubus ou o retorno dos CDs, funcionam como forma de escape do que especialistas chamam de “fadiga do doomscroll”, tema aprofundado no Marketer’s Toolkit. A McCann Worldgroup estima que a economia do escapismo deve movimentar US$ 13,9 trilhões até 2028.
O contexto: a cultura como força de influência
Marcus Collins, estrategista e colaborador frequente da WARC, argumenta que o motor central desse fenômeno é “a força de influência da cultura”. Marcas tentam se conectar a esses movimentos culturais, mas raramente conseguem fazê-lo de forma autêntica.
“Minha regra para entrar na cultura sempre foi enxergar comunidades como um espaço para oferecer, não para tomar”, escreve Collins em um artigo de opinião. “Devemos participar contribuindo com elementos culturais que façam sentido para aquele grupo, mas sendo fiéis a quem somos.”
A lição vale tanto para marcas que buscam aproveitar o movimento nostálgico da Geração Z quanto para aquelas que desejam entrar em espaços culturais aquecidos, como comunidades no Reddit.

Foto: Freepik
Fonte: WARC
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