Metaverso: uma palavra tão curta e que tem ganhado, cada vez mais, destaque na indústria tecnológica.
Porém, vale salientar que tal termo não é exatamente novo. Ele foi introduzido por Neal Stephenson em seu livro ‘Snow Crash’, publicado em 1992. Nessa obra, o autor descreve um mundo virtual imersivo, onde os usuários podem explorar e viver uma realidade diferente por meio de seus avatares, com novos nomes e profissões, por exemplo.
Pensando nisso, o IAB Brasil deciidu lançar o whitepaper “O metaverso em evolução: conceitos e perspectivas de uma tecnologia em desenvolvimento”, com o objetivo de fornecer uma compreensão mais aprofundada dos conceitos relacionados ao tema. No documento, o pesquisador Matthew Ball (2021) afirma que o metaverso será caracterizado por:
Persistência: O metaverso nunca reinicia, pausa ou termina, mas continua indefinidamente.
Sincronicidade e tempo real: Será uma experiência contínua e em tempo real, existindo consistentemente para todos os usuários.
Número ilimitado de usuários: Não haverá limite para o número de usuários simultâneos, o que permite que todos participem juntos e ao mesmo tempo, proporcionando uma sensação individual de presença.
Economia funcional: Indivíduos e empresas poderão criar, comprar, investir, vender e ser recompensados por uma ampla gama de trabalhos que produzem valor reconhecido por outros. Integração digital e física: O metaverso abrangerá tanto o mundo digital quanto o físico, incluindo redes e experiências privadas e públicas, bem como plataformas abertas e fechadas.
Interoperabilidade de dados e ativos digitais: Os dados, itens/ativos digitais e conteúdos poderão ser compartilhados e utilizados em diferentes experiências e plataformas. Por exemplo, a skin de personagem em um jogo poderia ser utilizada em outros contextos ou presenteada a um amigo por meio das redes sociais.
Criação e operação colaborativa: O metaverso será povoado por “conteúdos” e “experiências” criados e operados de forma colaborativa por indivíduos independentes, grupos informalmente organizados ou empresas.
É fundamental reconhecer que o metaverso não se resume a ser um jogo ou uma simples experiência on-line. O metaverso seguirá uma abordagem semelhante, abrangendo um conjunto diversificado de elementos e interações comunicativas.
De acordo com Matthew Ball, atualmente podemos identificar três desafios principais que precisam ser trabalhados para avançarmos nesse quesito:
Infraestrutura para simultaneidade
No momento, não existe tecnologia que permita a participação de centenas, ou mesmo milhões, de pessoas em uma experiência compartilhada e síncrona. A maioria dos sistemas da internet foi projetada para a comunicação entre servidores ou dispositivos individuais dos usuários.
Embora alguns jogos tenham conseguido altas taxas de simultaneidade ao longo dos últimos vinte anos, eles alcançaram esse feito dividindo os usuários em diferentes “mundos” e servidores. Isso significa que cada jogador interage apenas com um pequeno grupo de outros jogadores, e viajar para diferentes locais implica desconectar-se de um servidor para conectar-se a outro. Várias empresas estão trabalhando para resolver essa questão, mas isso representa um desafio computacional significativo.
Padrões, Protocolos e sua Adoção
A interoperabilidade e as experiências sincronizadas em tempo real exigirão a definição de padrões, formatos e protocolos comuns. E embora a internet atual seja construída sobre padrões abertos, uma parte significativa dela ainda é fechada e proprietária.
Estabelecer consenso na indústria em relação à segurança de dados, persistência de dados, evolução de código compatível com versões futuras e transações será desafiador. À medida que o metaverso se torna mais valioso e interoperável, torna-se ainda mais difícil estabelecer um conjunto comum de regras. Além disso, será necessário desenvolver novas normas relacionadas à censura, controle de comunicações, fiscalização regulatória, relatórios fiscais, prevenção de radicalização online e outros desafios que ainda enfrentamos atualmente.
Transformação do espaço digital
Os consumidores não adotarão o metaverso simplesmente porque ele está disponível. Assim como as redes sociais se popularizaram ao longo dos anos, o metaverso precisa ser “povoado”, em vez de apenas “povoável”.
Por exemplo, jogos de mundo aberto como Roblox, Fortnite e GTA V começaram como jogos, mas evoluíram rapidamente para espaços sociais. Os jogadores não se envolvem apenas para “jogar”, mas também para estar com seus amigos virtuais e do mundo real. Assim como as gerações passadas passavam horas conversando ao telefone, os adolescentes de hoje em dia passam tempo com seus amigos nos jogos. Para que o metaverso seja adotado e bem-sucedido, é crucial criar um ambiente digital que ofereça uma variedade de atividades e conteúdos interessantes para os usuários.
A transformação do espaço digital requer não apenas a existência do metaverso, mas também uma comunidade engajada que o utilize como um local de encontro e interação social. À medida que mais pessoas participam e contribuem com suas experiências, o metaverso se tornará um espaço capaz de atrair um público diversificado e mantê-lo envolvido.
É importante lembrar que a construção do metaverso é um processo contínuo e em constante evolução. À medida que novas tecnologias surgem, novos recursos são desenvolvidos e novas possibilidades se apresentam, o metaverso continuará a se transformar e se expandir. É um desafio que exigirá colaboração entre empresas, pesquisadores, desenvolvedores e usuários para moldar e aprimorar o metaverso conforme avançamos rumo a essa nova fronteira digital.
Confira aqui o material completo acerca desse tema tão relevante e discutido na atualidade.
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