Por Anthony Johann*
O maior buscador do mundo acertou mais que as tradicionais pesquisas eleitorais.
Fundado em 1998, o Google é a maior referência na busca de informações no cenário mundial. Desbancando o clássico modelo de enciclopédias e almanaques, ao Google é atribuído o ônus da democratização da informação. Mas qual a ligação entre o Google e o pleito eleitoral de 2012? A resposta é simples e óbvia: o buscador foi uma fonte de informações sobre propostas, histórico e opiniões dos candidatos.
Porém o que poucos sabem, é que tudo que é pesquisado no Google fica armazenado, e que estes dados são públicos para que profissionais de marketing possam entender quais são as tendências de busca da população. Perguntas como “Qual é o candidato mais pesquisado no Google?”, “Qual o site mais acessado?” ou ainda “Quais propostas estão sendo mais buscadas?” podem ser facilmente respondidas através deste banco disponibilizado pela ferramenta de busca.
A Agência Hive, empresa responsável pelo Marketing Digital dos candidatos eleitos em Joinville (Udo Döhler – PMDB) e Lages (Elizeu Mattos – PMDB) realizou uma pesquisa e confirmou: o Google acertou mais que institutos tradicionais de pesquisa. A velocidade das informações, a ampla penetração da internet com a popularização da banda larga e o boca a boca gerado pelos tópicos discutidos na internet são fatores que, na opinião de Anthony Johann, Planner da Agência Hive, foram decisivos para a exatidão dos índices divulgados pelo Google, que nada mais é que a representação da vontade das pessoas, que agora mais conectadas passaram a buscar mais informações.
Para iniciar, vejamos o caso do primeiro turno em Joinville. Em cores vermelhas, o até então prefeito Carlito Mers; em cores verdes, Marco Tebaldi; em amarelo queimado Kennedy Nunes; e em azul o prefeito eleito Udo Döhler. O ponto marcado como 1 demonstra o crescimento do candidato Kennedy Nunes na reta final, ultrapassando o pmdebista então apontado como primeiro lugar nas pesquisas: o primeiro erro dos institutos. Vale observar também no gráfico o crescimento do gráfico vermelho de Carlito na reta final do primeiro turno.
No segundo turno, todas as pesquisas apontavam o candidato do PSD como primeiro colocado, porém o que os dados do Google mostravam era diferente. O nome do ex-presidente da ACIJ, Udo, era pesquisado muitas vezes com o dobro da intensidade Kennedy. O resultado do Google foi muito parecido aos dados de pesquisa divulgados pelo buscador e muito contradizentes com os divulgados pelos institutos.
Vejamos agora o cenário na capital de Santa Catarina, Florianópolis, analisando o cenário com os três principais candidatos. No ponto o 1, os dados fornecidos pelo Google já apontavam o crescimento de Gean Loureiro (amarelo queimado) em uma curva muito íngrime. Ângela Albino (vermelho) manteve-se em uma constante no interesse de busca do eleitor, porém não foi suficiente para conter o crescimento do candidato César Souza Júnior (azul) o qual sempre liderou o interesse de busca. Já no ponto 2, o crescimento de Gean continuou e em alguns momentos teve intersecção com a linha azul de César Souza Júnior. Mas a duas semanas da votação a vantagem de César Souza no Google já era evidente.
Essa realidade também pode ser vista na eleição de Lages, onde o candidato Antônio Ceron, mesmo sendo derrotado, teve um intenso crescimento nos últimos dias de campanha.
Apesar da precisão do Google em estimar vitoriosos neste pleito, o que se deve ficar como aprendizado a todos os candidatos e partidos é o interesse da população em buscar conhecer mais sobre as propostas, passado e referências dos eleitoráveis. As coordenações de campanhas devem ficar atentas a esse novo fator na captação do sufrágio: a internet e as Redes Sociais vieram para ficar e merecem tanta atenção quanto a TV, e em muito pouco tempo, talvez até mais.
*Anthony Johann, publicitário Diretor de Planejamento e Coordenador das Ações em Política da Agência Hive de Florianópolis em 2012.



