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O que Elon Musk pode ganhar e o que nós podemos perder com a venda do Twitter?
25 de Abril de 2022

O que Elon Musk pode ganhar e o que nós podemos perder com a venda do Twitter?

por Fabiano Goldoni*

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Twitter Whatsapp Facebook

Este artigo foi publicado originariamente no dia 18 de abril. Publicamos novamente em 25/4 ao ter sido confirmada a venda integral da plataforma.

O bilionário Elon Musk quer comprar o Twitter. Não uma parte das ações. Mas toda a empresa.

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A oferta de USD 43 bilhões veio depois da compra de cerca de 9% das ações da empresa e de uma tentativa de entrar para o conselho de administração. Pelo visto, ele não é tão popular entre os acionistas como imaginava.

Não vou entrar agora no mérito ético de uma das redes sociais mais influentes do mundo parar nas mãos de quem já usou esta mesma rede para manipular preço de criptomoedas, manifestar suas visões colonialistas e também proferir ofensas bem pesadas. Mais adiante entraremos neste tópico. Agora, vamos olhar para as razões e os efeitos desse movimento do ponto de vista técnico dos negócios na era digital.

O Twitter é uma rede social bastante barulhenta, capaz de influenciar eleições, decisões de políticos e personalidades. Talvez a principal plataforma de “cancelamento social” hoje. Mas ainda não pode ser considerada uma “bigtech” em comparação a Google, Facebook e Microsoft. O valor de mercado do Twitter é de aproximadamente USD 40bi. Enquanto as três acima já ultrapassaram USD 1 trilhão de valor de mercado. Para ser big, a tech Twitter ainda precisa de muita farofa no prato.

Será que o Twitter está barato?

Acredito que já está bastante óbvio para quem acompanha as notícias sobre tecnologia e negócios que o objetivo do Elon Musk é a consolidação de um negócio global com diversas frentes de atuação: mobilidade, energia, telecomunicações e até exploração espacial. Porém para atingir o patamar de influência de Google, Facebook, Microsoft e Amazon é preciso ter recursos mais valiosos do que investidores e dinheiro. É preciso ter mais dados para desenvolver produtos e serviços. Ou seja, ter mais pessoas circulando sob seus domínios. A Starlink é um caminho para isso, mas o negócio ainda não ganhou a escala necessária.

A dominação dos dados de bilhões de pessoas é o que fez a Amazon comprar a plataforma de streaming Twitch, o IMDB.com e outras plataformas e empresas de comunicação, inclusive o jornal Washington Post. Segundo um relatório da CB Insights, a Amazon se prepara para entrar em diversos outros negócios com capacidade de dominar segmentos inteiros de produtos e serviços.

A Apple também entendeu essa lógica dos dados ao dificultar o acesso das plataformas de mídia aos dados dos usuários de iPhone (Comentei bastante sobre isso neste artigo aqui).

Podemos concluir que além do discurso de transformar o Twitter em um ambiente livre de censura, como o próprio candidato a dono disse, a plataforma também pode agregar bem mais para os negócios do CEO da Tesla. Então, sim, 43 bi é muito barato perto do retorno sobre o investimento nos nossos dados. Tanto que o príncipe saudita que detém a maior parte das ações disse que a oferta não chega perto do valor intrínseco do Twitter.

Quanto valem os seus usuários?

Essa oferta de compra do Twitter me fez pensar em como calculamos o valor das empresas hoje. Tradicionalmente, nos baseamos em métricas financeiras, como receita operacional, margem de contribuição, ebitda, etc. O que é a forma mais lógica de avaliar a saúde e potencial de qualquer negócio. Mas olhando pela perspectiva do potencial do uso de dados para gerar recorrência, atrair novos usuários e desenvolver novos negócios, podemos dizer que o volume de usuários é uma métrica a ser considerada hoje em dia. Foi essa a motivação do Mark Zuckerberg em pagar USD 19 bi pelo Whatsapp, quando era uma empresa praticamente sem qualquer receita.

Usuários não valem muito sem tecnologia. Se você não for capaz de capturar e tratar os dados desses usuários, de nada vai adiantar ter uma base gigante. O potencial de desenvolvimento de negócios com uma base de usuários está diretamente conectado com a capacidade de compreender suas necessidades, hábitos, desejos e tudo mais relacionado ao seu comportamento. Por isso, a compra do Twitter aporta muito mais do que uma grande base de usuários para o conglomerado de Elon Musk. Traz também a capacidade de processar nosso rastro de comportamento na plataforma e ainda reduzir a curva de aprendizado para fazer o mesmo com os outros negócios dele. Mas eu acredito que isso não é o mais importante. O ponto que é preciso observar é a capacidade de influência do Twitter.

Máquina de influência nas mãos erradas

O processo de investigação do Facebook pela justiça, congresso e senado americano por conta de diversos eventos relacionados a manipulação de informação, que culminaram na invasão do congresso dos EUA, é um alerta sobre a responsabilidade na gestão de plataformas capazes de influenciar grupos extremistas. Tornar o Twitter uma empresa de capital fechado nas mãos de um único acionista é algo que precisamos debater independente de quem for a pessoa. São grandes as possibilidades do dono soberano do Twitter usar a plataforma para seu benefício próprio.

Hoje o Twitter é uma plataforma infestada de bots que são usados para impulsionar discursos de ódio, ideologia antivacina, entre outros temas que desestabilizam as democracias em diversos países do mundo ocidental. Imagine se essa poderosa ferramenta de influência cair nas mãos erradas. Então, fica a pergunta: Elon Musk é a melhor pessoa para ser o dono soberano do Twitter? Os acionistas já deram o seu parecer.

O que fazer caso o Elon Musk queira comprar a sua empresa?

O Twitter não é a primeira empresa que recebe uma oferta não solicitada de compra total das ações por parte de Elon Musk. Deixo aqui um relato de um empreendedor que passou por essa mesma situação e oferece algumas dicas para quem receber o mesmo tipo de assédio financeiro. E você? Venderia todo seu negócio para alguém que não compartilha os mesmos valores e objetivos que você?

Foto:Pixabay 

* Fabiano Goldoni – Empreendedor Co-fundador da do Clube de Habilidades e da Alright Adtech, empresa GPTW, Scale-Up Endeavor e investida pelo fundo Criatec3 através da KPTL. Especialista em growth, mentor e palestrante em diversos eventos nacionais sobre inovação e marketing.

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