
por Igor Campos*

André Balaban inicia a série questionando a autenticidade da criatividade dos geradores de texto com inteligência artificial (1) . Em resposta, Fred Perillo provoca a reflexão sobre se a criação ainda pertence exclusivamente aos humanos (2) . Finalmente, André faz a tréplica, revisitando a metáfora do peixe em aquário, que não percebe a vastidão do oceano, para destacar a importância de explorar a criatividade em um mundo tão dependente da tecnologia (3). Debates sobre a relação entre IAs e criatividade humana são explorações instigantes. Mas, para os profissionais de comunicação, o potencial dessa tecnologia vai além.
Tanto André quanto Fred se concentram somente no ato de “criar” ou “reciclar” textos com base ou nos que já existem e o “robô” apreendeu, ou na criatividade humana.
Creio que essa abordagem é limitante, pois não explora todo o potencial dos LLMs. Meu objetivo aqui é ampliar a discussão e mostrar que o uso dessas ferramentas pode ir muito além da mera repetição ou inspiração do que já foi escrito, abrindo espaço para inovações e novas possibilidades criativas. No entanto, isso envolve adentrar no universo que os redatores publicitários e marqueteiros insistem em afirmar que os subsidia, mas que, na prática, é o monstro que mais os amedronta: os dados.
O universo dos dados a que me refiro é um vasto conjunto de informações coletadas de diversas fontes, como interações online, declarações da imprensa, comportamento do consumidor/eleitor e tendências de mercado e cultura. Essas informações são analisadas por meio de ciência de dados: técnicas estatísticas e computação avançada, permitindo que profissionais de publicidade e marketing identifiquem padrões, segmentem audiências e personalizem mensagens.
Ou seja, tudo o que as agências dizem fazer ao embrulhar um produto chamado “monitoramento” em um pacote charmoso e cobrar caro por isso. Mas, e aí faço finalmente a minha provocação: de fato não fazem.
Ao subsidiar decisões estratégicas, os dados proporcionam insights valiosos que potencializam campanhas, maximizam o retorno sobre investimento e aprimoram a experiência do consumidor, criando um ciclo contínuo de feedback que alimenta novas ações e sugere ajustes em tempo real. Além disso, ferramentas de inteligência artificial, como os LLMs, podem ser integradas a esse processo para interpretar grandes volumes de textos, automatizar reportes e gerar insights inovadores a partir dos dados avaliados.
Então, se você, profissional do marketing e da comunicação, quer mesmo antecipar uma tendência, antever um movimento, enfim, criar algo: apoie-se em dados e use as “IAs” a seu favor.
*Igor Campos é Mestre em Sociologia Política pela UFSC e cofundador da Eldonita Inteligência.
www.eldonita.com.br
