É importantíssimo saber que o low code é o ponto que ajuda uma solução personalizada ser viável financeiramente ou não e esse tipo de solução cresceu e se adaptou às necessidades dos negócios.
por Rodrigo Vaca, diretor-geral da Zoho Brasil

E como não tem uma prateleira de desenvolvedores no mercado brasileiro, observamos um grande número de vagas disponíveis para esses profissionais, mas poucos disponíveis para ocuparem esses cargos. O low-code acabou ganhando espaço como alternativa aos métodos tradicionais de codificação.
Analisando o mercado, observamos que muitos profissionais da área de low-code não eram desenvolvedores antes, sendo muitas dessas pessoas que trabalhavam em setores diferentes, mas sendo entusiastas de tecnologia acabaram migrando para essa área, especialmente porque a curva de aprendizado em low-code é baixa e rápida, facilitando o aprendizado.
Low-Code já é alternativa mais viável para empresas
Com o avanço da tecnologia e a necessidade de digitalização das empresas cada vez mais forte, é importante pontuar que o low-code passou a ser um dos principais em relação ao desenvolvimento de softwares. É importantíssimo saber que o low code é o ponto que ajuda uma solução personalizada ser viável financeiramente ou não e esse tipo de solução cresceu e se adaptou às necessidades dos negócios.
No passado, o desenvolvimento em low-code era visto como pequeno, uma forma de atender pequenos problemas que precisam de automação. Já nos dias atuais, essa forma de codificação resolve problemas grandiosos que só uma linguagem convencional resolvia antes. Então, você vê que ela está invadindo o mercado de soluções personalizadas que, há tempos, eram só de linguagens conhecidas, como Java e PHP.
Segundo estudo da consultoria Gartner, até 2024, cerca de 65% dos softwares no mundo serão desenvolvidos a partir do low-code. Ou seja, não podemos mais acreditar que é só uma tendência. Até 2025 nós temos só 3 anos, e isso significa que já é uma realidade. E é uma realidade até mesmo para o profissional desenvolvedor entender que se ele não aprender agora, ele vai ser forçado a aprender logo.
Mercado global de low-code
Com a escassez de profissionais no mundo, era comum que a demanda de pessoas qualificadas fosse grande, mas a oferta não conseguia corresponder. Dessa forma, mercados locais acabaram sendo prejudicados já que grandes empresas ofereciam propostas tentadoras para os profissionais.
Hoje, no entanto, não existe mais a diferenciação entre o mercado nacional e o mercado internacional, tendo hoje um mercado globalizado. Uma vez que se tem um profissional em home office, fortalecido por conta da pandemia, a ideia de se ter um profissional que pode produzir em qualquer lugar do mundo, tornou o profissional cada vez mais globalizado. Logo, a tendência de não ter profissionais de desenvolvimento é real no mundo todo. No Brasil temos uma média de 70 mil vagas por ano – que nunca vão ser preenchidas – e, no mundo, estamos falando de mais de 350 mil. Então, em todo lugar as pessoas precisam de profissionais especializados.
A diferença de manter um profissional bom trabalhando para uma empresa no Brasil ou para uma empresa de fora são justamente as taxas cambiais. Se nós pegarmos o que ganha um profissional nos Estados Unidos, algo em torno de 2 mil dólares, são quase 10 mil reais, e é difícil pagar isso para um desenvolvedor júnior no Brasil. Assim, acabamos tendo um mercado nacional inflacionado, onde desenvolvedores mais experientes podem ganhar como executivos de grandes empresas.
Dessa forma, com o tempo teremos uma bolha que tende a estourar. Já que impedir que profissionais saiam do país é impossível, mesmo que eles continuem trabalhando remotamente para empresas de fora, e morando aqui. O que poderia ajudar a manter os profissionais trabalhando aqui e para empresas nacionais é a formação, treinamento focado. Quanto mais você treina profissionais, você cria novas vagas e oportunidades, valorizando também quem só precisa de uma oportunidade para seguir nessa carreira.

