De acordo com o Google, os veículos que dependem da publicidade em display na web aberta enfrentam um declínio acelerado — e uma eventual divisão do seu negócio de anúncios poderia intensificar ainda mais esse cenário.
A afirmação consta em documentos apresentados pela empresa no processo antitruste que pode levar ao desmembramento de sua operação de tecnologia publicitária nos Estados Unidos. Tradicionalmente, o Google defendia que a web estava em expansão, impulsionada pelo tráfego que seu buscador direciona para diferentes sites. Mas, em meio à queda de audiência causada pelo avanço da inteligência artificial, a nova posição sinaliza que a saúde da web aberta não é tão sólida quanto parecia.
A mudança de tom foi identificada pelo Search Engine Roundtable, a partir de uma análise de Jason Kint, da associação Digital Content Next. O documento do Google discute possíveis soluções legais para sua posição de monopólio em tecnologia de anúncios.
No texto, a empresa afirma:
“A inteligência artificial está transformando a publicidade em todos os níveis; formatos fora da web aberta, como TV conectada e mídia de varejo, estão em plena ascensão; e os concorrentes do Google estão investindo nesses novos espaços. O fato é que hoje a web aberta já passa por um rápido declínio, e a proposta de desmembramento só aceleraria esse processo, prejudicando os editores que dependem dessa receita.”
O Google, no entanto, contestou a interpretação, destacando que a frase inicial se refere especificamente à publicidade. Em publicação no X (antigo Twitter), Dan Taylor, vice-presidente global de anúncios da companhia, escreveu: “Os orçamentos de mídia seguem o comportamento dos usuários e os resultados para os anunciantes, cada vez mais em áreas como TV conectada e mídia de varejo.”
O debate acontece em meio ao interesse crescente no conceito de “Google Zero”, criado por Nilay Patel, editor do The Verge, para descrever um possível futuro em que o buscador deixaria de enviar tráfego a sites de terceiros. Em entrevista à mesma publicação, em maio, o CEO Sundar Pichai negou essa hipótese, afirmando que a busca, agora integrada à IA, está direcionando audiência para uma gama ainda maior de fontes.
Embora a publicidade em display on-line ainda se mantenha estável, segundo análise da WARC baseada em dados da Nielsen, seu crescimento está longe de repetir a expansão vivida pela busca e pelas redes sociais na última década.

Foto: Pexels
Fontes: WARC
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