A indústria global de fraudes digitais segue em expansão. Em 2025, um em cada sete consumidores foi vítima de algum tipo de golpe, segundo o “Global Scam Intelligence Report 2026”, da Bitdefender. O levantamento estima que os golpes digitais tenham provocado prejuízos de cerca de US$ 442 bilhões aos consumidores em todo o mundo, enquanto as perdas anuais globais associadas a fraudes ultrapassariam US$ 1 trilhão. Os Estados Unidos lideram o ranking de incidência, com 17% dos casos, seguidos por Reino Unido e Austrália, ambos com 16%.
Os jovens aparecem entre os grupos mais vulneráveis. De acordo com o estudo, pessoas mais novas têm o dobro de probabilidade de cair em golpes em comparação com gerações mais velhas — 20% contra 9,7% —, em grande parte por permanecerem mais tempo nas plataformas preferidas pelos criminosos. Entre os 15 tipos de fraude identificados, o phishing responde por aproximadamente 24,5% dos incidentes. Na sequência aparecem golpes financeiros e de investimento (10,7%), lojas falsas e publicidade fraudulenta (9,3%), golpes de emprego (8,7%) e fraudes em redes sociais (7%). Somadas, as três categorias mais frequentes representam quase metade dos casos registrados, indicando forte concentração das ações criminosas em modelos de fraude de larga escala.
Embora o relatório da Bitdefender não apresente dados específicos sobre o Brasil, uma pesquisa do Datafolha mostra que aproximadamente 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix ou boletos entre julho de 2024 e junho de 2025. O prejuízo estimado chega a quase R$ 29 bilhões. Apenas no primeiro semestre de 2025, o golpe da falsa venda pela internet registrou 174 mil ocorrências, crescimento de 314% em relação ao mesmo período de 2024. O prejuízo médio por vítima alcançou R$ 2.540, aumento de 21%.

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SMS: um em cada 20 envios apresenta risco
A análise do tráfego de mensagens SMS identificou que 5,16% das comunicações estavam ligadas a campanhas consideradas suspeitas, o equivalente a cerca de uma em cada 20 mensagens. Nos Estados Unidos, o índice se aproxima de 4,5%.
Em escala global, os golpes financeiros lideram entre as mensagens classificadas como de risco, concentrando 36% dos registros. Na sequência aparecem conteúdos relacionados a entretenimento, prêmios, órgãos governamentais e entregas, que respondem por 12% dos casos, além de seguros e saúde.
Os números variam significativamente entre os países. Na Alemanha, por exemplo, a proporção de SMS fraudulentos chegou a ser quatro vezes superior à média global, ultrapassando 30% durante o primeiro trimestre do ano antes de recuar para cerca de 12% em novembro. Na França, os índices também atingiram níveis elevados no início do ano, com pico em fevereiro e queda gradual ao longo dos meses seguintes.
Redes sociais ampliam alcance das fraudes
A publicidade fraudulenta nas redes sociais chama atenção pelo volume de exposição. Segundo o relatório, a taxa média de interação de usuários com anúncios enganosos alcançou 36%. Os segmentos de saúde, beleza, estilo de vida e entretenimento registraram índices ainda mais elevados.
Em números absolutos, estima-se que 18,2 milhões de norte-americanos, 11,1 milhões de alemães e 8,5 milhões de britânicos tenham sido expostos a esse tipo de conteúdo. Na Romênia, mais de 40% da população visualizou ao menos um anúncio fraudulento, o maior percentual entre os países analisados.
Um episódio ocorrido em 9 de abril de 2025 ilustra a escala dessas operações. Em apenas 24 horas, uma única página publicou mais de 100 anúncios maliciosos na Meta. A ação envolvia centenas de contas coordenadas que se passavam por empresas como Binance, TradingView, MetaMask, Bybit, Gate.io, MEXC e SolFlare. As campanhas utilizavam falsos endossos de Elon Musk, Zendaya e Cristiano Ronaldo. Meses depois, em agosto, a operação evoluiu para dispositivos Android por meio do trojan Brokewell, capaz de gravar telas, capturar teclas digitadas e roubar carteiras de criptomoedas. Pelo menos 75 anúncios atingiram milhares de usuários da União Europeia em poucas semanas.
WhatsApp e telefonemas mantêm força dos golpes
No WhatsApp, seis em cada dez conversas consideradas suspeitas tiveram origem em contas comerciais. Recursos como logotipos, catálogos, selos de verificação e ferramentas de automação ajudam a transmitir credibilidade e ampliar o alcance das ações criminosas. Somente na Índia foram identificadas mais de 310 mil conversas classificadas como arriscadas.
Entre os golpes mais disseminados está o esquema conhecido como “vote no meu filho”, que ganhou força em diversos países europeus. A fraude explora a confiança entre conhecidos: a vítima fornece seu número de telefone e um suposto código de verificação em um site falso, entregando, sem perceber, a autorização necessária para o controle da conta no aplicativo.
As ligações telefônicas seguem uma lógica semelhante à de centrais de atendimento profissionalizadas. A Bitdefender analisou cerca de 150 milhões de chamadas em 2025. Desse total, mais de 23 milhões foram classificadas como indesejadas, o equivalente a mais de 15% das ligações avaliadas. As chamadas partiram de mais de 52 milhões de números únicos, sendo mais de 500 mil já identificados como problemáticos.
As ligações maliciosas duram, em média, 3 minutos e 36 segundos, enquanto as chamadas classificadas como “cinzentas” ficam próximas de dois minutos. O phishing por voz apresenta os maiores tempos de interação, chegando a 8 minutos e 8 segundos. Já os golpes de compensação duram cerca de 1 minuto e 27 segundos. Quanto mais sofisticada a narrativa utilizada pelos criminosos, maior tende a ser o tempo de conversa.
Os registros indicam que o volume de chamadas fraudulentas atinge seu pico por volta das 8h da manhã. Aproximadamente um quarto delas envolve instituições financeiras. A dinâmica das operações também segue uma lógica corporativa, com maior atividade entre terça e quinta-feira e redução de 70% a 80% aos domingos.
Inteligência artificial entra no centro da disputa
O avanço da inteligência artificial ganhou um novo capítulo na última semana. Na noite de sexta-feira, a Anthropic suspendeu o acesso internacional aos modelos Fable 5 e Mythos 5 após receber uma determinação formal do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, encaminhada ao CEO da empresa, Dario Amodei.
A medida está relacionada à nova diretriz do governo Donald Trump, publicada em 2 de junho, que estabelece mecanismos para promover inovação e segurança em sistemas avançados de inteligência artificial. Na prática, o governo passou a impor controles de exportação sobre modelos considerados estratégicos, restringindo o acesso de governos, empresas e usuários estrangeiros.
As razões para a decisão permanecem cercadas por versões divergentes. Uma delas, divulgada pelo Axios, aponta que a Amazon teria apresentado ao governo norte-americano um relatório demonstrando falhas que permitiriam acessar partes do modelo Mythos.
David Sacks, investidor e ex-assessor do governo Trump para temas ligados à inteligência artificial, acusou a Anthropic de agir de forma imprudente ao lançar o Fable 5 sem solucionar uma vulnerabilidade identificada. Segundo ele, a administração norte-americana teria solicitado que a empresa corrigisse o problema ou suspendesse temporariamente o acesso ao modelo. A Anthropic, porém, considerou que a falha não representava um risco significativo.
De acordo com Sacks, a decisão de restringir a exportação dos modelos seria consequência direta da recusa da companhia em atender à solicitação. A empresa, por sua vez, afirma que não recebeu espaço para negociação e relaciona a medida a divergências anteriores com o governo sobre possíveis usos militares e de inteligência de seus sistemas.
A discussão ganhou força desde abril, quando a Anthropic apresentou o Mythos, modelo que, segundo a companhia, seria capaz de identificar vulnerabilidades em sistemas e softwares. Autoridades governamentais e instituições financeiras demonstraram preocupação com a possibilidade de que tecnologias futuras encontrassem brechas exploráveis por adversários dos Estados Unidos.
A diretriz divulgada em junho prevê que empresas de tecnologia ofereçam voluntariamente até 30 dias para que o governo revise novos modelos antes de sua disponibilização pública. O texto também prevê a criação de um centro dedicado à análise de vulnerabilidades cibernéticas relacionadas à inteligência artificial.
O que ocorreu na sexta-feira, entretanto, foi uma decisão mais ampla do Departamento de Comércio. A inteligência artificial passou a integrar a lista de tecnologias sujeitas a controles de exportação por potencial impacto sobre a segurança nacional. Trata-se de uma regra tradicionalmente aplicada a áreas como supercomputação e semicondutores.
Na prática, a medida sinaliza que determinados modelos avançados deixaram de ser vistos apenas como produtos comerciais e passaram a ser considerados ativos estratégicos dos Estados Unidos.
Caso a decisão seja mantida e sirva de referência para futuras regulamentações, o debate passará a envolver não apenas inovação tecnológica, mas também quem terá autorização para acessar os sistemas mais avançados do mundo. Para empresas e gestores, o cenário adiciona novas incertezas ao planejamento e à adoção de inteligência artificial.
Outros destaques da semana
A SpaceX realizou o maior IPO da história. A expectativa inicial era negociar ações a US$ 135, mas os papéis encerraram o primeiro dia acima de US$ 161 na Nasdaq. Após captar US$ 75 bilhões, a companhia atingiu um valor de mercado estimado em US$ 2 trilhões. As projeções indicam que cerca de 4 mil funcionários poderão se tornar milionários com a operação.
Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário do planeta. Segundo o Bloomberg Billionaire Index, sua fortuna é estimada em US$ 780 bilhões. Larry Page aparece em seguida com aproximadamente US$ 304 bilhões, enquanto Sergey Brin soma US$ 283 bilhões. Jeff Bezos figura na sequência, com patrimônio estimado em US$ 262 bilhões.
A OpenAI também protocolou de forma confidencial seu pedido de abertura de capital, sem divulgar cronograma. A expectativa do mercado é que a empresa responsável pelo ChatGPT ultrapasse o valor de mercado de US$ 1 trilhão após a oferta pública. Analistas ainda apontam que uma ampla reformulação da plataforma deve ser anunciada nos próximos meses.
No Brasil, o LinkedIn alcançou a marca de 100 milhões de usuários, consolidando o país como o terceiro maior mercado da plataforma, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. A rede social, controlada pela Microsoft, vem ampliando o uso de inteligência artificial em ferramentas voltadas para networking, recrutamento e desenvolvimento profissional.
Já o Nubank informou que investiga um erro operacional após alguns clientes receberem uma mensagem informando, incorretamente, que a instituição estaria entrando em processo de liquidação extrajudicial. O Banco Central confirmou que a informação não procede.
Fonte: The Shift
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