Por Hellen Katherine*
Fartura de mÃdias e muitos usuários ativos online. Mas será que o tempo de conexão se traduz em qualidade de informação despejada nas mÃdias?
Quem acompanhou as últimas evoluções do mundo online viu que a falta de inovação não tem perdoado as invenções digitais que seguem, de forma pouco linear, substituindo umas as outras. Vimos o Facebook passar à frente do Orkut, vimos os blogs deixarem para trás o rótulo de “diários virtuaisâ€, vimos o Tumblr ocupar o lugar do falecido Fotolog – febre adolescente de uma época em que a exposição de fotos ainda era considerada um risco.
Em uma rápida análise, vivemos um ritmo de mudanças nada mau nos últimos dez anos, o que tratou de confirmar que em time que está ganhando, muitas vezes, é preciso mexer, sim, porque mesmice e internet são palavras que não combinam. A criatividade sempre foi exigência do usuário, que quer novidade nas mÃdias e ferramentas, à distância de um clique, e não suporta monotonia.
Mas o que esse usuário tem feito para manter essas novas redes atraentes?
Não é preciso navegar por muitas horas para perceber: a questão do conteúdo é o maior problema do ambiente virtual hoje. De nada adianta abandonar a conta da mÃdia X e fazer um novo cadastro no site Y, se o usuário não entender que essas redes são feitas por ele mesmo e que a sensação de tédio vem, também, do modo como elas estão sendo usadas, na prática. A falta de criatividade invade, agora, o notebook de cada um – nos levando à estranha sensação de que estamos em uma sala cheia de gente que repete as mesmas coisas, o tempo todo.
A dupla “CTRL+C/CTRL+V†tomou conta da blogosfera, as piadas compartilhadas já são conhecidas e até as notÃcias jornalÃsticas parecem ser escritas do mesmo modo. Nada se cria, tudo se copia, tudo se adapta – porque “postar†tornou-se mais importante do que “o que postarâ€. E, de fato, quantidade é o que não falta.
O fluxo de informações é tão grande que, fazendo o papel inverso, desorienta os internautas, e talvez esteja aà a chave do problema. Será que, devido ao bombardeio de textos, fotos e vÃdeos, estamos condicionados a fazer o que já foi feito? Ou trata-se de puro desinteresse e preguiça de aguçar a criação? Até que ponto nós, como usuários, estamos sendo responsáveis por levar certas mÃdias ao declÃnio, por não lembrar que elas são “sociaisâ€?
Pelo que se vê, é chegado o momento de mexer nesse time para sair da mesmice, do normal, do repetido. Está na hora de colocar a inspiração criativa no mesmo patamar da técnica e dar a ela a devida importância, considerá-la essencial tanto quanto a presença online. Vamos fazer isso antes que todos saiam da sala e cliquem em sign out.
Hellen Katherine* é jornalista e atua com mÃdias sociais na área de moda. Apaixonada por internet, comunicação e feminices de todos os tipos. No Twitter, é @hkateee.
