Depois que o diretor de saúde pública dos EUA alertou sobre uma epidemia de solidão que afeta quase um em cada dois adultos americanos no ano passado, surgiram evidências sobre a ligação entre tecnologia e sentimentos de isolamento e solidão.
Os profissionais de marketing precisam estar atentos ao cenário das mídias sociais, incluindo percepções negativas relacionadas ao uso excessivo de aplicativos, e garantir que estejam utilizando qualquer plataforma e canal de forma responsável. Esses canais ainda têm uma enorme influência e a previsão é que a indústria cresça para quase seis bilhões de usuários até 2027. Erros acontecem e estão se acumulando – veja o desempenho recente do X como um exemplo de como a toxicidade online pode afastar anunciantes.
Uma solução que está surgindo são as comunidades de mídia social baseadas em hobbies. Esses espaços oferecem boas oportunidades para as marcas construírem relacionamentos positivos e engajados com grupos comprometidos.
Uma reportagem no New York Times destacou vários estudos acadêmicos e citou diferentes pesquisas:
Um estudo de Harvard com 500 adolescentes americanos pediu que os participantes respondessem a um questionário sobre suas interações sociais três vezes ao dia – mais de 50% não haviam falado com ninguém na última hora em cada ocasião, seja pessoalmente ou online. Apenas dois por cento dos adolescentes usaram chamadas de vídeo, reforçando ainda mais os sentimentos de isolamento. Aplicativos de redes sociais como o Instagram podem provocar sentimentos de que as pessoas estão ficando para trás em relação aos seus pares. A troca de mensagens de texto foi considerada uma barreira para uma “conexão autêntica” e aumentou a ansiedade nos adolescentes – por exemplo, quando os amigos demoram muito para responder. Algumas pessoas que se sentiam solitárias também apresentaram personalidades viciantes que as mantinham dentro de casa – nesse caso, por conta de vídeos em streaming.
Os avanços tecnológicos, como a popularidade das plataformas de mídias sociais, há muito tempo têm sido associados a ansiedade, depressão e sentimentos de inadequação.
Há alguns anos, a Meta tomou medidas para abordar preocupações de pesquisadores e ativistas, incluindo uma opção para ocultar o número de curtidas e compartilhamentos. Um porta-voz citado no NYT aponta para um blog de Adam Mosseri, chefe do Instagram, que disse que as reações a essa mudança foram mistas, pois algumas pessoas usam as curtidas para acompanhar tendências.
Tanto o Instagram quanto o TikTok, este último sendo criticado por ser viciante, têm configurações que mostram lembretes sobre quanto tempo você passou rolando a tela; ambos responderam à matéria dizendo que possuem limites de tempo de tela para adolescentes.
Curiosamente, o relatório trouxe novas pesquisas sobre programas de streaming – e como isso pode aumentar a depressão, a ansiedade e a solidão até certo ponto. O professor da Universidade de Yale, Marc Potenza, que também é especialista em vícios, disse ao New York Times que pessoas com problemas de saúde mental podem maratonar séries para lidar com o estresse e emoções negativas. A Netflix se recusou a comentar.
Fonte: WARC

