Apostar todas as fichas – ou muitas delas – no Facebook é um grande risco para a estratégia de comunicação corporativa
Depois de algum tempo patinando nas mídias sociais, a maior parte das empresas finalmente compreendeu a importância de estar presente no Facebook, mas muitas delas penderam para o extremo oposto e passaram a centralizar suas estratégias de comunicação nesse canal. “As marcas já compreenderam que ainda que não estejam nas redes sociais, seus usuários estão lá. Por isso, passaram a atuar no Facebook; mas muitas delas estão investindo todas as suas forças nessa ferramenta. Há algumas empresas que usam a rede como seu único meio digital de contato e portfólio, substituindo até mesmo seu site corporativo”, comenta José Matias, diretor da Redsuns, agência de performance online.
Com inúmeras mudanças, entretanto, as empresas estão constantemente perdendo o alcance de suas fanpages e precisando trocar as estratégias para manter o contato com o público. “As atualizações feitas pelo Facebook ocorrem sem períodos definidos e muitas vezes sequer são divulgadas, sendo percebidas posteriormente pela comunidade de anunciantes e produtores de conteúdo. Um exemplo é a perda de alcance orgânico que, segundo pesquisas, caiu para uma média de 6% e até 2% para as páginas com mais de 500 mil fãs”, comenta Matias.
É claro que ainda existem maneiras de se manter assertivo no Facebook. Além de conteúdos com títulos mais chamativos e imagens com maior apelo visual, anúncios, promoção de página e posts impulsionados também contribuem para alcançar o público. “Com o FacebookAds é possível atingir um número maior de usuários, tanto na sua base de fãs como fora dela. O melhor resultado dependerá mais da qualidade do conteúdo, segmentação e otimização constante dos anúncios e publicações na página, do que da forma escolhida para promover esse conteúdo.”
Essas ferramentas podem ser usadas de acordo com a necessidade do cliente, seja para aumentar as visitas no site ou para conseguir mais fãs para a página do Facebook, se esse de fato for o resultado esperado para aquela ação. “É importante sempre ter os objetivos bem definidos, para que as ações e investimentos feitos possam ser mensurados em relação ao retorno que geraram para a marca. Empresas menores em geral se preocupam muito com o número de likes, o que pode ser importante num primeiro momento para que atinjam um número maior de usuários, mas depois da base de fãs estruturada é importante avaliar o que será feito para se relacionar e comunicar com estes usuários”, comenta.
José Matias ressalta que apesar de válidas e com bons resultados, todas essas estratégias precisam fazer parte de um planejamento maior de comunicação digital. “As empresas precisam entender que o Facebook é uma ferramenta e não a única. O importante é ter uma estratégia que considere as mídias sociais como um todo e não apenas um canal. Se o Facebook é importante hoje pelo número de usuários, conteúdos, etc., é importante lembrar que já tivemos outras redes similares – como o Orkut – e poderemos ter muitas outras futuramente.”
Segundo o especialista, o Facebook ainda merece investimento, pois tem e por algum tempo deve manter sua relevância entre o público. “Mas além de se preocupar em ter um número determinado de likes, é importante usar a ferramenta para criar relacionamentos, que possam ser mantidos em outros canais também, afinal o Facebook pode acabar um dia, mas a sua marca deve perdurar.”
