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“Detox de verão” – Por Davi Paes e Lima
06 de Fevereiro de 2013

“Detox de verão” – Por Davi Paes e Lima

Por Davi Paes e Lima*
Davi Paes e LimaO termo Detox (de desintoxicação) segue em evidência. E pode, hoje, ser encontrado em diferentes aplicações: detox de relacionamento (quando o casal tem que recorrer à alguma terapia para dar uma “arejada” na relação) e a dieta detox (combinação de sucos e refeições que fazem uso de ingredientes desintoxicantes, como abacaxi, arroz integral, gengibre e maçã) são as mais comuns. Mas já veio à tona uma nova necessidade de desintoxicação: o detox tecnológico, ou detox digital.

Você já se deu conta de quantas coisas fazemos ao mesmo tempo, do turbilhão de informações que nos assola diariamente, da ansiedade gerada por tamanho fluxo de “novidades” em nossa timeline? Agora mesmo, por exemplo: se você está lendo este artigo pela internet, no mínimo está com uma segunda janela do navegador aberta em outro site, ouvindo uma música, com o celular na mesa apitando vez ou outra e quem sabe também com a TV ligada. Só para você não sentir-se tão culpado, enquanto eu escrevo este texto estou “assistindo” a um telejornal, baixando músicas no iTunes e com o chat do Facebook desviando a minha atenção a cada minuto. Plim, plim. Ficar off-line virou artigo de luxo – e motivo de desespero para muitos.

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Já ouviu falar em F.O.M.O.? É a abreviação de “fear of missing out” (em português, “medo de perder algo”), patologia contemporânea que nada mais é que a sensação de estar perdendo uma nova curtida no Facebook, uma foto no Instagram, uma notícia no Twitter. E, por medo de perder algum post, sofre de uma ansiedade digital, deixando de viver por inteiro uma série de momentos reais, palpáveis.

Pesquisando sobre o tema na internet achei depoimentos de pessoas que conseguiram (!) deletar seus perfis em redes sociais após várias tentativas, e sofreram sintomas parecidos com os de alguém que está deixando um vício químico, como cigarro. Crise de abstinência, ataques de ansiedade na primeira semana… Já presenciei uma amiga desesperada na praia em busca de algum sinal de WiFi. Pasmem: ela chegou a pedir para um vendedor ambulante de caipirinhas para carregar por cinco minutos o celular na mesma tomada onde ele ligava o liquidificador para preparar os coquetéis. E não pensem que ela tinha algo tão importante para fazer ao telefone; queria apenas postar uma foto no Instagram.

Não é de admirar que hoje todo mundo diz ter déficit de atenção. Há quanto tempo você não sabe o que é sentar em uma mesa de bar, ou à beira-mar, numa roda de amigos, para simplesmente jogar conversa fora, sem smartphones para preencher cada minuto do seu tempo?! Já notou como é difícil parar para ler um livro? A cada página lida, uma pausa para ver se há alguma nova notificação no display do iPhone. Foco zero.

O tema está tão em voga que alguns estabelecimentos já oferecem benefícios para quem conseguir ficar off-line, mesmo que por alguns minutos. Depois dos hotéis (um na Costa Rica oferece 15% de desconto aos hóspedes que toparem entregar os seus gadgets no check-in) , alguns restaurantes bonificam os clientes que ficarem desconectados de smarthphones e tablets durante a refeição. Um deles é o Eva, em Los Angeles, que oferece 5% de desconto.

Portanto, se você identificou-se com algumas das características de quem sofre de F.O.M.O., que tal aproveitar o restinho do verão, o período do carnaval, para desligar-se um pouco dessa avalanche digital? Vale o esforço. E seus amigos agradecem.
*Davi Paes e Lima é jornalista e assessor de comunicação.

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