Realizado com 306 jovens um estudo antropológico, contou com análises quantitativas e qualitativas. Oferecer “job rotation” é um artifício muito usado por empresas que querem conquistar a Geração Y, principalmente em programas de trainee. A estratégia pode, porém, ser um tiro no pé, segundo o instituto de pesquisa BR Insights. Para Zuza Tupinambá, cientista social e um dos autores da pesquisa, a partir do momento em que o jovem passa por diversas áreas dentro da empresa em um curto período de tempo, isto contribui para o aumento da sensação de insatisfação constante dessa geração. Para entender o porquê desse sentimento é preciso ir a fundo.
A Geração Y é hoje referência por dominar os aparatos tecnológicos ou trabalhará com estruturas inovadoras. Essa fascinação cria uma expectativa de que as pessoas nesta faixa etária serão capazes de terem ideias geniais e se tornarem milionárias, assim como com Mark Zuckerberg. Um exemplo disso, é que para 56% dos entrevistados, o Google é a empresa dos sonhos, em segundo lugar fica a Natura, citada por 12% deles. Empatados em terceiro lugar estão Heineken, Nike e Facebook, com 7% cada um.
Tupinambá explica que a realidade dos jovens está bem distante desses sonhos e que grande parte deles não se enquadra nesse tipo de empresa revolucionária. “O jovem vem com essa projeção que não bate com a real, o que já gera frustração. Para piorar, as empresas de segmentos tradicionais, na tentativa de retê-lo, começam a mudá-lo de área. A ideia é: se ele passar por tudo, não haverá monotonia”. Completa ainda que “o jovem pensa: depois que eu passar por todas as áreas, já posso ser diretor. A cabeça dele funciona na velocidade digital e ele quer ser presidente da empresa em um ano e meio. E como isso não acontece, acaba mudando de emprego”. O que acaba gerando um ciclo vicioso de frustrações na Geração Y.
“O jovem acaba não parando em lugar nenhum, porque se frustra na primeira contrariedade e entende que aquilo não é pra ele. Ele fica pulando de empresa em empresa, ou até muda de carreira, porque sente que lhe falta algo”, reforça Valéria Brandini, cientista social e uma das autoras do estudo. Uma das respostas para ajudar esta Geração é o investimento em sérios programas de coaching e mentoring.
Segundo Tupinambá, o coaching serviria como meio de aprofundar essa informação. “É preciso apresentar um contexto de admiração, de referência. O coach tem que sair mais do que chefe”. E é isso que a Geração Y quer. Segundo a pesquisa em uma escala de 1 a 5 (sendo 5 o que mais importa) ter um chefe que ensine sobre o mundo corporativo recebeu a avaliação média de 4,07 entre os respondentes. O reconhecimento do talento por parte da liderança aparece em seguida, com uma média de 3,19. Já a liberdade para trabalhar recebeu média de 2,76, avaliação parecida com a da necessidade de receber feedbacks constantes, com média de 2,67.
“Esse jovem tem que perceber que a empresa está preocupada com o formação da carreira dele, que ele vai crescer lá dentro”, diz Tupinambá. Isso também implica em delegar responsabilidade, dar espaço para ele testar as suas ideias e ver se elas são boas ou ruins. “Alguém precisa ensiná-lo a descobrir, apontar o que está errado e direcioná-lo. A Geração Y sente falta disso”. Eles precisam de um começo, pois muitos não conseguem nem começar por não ter experiência.
Já um indício de que o mentoring é algo desejado pela Geração Y é que, segundo a pesquisa, os jovens não têm medo das cobranças e querem que suas capacidades sejam exploradas e reconhecidas. Questionados sobre o ambiente de trabalho, 36% disseram que a pior característica que ele pode ter é a falta de investimento no colaborador. Em seguida, aparecem a falta de perspectiva para o futuro profissional (33%) e a impessoalidade e a frieza (24%). As cobranças extenuantes só foram assinaladas como o principal problema por 5% dos respondentes.
Outro ponto importante é fazer com que os jovens participem da empresa ativamente, sintam-se importantes. “É preciso colocá-los em uma reunião importante, deixá-lo participar de brainstorms. Aquela coisa de reunião de diretoria — com exceção em casos de informações confidenciais — não funciona. O jovem quer trocar experiências, fazer a diferença. Isso só acontece se ele participar”, defende Tupinambá.
Um ponto positivo que motiva esta Geração a trabalhar em uma companhia é a defesa de uma causa. Não precisa estar necessariamente relacionada a questões sociais ou ambientais, mas sim a qualquer objetivo claro. “A empresa tem que falar a real. Quanto mais transparência e mais dignidade ela tiver dentro do que ela propõe, quanto mais ela agir conforme diz, mais interessante é. Porque hoje eles (os jovens) descobrem qualquer coisa”, reforça Valéria, em referência à internet.
Ser “o melhor” naquilo que faz é uma dos desejos dos jovens, mas contribuir efetivamente para melhorias na comunidade, segundo o estudo, este é um dos maiores desejos profissionais da Geração Y. Essa foi a resposta dada por quase metade dos pesquisados (49,8%). Conseguimos assim entender um pouco melhor esta Geração que esta tomando conta do mercado de trabalho, compreendendo suas frustrações e seus anseios para assim seguirmos juntos no crescimentos das empresas.
Informações: exame

