Uma pesquisa inédita realizada pela HSM e pela Community Creators Academy, ambas do Ecossistema Ânima, em parceria com a Michael Page Brasil, revela uma mudança relevante no perfil das lideranças empresariais.
O estudo ouviu 515 CEOs que atuam em empresas com operação no Brasil e mostra que as redes sociais deixaram de ser um recurso opcional para se tornar parte ativa da estratégia corporativa e da atuação pessoal dos executivos. Segundo o levantamento, sete em cada dez CEOs utilizam as plataformas digitais para apoiar objetivos da empresa, enquanto seis em cada dez recorrem a esses canais para fortalecer sua imagem pessoal. LinkedIn (93%) e Instagram (61%) lideram como principais espaços de visibilidade.
Intitulada “O impacto das redes sociais no posicionamento de CEOs”, a pesquisa buscou compreender como as altas lideranças estão usando — ou deixando de usar — as redes sociais como ferramenta estratégica. A amostra é composta por fundadores (47%), executivos e sócios (44%) e líderes de empresas familiares (5%), distribuídos por diferentes setores da economia.
A construção de reputação corporativa aparece como o principal motivador para a presença digital dos CEOs. Seis em cada dez entrevistados indicam esse fator como prioridade, seguidos pela geração de negócios (54%) e pelas oportunidades de networking (47%). A visão de futuro reforça a tendência: 52% dos participantes acreditam que, nos próximos cinco anos, a atuação de CEOs nas redes sociais será indispensável para o exercício da liderança.
Apesar do reconhecimento do valor estratégico dessas plataformas, o estudo aponta obstáculos para uma atuação mais estruturada. A falta de tempo é a principal barreira, mencionada por 54% dos executivos, seguida pela ausência de preparo técnico, citada por 25%. Os dados indicam que a presença digital avança, mas ainda carece de processos e suporte formal dentro das organizações.
Essa mudança também se reflete nas análises qualitativas dos entrevistados. “Percebemos uma transformação acontecendo no topo das empresas, uma transformação que não está nos relatórios e nem nas metas de crescimento, mas sim em como os líderes escolhem aparecer ou permanecer em silêncio. Este estudo inédito mostra que cada vez mais a reputação deixa de ser um efeito colateral e passa a se tornar parte da estratégia. Liderar é também construir presença e alguns CEOs já entenderam que a influência não nasce do cargo, mas na capacidade de inspirar, de criar diálogo e de ser lembrado nas conversas”, afirma Reynaldo Gama, CEO da Ânima Empresas.
Segundo Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page, o estudo mostra que as redes sociais já fazem parte da agenda estratégica das lideranças. Fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade dos negócios e construir conexões são fatores que impulsionam a presença deste público no ambiente digital. “Os CEOs já perceberam que presença digital não é sobre autopromoção, mas sobre influência e propósito. Afinal, a forma como a liderança se conecta ajuda a inspirar e a humanizar as respectivas marcas. E saber usar a própria voz com propósito e método, como um ativo estratégico, é o que diferencia aqueles que, de fato, influenciam”, analisa Basaglia.
Alta confiança e ausência de treinamento
Embora a presença digital esteja incorporada à agenda dos líderes, a pesquisa revela que a estrutura de suporte ainda é limitada: 73% dos CEOs nunca receberam treinamento ou coaching em presença digital e 60% das empresas não possuem políticas pré-estabelecidas sobre o uso das redes sociais. Mesmo assim, a confiança é alta: 54% dos entrevistados afirmam se sentir seguros para atuar nas plataformas, e 29% se consideram em nível intermediário. O dado sugere ainda que muitos líderes avançam por conta própria, mesmo sem programas formais da empresa.
Essa autonomia aparece também na produção de conteúdo: 57% dos CEOs assumem integralmente suas publicações, da criação à postagem, sem apoio interno ou externo. Além disso, sete em cada dez executivos marcam presença regularmente nas redes sociais.
Para Fabio Duarte, fundador e CEO da Community Creators Academy, essa realidade indica que a comunicação executiva já migrou para o ambiente digital e tende a se intensificar. “O palco da liderança mudou. O ambiente digital se tornou o principal espaço de visibilidade e influência. Ao mesmo tempo, a confiança e a reputação corporativa passam cada vez mais pela voz direta do CEO e não apenas pela comunicação institucional. É por isso que defendemos a importância de que executivos tenham cada vez mais acesso a informações, treinamentos e equipes capacitadas para ajudá-los a se comunicar com cada vez mais eficiência”, afirma.
O estudo também detalha os temas mais comuns nas publicações dos CEOs. Os conteúdos institucionais, como resultados, estratégia e conquistas das empresas, lideram as postagens, citados por 58% dos entrevistados. Conteúdos pessoais aparecem em 27% dos perfis, enquanto 7% dos executivos publicam opiniões sobre temas públicos, ESG e política, e 6% utilizam as plataformas para reconhecer equipes e destacar a cultura interna de suas organizações.
A presença digital dos CEOs já ocupa lugar próprio no ambiente corporativo e tende a se sofisticar nos próximos anos. Esse movimento aponta para um novo patamar de atuação executiva, no qual a voz das lideranças ganha ainda mais protagonismo nas relações com diferentes públicos.

Foto: Freepik
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